☆ Capitulo < XXXIX >

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Capítulo 39 " Laços Partidos "










A manhã na Mansão Black despontava com um céu límpido, mas para Draco, a luz dourada que entrava pelas janelas apenas ressaltava o tédio que sentia. Ele estava cercado de brinquedos, miniaturas de vassouras, jogos de estratégia bruxa e até mesmo uma réplica de um campo de Quadribol. Ainda assim, nada parecia capturar sua atenção.

O menino loiro sentou-se no chão do quarto, cruzando os braços em um gesto de frustração. Seu olhar percorreu os objetos espalhados pelo chão, mas tudo o que ele conseguia pensar era em Zachriel. Faziam seis dias desde a última vez que haviam se visto, e mesmo uma carta enviada por Draco havia ficado sem resposta.

___ Talvez ele esteja ocupado... mas podia ao menos responder... - murmurou para si mesmo, empurrando distraidamente uma das miniaturas com o pé.

Zachriel não era apenas um amigo para Draco. Ele era como um irmão, alguém que compreendia suas inseguranças e o fazia sentir-se vivo. Com ele, as risadas eram genuínas, os dias eram mais leves e até mesmo os momentos mais comuns se tornavam especiais.

Draco levantou-se de repente, uma ideia clareando em sua mente.

___ Já sei! Vamos fazer uma surpresa para Zachriel! - disse para si mesmo, seu rosto iluminado por um sorriso esperançoso.

Com passos rápidos, saiu de seu quarto, as botas batendo no chão de mármore enquanto cruzava os corredores da mansão. Os elfos domésticos inclinavam-se ligeiramente enquanto ele passava, mas Draco não se deteve para cumprimentá-los. Ele tinha um plano, e precisava de sua mãe Narcisa para colocá-lo em prática.

Enquanto descia a escadaria, sua mente vagava. A Mansão Black era um lugar imponente, mas Draco não podia evitar a sensação de vazio que às vezes pairava sobre a mansão. Apesar de ser repleta de história e riqueza, faltava algo. Ele sabia o que era: uma família completa.

Draco sabia que sua mãe fazia de tudo para criar um lar acolhedor, e ele a amava por isso. Narcisa era a melhor mãe do mundo, alguém que havia suportado dores inimagináveis, mas ainda assim nunca o tratou com menos do que amor absoluto. Descobrir a verdade sobre Lucius Malfoy fora um choque. Saber que ele era fruto de um estupro, era de fato algo tão cruel, mas sua mãe narcisa nunca o deixou sentir-se menos digno ou amado.

___ Você é um Black, Draco. Um herdeiro forte e digno, como eu e seus antepassados. Jamais duvide disso. - As palavras de sua mãe ecoavam em sua memória.

E então havia Severus. Para Draco, ele era mais do que um padrinho; era um verdadeiro pai. Lucius podia ter dado seu sangue, mas nunca estivera presente como Severus. Este era protetor, firme, e ainda assim mostrava um carinho sutil que Draco reconhecia e admirava. Ele só queria que Severus e Narcisa oficializassem o que já parecia inevitável. Eles eram perfeitos juntos.

___ Logo vamos ser uma família de verdade... - murmurou Draco, apertando os degraus com mais força.

Chegando ao corredor principal, ele parou em frente à porta do quarto de Narcisa. Estava prestes a bater, mas algo o fez hesitar. Vozes.

Ele inclinou-se levemente, encostando o ouvido na madeira maciça. Narcisa parecia estar discutindo com alguém. Draco abriu a porta com cuidado, apenas o suficiente para não fazer barulho. Seus olhos captaram, à luz azulada e prateada de um Patrono, a figura etérea de sua mãe, Narcisa, no centro do salão.

O rosto dela estava sério, concentrado, e Draco reconheceu aquela expressão - o olhar firme de quem está lidando com algo importante, algo que ela não compartilhava facilmente.

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