Capítulo 14 = " Primeiro Passo para um Novo Lar "
As ruas de Londres estavam agitadas como sempre, o lado bruxo em questão, bruxos e bruxas indo e vindo, apressados em seus próprios afazeres. Severus caminhava tranquilamente, mas dentro dele, o coração batia acelerado, carregando algo que nunca imaginou ter: a sensação pura e inesperada de ser pela primeira vez um pai. Zachriel estava aninhado em seu colo, os bracinhos pequenos e finos entrelaçados ao redor do pescoço de Severus, como se ele fosse a única âncora em um mar agitado.
Severus ainda se surpreendia com o peso leve do menino, tão frágil, tão pequeno. A primeira coisa que notara em Zachriel fora como ele parecia menor do que as crianças de sua idade, o rosto redondo e fofo lembrando mais uma criança de seis anos, não de oito. Seus olhos cinzas escuros eram atentos, como se olhasse para tudo aí seu lado, mas ao mesmo tempo, havia uma quietude neles, um olhar que oscilava entre curiosidade e receio.
Ele observou o pequeno menino em seus braços, e o mundo pareceu desaparecer por um momento. Severus sentiu uma onda de emoções conflitantes. Alegria, orgulho, mas também um temor latente. Estava acostumado a ser rígido, controlado, mas naquele instante, olhando para o rosto inocente de Zachriel, tudo parecia desmoronar em sua mente. Ele nunca imaginou que adotaria uma criança, que muito menos seria pai de alguém. Mas ali estava ele, carregando uma criança, que agora era oficialmente, seu filho.
Zachriel, ainda agarrado a ele, levantou um pouco a cabeça, as mãos segurando firmemente o tecido do casaco de Severus, como se tivesse medo de que ele o soltasse. Ele olhou ao redor, seus olhos brilhantes absorvendo o movimento das ruas, as lojas, os rostos estranhos. Mas não se pronunciou. Ficou ali, observando, tentando entender o novo mundo que o cercava.
__ Aonde estamos indo, papai? — Zachriel perguntou de repente, a voz baixa e hesitante. Ele parecia desconfiado de tudo, mas ao mesmo tempo, havia um brilho de curiosidade em seus olhos.
O coração de Severus apertou ao ouvir o "papai" vindo dos lábios do menino. Algo tão simples, mas carregado de significado. Ele sorriu suavemente para Zachriel, afagando seus cabelos castanhos claros, quase loiros com cachos.
__Vamos para casa, filho. Quero que conheça seu novo lar — respondeu Severus, e as palavras soaram estranhas até para ele. "Casa". "Filho". Eram palavras que não pronunciava há tanto tempo, e agora ali estavam, em seus lábios, trazendo uma nova realidade.
Zachriel mordeu o lábio inferior, um gesto típico quando estava pensativo ou ansioso. __ Casa? Vai ser a minha casa mesmo? Não vão me mandar embora depois? — a voz saiu baixa, quase inaudível, mas carregada de uma insegurança que partiu o coração de Severus.
Severus parou de andar por um momento, abaixando o olhar para encontrar o do menino. __ Nunca. Você é meu filho agora, Zachriel. E minha casa é sua casa. Você não precisa ter medo — disse ele, a voz carregada de firmeza, mas também de uma ternura que ele nem sabia que podia expressar.
Zachriel piscou algumas vezes, como se processasse aquelas palavras. Ele parecia querer acreditar, mas havia uma hesitação, como se temesse que fosse bom demais para ser verdade. Então, lentamente, ele encostou a cabeça no ombro de Severus, aninhando-se ainda mais contra o peito do homem.
O movimento simples foi o suficiente para fazer Severus sentir um aperto no peito. Ele percebeu o quão vulnerável aquele pequeno ser era, e uma onda de proteção o inundou. Ele ajustou melhor Zachriel em seu colo, como se quisesse mostrar que jamais o deixaria cair.
__ Está tudo bem? — perguntou Severus, enquanto acariciava os cabelos claros do menino.
Zachriel assentiu, mas não levantou a cabeça. __ É que... tudo é novo. E eu tenho medo... de estragar as coisas.
Severus franziu o cenho, surpreso com a clareza dos sentimentos do menino. __ Estragar? — ele repetiu, suavemente. __ Você não pode estragar nada, Zachriel. Não tem nada que você possa fazer que me faça mudar de ideia sobre querer você como meu filho. Eu te escolhi, e você me escolheu. Estamos juntos nisso.
Zachriel ergueu a cabeça, fitando Severus com uma intensidade que quase o desarmou. — Mesmo se eu seha austista? Mesmo que eu for estranho? Se eu fizer coisas que as pessoas não gostam?
Severus sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele sabia dos desafios que viriam. Sabia dos comportamentos diferentes, das crises, dos momentos de dificuldade. Mas olhando para aquele pequeno rosto vulnerável, ele soube, com absoluta certeza, que faria qualquer coisa por Zachriel.
__ Mesmo assim, filho. Porque você é exatamente quem deve ser. E eu sou seu pai, não importa o que aconteça — disse Severus, dando um beijo na testa de Zachriel.
O menino sorriu, um sorriso tímido, mas sincero. __ Obrigado, papai.
Severus continuou caminhando, sentindo o peso confortável do menino em seus braços. Enquanto se dirigiam para casa, ele começou a apontar as lojas e lugares ao redor, tentando fazer Zachriel se sentir mais à vontade.
__ Aquela é a livraria. Prometo que um dia desses vamos lá escolher alguns livros juntos. Você gosta livros? -- ele perguntou a Zachriel, que confinou com a cabeça. __ Ótimo vou irei te levar, — comentou ele, enquanto Zachriel observava, atento.
— E aquele café ali faz o melhor chocolate quente de toda Londres. Aposto que você deve adorar Chocolate quente, vocês pirralhos adoram tudo que está envolvido com doce e açúcar.
Zachriel sorriu, parecendo mais animado com a ideia. __ Eu gosto de chocolate quente. Será que vou gostar da sua casa, papai?
Severus riu, um som raro e genuíno. __ Bom eu espero que sim, porque agora é seu lar também. Você pode ajudar a decorá-la do jeito que quiser.
O rosto de Zachriel se iluminou com a possibilidade. __ Posso escolher um quarto? E pintar as paredes?
__ Pode, sim. Pode escolher o que quiser, Zachriel — respondeu Severus, sentindo uma onda de felicidade ao ver a animação do menino crescer.
Eles caminharam juntos, pai e filho, em direção a uma nova vida. Para Severus, aquele era o primeiro passo para construir algo que nunca imaginou ter. Um lar de verdade, uma família. E enquanto ele olhava para Zachriel, que agora observava tudo com olhos curiosos e cheios de expectativa, soube que faria de tudo para que aquele menino sentisse que finalmente pertencia a algum lugar.
E naquele instante, enquanto o sol se escondia no horizonte, Severus sentiu uma paz que há muito tempo não experimentava. Eles estavam juntos agora, e isso era tudo o que importava.
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" A Soul to Save"
Ciencia FicciónEsquecido por um mundo que o rejeitou, Zachriel conheceu a escuridão cedo demais. Filho de uma mãe Protistuta ausente e cruel, viveu seus primeiros anos em um bairro sombrio e degradado da Grã-Bretanha, onde inocência e segurança eram apenas sonhos...
