Capítulo 17 - " Laços de Pai e Filho "
A luz suave do entardecer entrava pelas janelas do quarto recém-arrumado, criando um brilho dourado que parecia dar vida nova ao espaço. Severus estava ajoelhado ao lado de Zachriel, ajudando o menino a organizar as últimas coisas do seu recem reformado quarto. O quarto de Zachriel estava ficando com a sua cara, finalmente. As paredes, que antes eram brancas e vazias, agora estavam cobertas de pôsteres e desenhos coloridos. Havia uma pequena estante com os brinquedos novos que Severus havia comprado para ele, e no centro da cama, estava o presente favorito de Zachriel: um morcego de pelúcia de olhos brilhantes.
Zachriel o segurava com delicadeza, seus pequenos dedos acariciando o tecido macio negro. Ele parecia encantado, com os olhos arregalados, enquanto organizava o bichinho cuidadosamente sobre o travesseiro. Cada movimento era meticuloso, um reflexo de sua mente atenta aos detalhes, típico do seu comportamento autista.
Severus observava o filho em silêncio por um momento, admirando como Zachriel se entregava completamente àquela tarefa simples. Havia uma pureza ali, uma inocência que ele temia nunca conseguir entender por completo, mas que estava disposto a proteger a qualquer custo.
__ Como está ficando, Zach? - perguntou Severus chamando o menino pelo um apelido fofo e suavemente, inclinando-se para olhar o bichinho de pelúcia no lugar de honra.
Zachriel olhou para o pai, seus olhos brilhando de felicidade. Ele assentiu várias vezes, com um sorriso tímido se formando em seus lábios.
__ Está perfeito, papai. O Morceguinho precisa ficar aqui, perto de mim. Ele me protege dos monstros.
Severus sorriu, um sorriso raro e genuíno, e assentiu olhando para o rostinho do seu filho.
__ ele é um protetor formidável, Zach. E além disso, você tem a mim. Nenhum monstro se atreveria a entrar aqui.
Zachriel soltou uma risadinha e, em um impulso, estendeu os braços para o pai. Era um gesto sutil, mas que carregava uma mensagem clara. Severus não perdeu tempo, ele o pegou nos braços e o ergueu no ar, fazendo o garoto soltar uma gargalhada genuína e espontânea, um som que aqueceu o coração de Severus.
__ Olha só quem temos aqui! Um morcego humano! - brincou Severus, virando Zachriel de cabeça para baixo e o balançando suavemente.
Zachriel ria tanto que parecia estar perdendo o fôlego, suas mãos pequenas se agarrando às roupas do pai.
__ Papai! - exclamou ele, com uma mistura de riso e surpresa. __ Eu vou cair!
__ Não vai cair nada. Eu sou o melhor pegador de morcegos que existe - Severus disse com uma voz teatral, fingindo que ia soltá-lo por um segundo antes de segurá-lo firme novamente.
Zachriel se acalmou lentamente, seu riso diminuindo até se transformar em pequenos soluços de contentamento. Ele se aninhou no peito do pai, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo. Severus o segurou, sentindo o calor do corpo do filho e a batida rápida do coração dele contra seu próprio peito.
__ Eu te amo, papai - sussurrou Zachriel, escondendo o rosto no ombro de Severus.
Aquelas palavras atingiram Severus de uma forma que ele não esperava. Por um momento, ele se viu incapaz de responder. Sentiu uma ardência nos olhos e percebeu que lágrimas silenciosas escapavam sem seu controle. Ele engoliu em seco, abraçando o menino com mais força.
__ Eu também te amo, Zachriel - respondeu, sua voz saindo rouca e carregada de emoção. __ Mais do que você imagina meu filho.
Após esse momento, Severus o colocou de volta no chão e o guiou até o banheiro, onde a banheira já estava cheia de água morna e uma espuma branca cobrindo toda a superfície. Zachriel olhou para a água, seus olhos se iluminando de excitação.
