As coisas não saíram nem perto do planejado. Meu voo atrasou horas por causa de uma tempestade, e eu fiquei sem bateria no celular, já que tive a brilhante ideia de despachar o carregador na mala. Por fim, consegui chegar em casa às três da madrugada. Entrei devagar, imaginando que Nina já estivesse dormindo. Deixei minhas coisas num canto e fui até a cozinha beber água. O que vi me partiu o coração: a mesa estava posta com dois pratos, uma vela totalmente derretida e, na geladeira, a comida cuidadosamente guardada. No freezer, dois potes de sorvete ainda intactos. Sentindo-me culpado demais, segui para o quarto.
Ao abrir a porta, encontrei Nina dormindo profundamente. Ela vestia uma camisola vermelha transparente, incrivelmente sexy, parecendo uma princesa adormecida.
— Porra... — murmurei, irritado, batendo na testa. — Não acredito que perdi isso.
Só de pensar em tudo o que tinha deixado escapar naquela noite, me deu vontade de pular pela janela. Minha missão, a partir de agora, seria compensá-la por esse vacilo.
— Caleb? — ela murmurou, sonolenta.
Aproximei-me da cama, afastando com cuidado uma mecha de cabelo da testa dela.
— Me desculpa — sussurrei. — Meu voo atrasou e fiquei sem bateria.
— Não tem problema, você está bem? — perguntou ela, a voz suave e preocupada.
— Estou. Vou tomar um banho e já volto para deitar com você.
Deixei um beijo leve na testa dela antes de ir para o banho. Eu estava exausto. Vinha direto do estádio, depois esperei três horas numa cadeira dura no aeroporto, mantendo a cabeça baixa, um boné enfiado até as sobrancelhas, rezando para não ser reconhecido no meio de várias pessoas vestindo camisas de time. Além disso, no voo, tive a companhia de uma senhora que roncou a viagem inteira.
Quando saí do banho, coloquei um short de dormir e me joguei na cama. Virei-me para Nina, puxando sua coxa para o meu colo.
— Você pode usar essa camisola de novo amanhã? — perguntei, tentando não soar desesperado, mas impossivelmente tentado pela visão dela.
— Posso — respondeu, rindo baixinho, ainda sonolenta. — Agora vá dormir, você está com olheiras.
Acordei completamente desnorteado, sem a menor ideia de que horas eram. A escuridão do quarto era total, graças à cortina fechada que não deixava nem um mísero raio de luz entrar. Estendi a mão pelo colchão, mas não encontrei ninguém, etão me levantei, ainda meio zonzo, e fui até o banheiro para escovar os dentes.
Ao sair do quarto, a claridade fez meus olhos doerem. Caminhei pelo apartamento em silêncio, sentindo o piso frio sob meus pés, até chegar à sala. Nina estava no sofá, encolhida sob uma coberta macia, assistindo televisão.
— Olha só o dorminhoco finalmente acordou — disse ela, virando o rosto e abrindo um sorriso ao me ver.
— Que horas são? — perguntei, a voz ainda rouca, esfregando os olhos.
— Duas e meia da tarde. Dormiu bem? — respondeu, com um brilho divertido no olhar.
Sem responder, apenas assenti com um leve sorriso. Deitei-me ao lado dela, puxando parte da coberta sobre mim e envolvendo sua cintura com o braço. Senti seu calor, seu perfume suave, e fechei os olhos desejando voltar a dormir. Enquanto meu corpo relaxava, prestei atenção no que passava na televisão. Era um programa de fofoca.
— O que você faria se ganhasse uma partida de futebol? — o homem provocou, como se esperasse uma resposta ousada do colega.
— Eu iria beber todas! — o outro respondeu, rindo.
— Pois o nosso querido "Príncipe de Nova York" não teve a mesma ideia — disse o apresentador — Ele foi visto no aeroporto logo após o jogo e, aparentemente, não estava nada satisfeito com a espera.
