☆ Capítulo < V >

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Capítulo 5 - "O Menino do Quarto Escuro"






Zachriel estava parado ao lado da janela, de costas para o quarto e olhando para o reflexo do vidro da janela. Ele não olhava para fora, onde as crianças corriam e brincavam no jardim do patio do Orfanato, mas para o seu próprio reflexo comtra o vidro, como se aquilo lhe dissesse algo que ele não conseguia entender ou compreender. O seu rosto pequeno e pálido parecia quase sem vida, os olhos cinzentos fixos, analisando cada detalhe das próprias feições. Ele tentava encontrar sentido no seu próprio reflexo, entender por que era tão diferente das outras crianças, e não apenas, o do porque ele se sentia tão errado e indiferente de todos ao seu redor

As palavras ecoavam em sua mente, “aberração”... “esquisito”... "não chegue perto dele." Eram ditas sempre que ele passava pelo corredores do Orfanato ou no refeitório, mesmo que sussurradas . Zachriel sabia que aquelas palavras tinham algo de errado, mas não sabia o que exatamente.

Desde o dia em que ele fez o menino flutuar por pegar o seu ursinho da sua mão a força, tudo havia mudado nesse ultimos três anos passados. As freiras o mantinham trancado das outras crianças, só permitiam que ele saísse para o café da manhã e o jantar. E mesmo nesses momentos, as crianças se afastavam, as freiras desviavam o olhar para ele. Como se ele fosse um tipo de mostro, e que sentisse nojo da sua presença ali . Ele ouvia risadas que paravam abruptamente assim que ele entrava, cochichos que se tornavam silêncios e pesados contra ele. Cada momento era como andar em meio a um campo invisível que ele não compreendia. Sentia que estava preso, mas a prisão parecia vir de dentro, dos pensamentos que nunca se encaixavam.

Um soluço escapou de sua boca, ainda guardado dentro da sua pequena garganta, mas ele se recusou a chorar novamente.

As lágrimas ardiam contra os seus olhos cinzas, mas ele já havia aprendido que não adiantava chorar novamente. Em um canto da mente, ele lembrava do rosto de Katherine, da forma como ela o olhava sem afeição, dos castigos que ela lhe dava sem razão. Lembrava-se da última vez que a vira, o rosto rígido, o desprezo que ela não escondia, nunca escondeu. Zachriel sempre conseguia ver a forma que Katherine sempre o olhava, ela dizia questão de mostrar. Não apenas com o seu olhar, mas também com as palavras alvoroçadas contra a pequena presença de Zachriel no cômodo.

Uma mãe não deveria ser assim com seus filhos, certo? Mas era tudo o que ele conhecia sobre ter uma mãe.

A batida na porta interrompeu seus pensamentos. Zachriel encolheu-se, apertando o próprio corpo com os braços, os olhos fixos na porta com uma expressão de alarme silencioso. Ouviu uma voz conhecida, fria e objetiva:

— Zachriel, tome banho. Um homem virá vê-lo.

Ele franziu o cenho, os pensamentos se embaralhando ainda mais. "Um homem?" Repetiu mentalmente, sem conseguir entender. Quem poderia querer vê-lo? Ele era apenas... ele, alguém se a menor importamcia. Ser ele, já era o suficiente para que todos quisessem distância.

Seus movimentos foram lentos e calculados, como se cada passo até o banheiro fosse um desafio para ele. Zachriel entrou dentro do banheiro, observando o ambiente com uma atenção quase hipnótica. Tocou a torneira com delicadeza, girando-a devagar e vendo a água escorrer rapidamente. O barulho o confortava, a repetição do fluxo da agua o ajudava a focar. Ele fechou os olhos e deixou que a água escorresse pelo rosto, tentando lavar a sensação de confusão que parecia grudada em sua pele.

Depois de algum tempo, vestiu-se com a roupa limpa que a freira deixara para ele, embora já desbotada e puída. As texturas o incomodavam; o tecido era áspero em algumas partes, mas ele tentou ignorar. A ideia de um visitante o deixava inquieto. Quem seria? E do porque gostaria de vê-lo? Afinal ele não era importante para ninguém. Ele sempre ouviu Katherine falar assim para ele, onde ela sempre alegava dizer que Zachriel era insignificante aos olhos dos outros, e que ele deveria agradecer por te ela ao seu lado. Mesmo que o conceito de ter
" ela ao seu lado ", fosse com ela gritando asneiras contra seu próprio filho, o empurrando e de certa forma levantando a mão contra o rosto do seu próprio filho.

Zachriel por muito, ficou tão assutado e apavorado, que ele não deixava ninguém tocá-lo. Afinal ele tinham o pensamento e que todos seriam como Katherine, e que iria machucá-lo.

Ele voltou ao seu lugar perto da janela, observando as crianças do lado de fora, mesmo que a cena o perturbasse. O modo como elas riam, como se nada fosse errado, fazia o peito dele doer de uma forma que ele não sabia explicar. Como seria ser parte daquilo? Será que elas realmente gostavam umas das outras? Ou ele era o único que não entendia?

__ Eu não entendo... nada, Zachriel sussurrou para si mesmo, como se tentasse compreender e acahr uma resposta. Abraçando as próprias pernas. Aquele mundo parecia mais confuso a cada dia que se passava. E sua pequenina cabecinha não intedia.

Seus pensamentos foram interrompidos por outra batida na porta, desta vez mais firme, mais profunda. Zachriel parou de respirar, o corpo paralisado, o coração batendo alto demais. Ele queria responder, mas a voz não saiu.

A porta rangeu ao abrir, e uma figura entrou. Um homem alto, vestido em roupas negras que pareciam absorver a luz, com uma expressão firme, mas que não tinha a frieza das freiras. Ele parou ao ver o menino, seus olhos escuros captando cada detalhe, como se estivesse procurando algo.

O homem o observou em silêncio, até que sua voz grave, calma, preencheu o quarto:

— Voce e o zachriel.

O menino não respondeu, apenas olhou para ele, seus olhos fixos e intensos. Ele não sabia quem era aquele homem, não sabia o que ele queria. Mas algo na presença dele fez com que Zachriel permanecesse imóvel, como um animal assustado que observa um estranho se aproximar devagar.

Por um longo momento, eles ficaram assim, em silêncio, até que Zachriel finalmente murmurou:

— Quem... quem é você?

A voz saiu quase como um sussurro, hesitante e desconfiada. Enquanto Zachriel mantida seus olhos cinzas a presença do homem que havia entrando em seu quarto.

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