__ Podemos fazer montanhas de espuma? - perguntou ele, apontando para a água com um sorriso largo.
Severus riu baixinho, algo que ele fazia tão raramente que quase parecia um som estranho para seus próprios ouvidos.
__ Claro, vamos fazer as maiores montanhas de espuma que este banheiro já viu.
Zachriel pulou na banheira com um pequeno grito de alegria, as bolhas subindo ao seu redor. Ele começou a jogar a espuma para o alto, tentando capturar os flocos que flutuavam de volta para a água. Severus se sentou ao lado da banheira, observando o filho brincar com a inocência de uma criança que, por algum tempo, estava esquecendo todas as preocupações, tudo naquele momento ao mundo exterior não importava , a não ser apenas Zachriel.
Zachriel pegou um pouco de espuma nas mãos e, com um sorriso travesso, jogou um punhado no rosto do pai.
__ Você virou um papai de neve! - brincou ele, gargalhando.
Severus fingiu estar surpreso, limpando a espuma de seu rosto.
__ Ah, então é assim que vai ser? Está querendo guerra de espuma é ?
Zachriel riu, jogando mais espuma. Severus não se importava com a bagunça, não se importava com as pequenas bolhas que agora se espalhavam pelo banheiro, encharcado todo o local do piso do banheiro. Ele estava completamente presente naquele momento, rindo e brincando, permitindo-se ser simplesmente ser um pai.
Depois do banho, Severus secou o menino, que ainda estava rindo e soluçando de tanto brincar dentro da banheira. Ele o vestiu com um pijama macio, de cor azul claro, com pequenos desenhos de estrelas. Zachriel olhava para o pai com olhos cansados, mas brilhando de felicidade.
Eles foram juntos para a cozinha, onde Severus preparou um jantar simples. Zachriel não parava de falar, suas palavras saindo em uma torrente de entusiasmo.
__ Eu gostei muito de hoje, papai! - disse ele, enquanto mordia um pedaço de pão. __ E amanhã? A gente vai brincar de novo?
Severus assentiu, sorrindo.
__ Claro, Zachriel. Amanhã teremos mais aventuras. Você só precisa dormir bem esta noite para ter energia para todas as brincadeiras.
Zachriel terminou de jantar e olhou para o pai com um olhar satisfeito e sonolento. Severus o pegou no colo novamente, carregando-o até o quarto. O menino se aninhou contra o peito do pai, seu bichinho de pelúcia firmemente segurado em uma das mãos.
__ Papai... - murmurou Zachriel, já quase adormecido.
__ Sim, filho? - Severus respondeu suavemente, colocando-o na cama e cobrindo-o com o cobertor.
Zachriel abriu os olhos cinzas apenas o suficiente para olhar para o pai, um sorriso sonolento nos lábios.
__ Você é o melhor pai do mundo.
Severus sentiu as lágrimas escaparem novamente, desta vez sem tentar contê-las. Ele se abaixou e beijou a testa do filho.
__ E você é o melhor filho que eu poderia ter.
Ele se sentou ao lado da cama por um longo tempo, segurando a pequena mão de Zachriel até que o menino finalmente adormeceu. Severus permaneceu ali, ouvindo a respiração tranquila de seu filho e sentindo uma paz que ele não experimentava há anos.
Naquele momento, ele soube que faria qualquer coisa para proteger esse vínculo, para manter essa felicidade e esse amor puro que ele agora tinha em sua vida. Porque, mais do que tudo, Zachriel havia preenchido um vazio que Severus nem sabia que existia.
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" A Soul to Save"
Fiksi IlmiahEsquecido por um mundo que o rejeitou, Zachriel conheceu a escuridão cedo demais. Filho de uma mãe Protistuta ausente e cruel, viveu seus primeiros anos em um bairro sombrio e degradado da Grã-Bretanha, onde inocência e segurança eram apenas sonhos...
