☆ Capítulo < XXXXVII >

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Capítulo 47 = "No Limite do Gelo e da Esperança"











O vento de Londres parecia mais cruel naquela noite, cortando a pele delicada de Zachriel como pequenas lâminas geladas.

Ele não devia estar ali, tinha plena noção disso. Fugir de casa, pular pela janela de seu quarto... não era a decisão certa. Mas o que mais ele poderia fazer? Sua mente era uma confusão sem fim, cada pensamento o puxava em direções diferentes, enquanto um turbilhão de emoções desconexas fazia seu pequeno peito doer. Ele acreditava que não tinha mais família - ou, pelo menos, era nisso que preferia acreditar.

Andar com os olhos vendados não era nada fácil. Ele tateava cada passo, hesitante, com os braços estendidos, tentando evitar esbarrar em algo ou alguém. A brisa gelada parecia zombar dele, abraçando-o de forma nada calorosa. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha e, instintivamente, agarrou os próprios braços, esfregando-os na tentativa de se aquecer. Mas o frio era implacável.

Cansado e frustrado, Zachriel ergueu uma das mãos, procurando alguma superfície para se apoiar.

Seus dedos infantis finalmente encontraram um banco de madeira, e ele sentou, deixando o peso de seu corpo cair como se as emoções tivessem drenado toda sua força. Ele respirou fundo, mas o ar parecia pesado, difícil de processar.

Mesmo com os olhos cobertos pelas ataduras, ele podia ouvir a vida acontecendo ao seu redor: passos apressados, risadas ao longe, conversas murmuradas.

Ninguém o notava. E por que notariam? Ele era invisível para o mundo. E essa sensação de ser insignificante apertava seu coração de um jeito que nenhuma dor física jamais conseguiria.

Ele não tinha mais ninguém. Pelo menos era assim que se sentia.

" - O que você está fazendo, Zachriel? Fugir de casa nunca é a resposta! " A voz de Cassiel irrompeu em sua mente, com um tom firme, mas não cruel. Havia algo quase paternal ali, uma tentativa de puxar Zachriel de volta à razão.

Zachriel soltou um suspiro trêmulo, apertando ainda mais os braços contra o peito. Sua voz saiu quebrada, tingida de tristeza.
__ Eu não tenho casa, Cassiel.

Houve um breve silêncio antes que o anjo replicasse, protestante: " - Como assim você não tem uma casa? É claro que tem! Você tem pais que te amam e um irmão que, neste exato momento, deve estar desesperado por sua causa "

Zachriel riu de forma amarga, balançando a cabeça como se não acreditasse em uma única palavra. __ Eles não me querem mais. Sua voz falhou, e as lágrimas começaram a escapar. __ Olha pra mim, Cassiel! Quem iria querer um menino como eu? Sou autista, cego... um peso. É isso que sou. Só um peso para eles.

Ele gritou, o peito subindo e descendo rápido, as palavras pesando como chumbo em sua língua. O garoto sentia como se estivesse carregando o mundo inteiro nos ombros, mas ninguém o via. Ninguém ouvia.

"- Eles te amam, Zachriel " Cassiel insistiu, sua voz gentil, mas firme. " - Você é filho deles. Não importa nada disso que você está dizendo. Eles jamais te esqueceriam ou te abandonariam "

Zachriel ergueu o rosto, as lágrimas molhando as ataduras que cobriam seus olhos. __ Não sou filho deles de verdade, Cassiel. Eu sou adotado! Diferente do Draco, que é o filho biológico da mamãe Narcisa. Ele é perfeito, o filho que eles sempre quiseram. Eu sou só... o outro. O estranho. O peso. E agora meu pai vai se casar com a mamãe. Eles vão ter outro bebê, e eu vou ser esquecido. Porque é isso que acontece, Cassiel. Eu não quero ser esquecido! A voz dele quebrou novamente, tornando-se um soluço desesperado.

&quot; A Soul to Save&quot;Histórias para pegar e não largar. Descubra agora