Imediatamente, a tela exibiu algumas fotos minhas. Eu conversando com a balconista da companhia aérea, depois sentado num canto de braços cruzados e a cabeça baixa.
— Alguém estava com tanta vontade de voltar para casa que voou de econômica.
Agora exibiram fotos em que eu estava sentado na minha poltrona na última fileira do avião. Era tão apertado que as pernas mal cabiam no banco e precisei estica-las no corredor.
— pensei que eles voassem em um avião privado
— geralmente sim, mas ele saiu do jogo direto para o aeroporto
— uma primeira classe então? — a mulher riu
Passaram um longo tempo debatendo sobre meu motivo para querer voltar para casa tão rápido. Minha vida na rua era completamente conturbada, a onde eu ia câmeras me perseguiam, paparazzis desesperados para capturar alguma coisa que pudesse acabar comigo enquanto eles lucravam.
O peso que eu vinha carregando essa temporada já era o suficiente. Em casa era o único lugar que eu me sentia seguro e ontem mais que nunca eu quis desesperadamente voltar.
— Não gosto de como eles falam de você, julgando como se te conhecessem — Nina reclamou, chateada com o que a TV mostrava.
— Não liga pra isso — tentei minimizar.
— Você não liga mesmo? — ela insistiu, olhando pra mim de um jeito que pedia explicações.
Suspirei, sabia que ela merecia entender.
— Quando entrei na NFL, eu era muito novo e inocente. Depois de um jogo, fui numa balada com uns caras que conheci. Não fazia ideia de onde estava indo. Assim que cheguei, era uma boate de strip-tease, várias garotas sem roupa desfilando. Fiquei irritado de terem me levado lá sem me avisar. Fui ao banheiro, e lá dentro dois caras cheiravam cocaína. Ao lavar a mão, alguém me fotografou perto deles. Por meses só se falava que eu usava drogas e saía com prostitutas. Meus pais ficaram arrasados. Depois disso, fiz de tudo pra sumir da mídia. Só voltei a aparecer quando te conheci no hospital.
— Por isso você ficou tão irritado quando a sua família foi envolvida — ela concluiu, entendendo meu medo.
— Você conhece minha família, Nina. Eles são incríveis, e decepcioná-los me destruiu por dentro. Fiquei apavorado de isso acontecer de novo.
Ela segurou minha mão, me olhando com carinho.
— Você é uma pessoa incrível, Caleb. Não deveria viver escondido com medo do que a imprensa vai dizer.
Eu desliguei a TV, a puxei pro meu colo e beijei seus lábios, tentando deixar pra lá o peso daquelas lembranças. Ela era meu porto seguro.
— Tô com fome — falei, mudando de assunto. — E você?
— Também — ela riu, meio aliviada. — Vamos comer alguma coisa.
Fomos pra cozinha e Nina insistiu em preparar os sanduíches. Sentei na bancada e fiquei só observando-a. As velas queimadas da noite anterior ainda estavam ali, num canto, me lembrando do jantar que ela tinha preparado e que perdi. Isso me deu uma ideia: eu precisava compensá-la.
Peguei o celular e mandei mensagem pra minha irmã, Camila, pedindo que levasse Nina pra um "dia de garotas" enquanto eu organizava tudo por aqui. Camila topou na hora.
Nina ficou surpresa quando Camila apareceu do nada convidando-a pra sair. Ela só aceitou depois de muita insistência, me olhando meio desconfiada, mas também curiosa. Assim que elas saíram, comecei a pensar nos detalhes pra devolver à Nina a noite perfeita que ela merecia, a noite que eu tinha estragado sem querer.
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Contato de emergência
RomanceNina tem apenas um contato em seu celular, salvo como "Emergência", embora não saiba a quem pertence. Após sofrer um acidente e acordar no hospital, ela finalmente conhece o misterioso dono do número. O que ela não esperava era que isso traria uma s...
