Capítulo 21 = " Um Beijo no Ar, Um Plano Inusitado "
Zachriel estava sentado no tapete macio da sala de esta da sua casa, rabiscando com cuidado uma folha de papel. Ele segurava um lápis de cor azul, pressionando-o contra o papel para desenhar pequenos traços que, aos poucos, formavam algo que se parecia com um morcego — o mesmo que ele abraçava de pelúcia. Enquanto isso, Severus estava afundado em um dos sofás, o livro de Narcisa repousava aberto em suas mãos. Mas, por mais que ele tentasse se concentrar nas palavras das paginas amareladas, seus pensamentos o levavam de volta àquele beijo trocado mais cedo.
Ele se pegou sorrindo de repente, o gosto dos lábios de Narcisa ainda fresco em sua memória. A sensação o fez corar levemente, algo raro e inesperado para alguém tão contido como ele.
Zachriel, ao observar o pai com o canto dos olhos, franziu o cenho e inclinou a cabeça para o lado, curioso. Em seu mundinho silencioso, ele captava pequenos detalhes que muitos não perceberiam que o menino sempre estava a posto de tudo
__ Papai...? — chamou Zachriel baixinho, a voz carregada de uma pureza quase frágil. Severus piscou, despertando de seu devaneio, e olhou para o filho com atenção.
__ Sim, Zach? O que foi? — respondeu Severus, tentando parecer despreocupado.
Zachriel continuou a encarar o pai, apertando o lápis de cor nas mãos pequenas. Seus olhos cinzentos estavam cheios de uma curiosidade sincera.
__ Você... gosta da Narcisa? — perguntou, com a inocência típica de uma criança, mas ao mesmo tempo com a precisão de alguém que observa profundamente.
Severus arregalou os olhos e, em um movimento desajeitado, escorregou do sofá, caindo no chão.
Ele piscou várias vezes, atordoado com a pergunta direta.
__ O quê?! Por que... por que você acha isso, Zachriel? — Severus gaguejou, passando a mão pelos cabelos curtos agora, como se tentasse se recompor.
O menino deu de ombros, voltando sua atenção para o desenho por um segundo, antes de levantar o olhar de novo.
__ Eu vi. — Zachriel murmurou, desenhando círculos no papel. __ Seus olhos brilharam quando você olhou pra ela. Igual quando eu olho meu morcego favorito... mas diferente, mais... fortes e intensos.
Severus sentiu o rosto esquentar. Ele se ajoelhou ao lado do filho, apoiando os cotovelos no tapete, tentando achar as palavras certas. "Claro que ele é observador", pensou. "Zachriel sempre foi atento, e sendo autista, ele capta coisas que muitos deixam passar."
__ Zach... eu... sim, eu gosto da Narcisa. — admitiu Severus com um suspiro, encarando o filho. Era estranho compartilhar aquilo, mas também reconfortante, de certo modo.
Zachriel abriu um sorriso largo, seus olhos brilhando com uma empolgação que raramente demonstrava.
__ Eu gosto dela também! — exclamou ele, feliz. __ Ela é legal e muito bonita. Se você namorar ela... eu vou gostar. Muito. Eu ajudo você, pai! Posso ser o seu cupido! — disse, batendo palminhas enquanto se ajeitava, agora subindo no abdômen do pai, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Severus não pôde evitar um sorriso. Ele riu, colocando as mãos nas costas do filho para apoiá-lo enquanto o observava com carinho.
__ Você quer ser meu cupido, é? — Severus brincou, rindo levemente. __ E o que um cupido faz, exatamente?
Zachriel parecia refletir profundamente sobre a pergunta, franzindo as sobrancelhas, como se estivesse elaborando um plano extremamente complexo.
__ O cupido faz as pessoas se apaixonarem mais! — ele respondeu, com a simplicidade infantil que só ele possuía. __Eu vou desenhar corações, e vou... vou fazer hu... mágica pra vocês se beijarem!!
Severus gargalhou, o som ecoando suavemente pela sala. Ele olhou para o filho, sentindo uma onda de ternura e orgulho. Aqueles momentos, embora simples, eram preciosos demais para ele.
No entanto, uma coruja entrou voando pela janela, interrompendo o momento. Severus ficou imediatamente alerta, e Zachriel, curioso, correu para o pássaro, quase tropeçando no caminho.
__ Pai! Uma coruja! — Zachriel gritou, apontando para o animal. __ Ela tem uma carta!
__ Sim, eu estou vendo. — disse Severus, levantando-se e ajeitando a camisa. __ Pegue a carta para mim, Zach.
Zachriel assentiu com um sorriso, pegando delicadamente a carta do bico da coruja. Ele acariciou o pássaro, que surpreendentemente aceitou o afeto do menino, inclinando a cabeça em seu toque.
__ Você é fofinha... — Zachriel murmurou para a coruja, que deu um leve pio de satisfação.
Severus pegou a carta das mãos do filho, rompendo o lacre. Ao ver o selo, seu rosto endureceu levemente. Era de Alvo Dumbledore. Ele abriu o pergaminho e leu as palavras com atenção, o semblante sério.
"Severus, preciso que venha ao castelo para discutirmos os preparativos do próximo ano letivo. Aguardo suas anotações sobre o programa de poções, conforme discutido anteriormente. Atenciosamente, Alvo Dumbledore."
Severus suspirou, dobrando a carta e guardando-a no bolso. Ele olhou para Zachriel, que agora estava acariciando a coruja e falando com ela em sussurros.
— Pai... você vai ter que ir? — Zachriel perguntou, como se tivesse lido os pensamentos do pai. Severus já havia contando para zachriel sobre o seu trabalho e hogwatrs, se já tinham um vasto conhecimento sobre a magia mais ainda não era muito. Zachriel sabia que seu pai era professor, professor de poções ainda mais. Mas agora.... ele não queria separa-se de seu pai, logo agora que estava se acostumando. E logo agirá também, que ele estava querendo Juntar seu pai e narcisa.
Severus por um momento hesitou. Ele sabia o que aquilo significava: voltar para Hogwarts, dar aulas. Mas olhando para Zachriel, ele percebeu que não estava pronto para se afastar dele. Não ainda.
__ Não, filho. — Severus sorriu, aproximando-se e acariciando os cachos do menino. __ Não vou. Eu vou falar com Dumbledore e resolver isso. Quero ficar com você agora. Você é mais importante do que um bando de alunos irritantes e pessoas desagradáveis.
Zachriel sorriu timidamente, abraçando o pai com força.
__ Eu gosto de você, pai... você é o meu herói.
Severus sentiu uma pontada no peito, uma mistura de orgulho e emoção. Ele devolveu o abraço, apertando o filho contra si.
__ E você é meu pequeno milagre, Zachriel. — sussurrou, beijando o topo da cabeça do menino. __ Sempre será.
◇ Capítulo foi curto eu sei, foi mal kkkkk
Próximo vai ser mais longo
Fiz essa capítulo no meio da aula kkkkk
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" A Soul to Save"
Science FictionEsquecido por um mundo que o rejeitou, Zachriel conheceu a escuridão cedo demais. Filho de uma mãe Protistuta ausente e cruel, viveu seus primeiros anos em um bairro sombrio e degradado da Grã-Bretanha, onde inocência e segurança eram apenas sonhos...
