NINA

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A Camila insistiu em me levar a um salão de cabeleireiro bem chique. Logo na entrada, o cheiro de produtos importados e a decoração minimalista, com tons neutros e iluminação suave, me fez sentir num lugar refinado. Eu nunca tinha pisado num salão assim, e no começo me senti um tanto deslocada, mas Camila, com aquele jeito extrovertido de sempre, logo me fez sentir parte do ambiente, conversando com as cabeleireiras como se fossem amigas de longa data.

— Seu cabelo não vê uma tesoura há bastante tempo — comentou a cabeleireira, examinando minhas pontas com atenção.
— Não corto o cabelo desde os oito anos — confessei, meio sem graça.
— Posso tirar as pontas secas? — perguntou ela, gentil.
— Pode, sem problemas — respondi, encolhendo os ombros.

Eu nunca fui apegada a cabelo, só não tinha dinheiro pra gastar com salão, e meu pai nunca se importou muito com isso também. A última vez que cortaram meu cabelo foi no improviso, nos bastidores de uma apresentação de balé da minha mãe, muitos anos atrás.

Enquanto a cabeleireira trabalhava, senti a tensão se dissolver no barulho suave da tesoura. Depois veio a hidratação, o cheiro adocicado da máscara de tratamento invadindo o ar. A escova deixou meus fios macios, o babyliss formou cachos perfeitos, e ainda fizeram uma maquiagem leve, realçando meu olhar. Ao me olhar no espelho, quase não me reconheci — parecia que outra pessoa estava ali, mais confiante e iluminada.

Ao sair de lá, Camila insistiu que precisávamos comprar roupas. Ainda meio atordoada com a minha nova aparência, a segui por lojas com araras repletas de peças delicadas e estilosas. Por fim, entramos na Victoria's Secret, o letreiro rosado contrastando com minha expressão cansada.

— O que você quer aqui? — perguntei, já um pouco exausta das compras.
— É pra você — disse ela, segurando uma calcinha minúscula de renda.
— Eu já tenho calcinhas...
— Mas você precisa de uma calcinha especial — insistiu, sorrindo maliciosa.
— Camila...
— Confia em mim. Ao usar isso, você vai se sentir a mulher mais poderosa do mundo. Autoconfiança é a chave! Nada excita mais um homem do que uma mulher confiante.
— Caleb é seu irmão... — lembrei, rindo nervosa.
— Estou pensando em você, não nele — ela retrucou, levantando a sobrancelha como se fosse óbvio.

Acabei cedendo, escolhendo algumas peças. O Caleb me deu o cartão dele, e àquela altura, recusar seria inútil. Depois de um tempo, Camila me deixou em casa. Já era noite. Minha barriga roncava, eu só queria um banho e a cama.

Quando abri a porta, todas as luzes estavam apagadas, exceto o abajur do aparador onde deixávamos as chaves. A luz amarelada criava um pequeno círculo de aconchego no meio da escuridão. Havia um envelope preto ali. Deixei as sacolas no chão e peguei o envelope, o coração batendo mais rápido.

"Oi, meu amor. Você deve estar se perguntando onde estou. Antes de vir até mim, preciso que siga alguns passos e apenas duas regras: não acenda nenhuma luz da casa e siga a ordem dos envelopes.

Nunca te contei isso, mas quando te conheci achei que você era a pessoa mais odiosa do mundo. Não entendia como alguém podia inventar uma mentira daquelas só pra se dar bem. Mas, com o tempo, vi o que havia por trás das suas barreiras, e me senti um idiota por ter duvidado. Você é a mais pura, amável e incrível pessoa que já conheci.

Sei que deve estar cansada de andar a cidade inteira hoje, então deixei o próximo envelope onde você pode se despir e lavar todo o cansaço."

Sorri, surpresa e emocionada. Peguei minhas coisas e corri ansiosa até o banheiro. Estava tudo escuro, mas velas acesas refletiam no espelho e na cerâmica clara, criando um cenário íntimo e delicado. A banheira estava cheia de espuma branca, pétalas de rosas vermelhas boiando na água cheirosa de baunilha. A cena era tão romântica que meus olhos se encheram de lágrimas.

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