Capítulo 10 = " Um Novo Caminho"
A noite na enfermaria havia se acalmado. Os sons das máquinas e os passos dos enfermeiros haviam diminuído, mas o ar ainda estava pesado com a preocupação. Zachriel estava deitado na maca, a respiração mais controlada, embora o olhar de quem ainda tentava entender o que acontecia em torno de si. Ele estava em silêncio, mas Severus estava ali, sentado ao lado dele, como uma presença constante, oferecendo-lhe a segurança que tanto precisava.
O médico examinava Zachriel com cuidado, fazendo anotações e observando os sinais vitais. O menino ainda estava inquieto, mas sua agitação parecia menor, como se a presença de Severus, ali ao seu lado, tivesse anulado um pouco do medo que o tomava.
O médico sorriu levemente para Zachriel, tentando aliviar um pouco da tensão no ambiente.
__ Bem, Zachriel… Você está mais calmo agora. Os sinais vitais estão estáveis. A crise que você teve foi, na verdade, desencadeada por uma sobrecarga emocional. — Ele fez uma pausa, os olhos se suavizando. __ Você tem um transtorno chamado de autismo, Zachriel. Isso significa que seu cérebro processa as informações de uma maneira diferente, o que pode fazer você se sentir mais sobrecarregado com as coisas ao seu redor. Além disso, você também tem alguns transtornos emocionais que precisam ser cuidados.
Zachriel franziu a testa não compreendendo, os olhos cheios de confusão. Ele não entendia bem o que o médico estava dizendo. As palavras pareciam flutuar em sua mente, desconectadas, sem fazer sentido completo.
Severus percebendo a não compreensão nos olhos de Zachriel, aproximou um pouco mais perto dele, olhando-o com ternura. Ele respirou fundo e, com voz suave, começou a explicar.
__ O autismo é como se as coisas ao seu redor fizessem barulho demais, ou ficassem muito fortes Zachriel. Sons, cores, cheiros. E, às vezes, o que é fácil para os outros pode ser um pouco mais difíceis e complicadas para você. Mas isso não é um problema. Apenas significa que você precisa de mais tempo ou ajuda para lidar com isso, — Severus explicou, escolhendo as palavras com cuidado, tentando aliviar a angústia visível no rosto de Zachriel.
O menino olhou para Severus, como se tentasse processar suas palavras. Seus olhos se suavizaram um pouco, mas a dúvida ainda estava presente.
__ Então… é por isso que eu fico… assim? — Zachriel perguntou, sua voz baixa, quase inaudível.
Severus assentiu, colocando uma mão sobre o ombro de Zachriel, transmitindo um conforto silencioso.
__ Sim, mas você não estará sozinho ok. Vamos passar por isso juntos, ok? Você tem ajuda, e pode contar comigo, eu vou estar aqui para ajudá-lo, com oque voc3 precisa Zachriel.
O médico, vendo que Zachriel estava mais tranquilo, deu um último olhar e fez um gesto de despedida.
__Vou deixá-los sozinhos agora. Qualquer coisa, é só chamarem por mim. — Ele se afastou, deixando o ambiente mais silencioso.
Zachriel olhou para Severus, a gratidão nos olhos, embora ele ainda estivesse tentando digerir as novas informações. Ele suspirou, começando a falar mais devagar, como se as palavras que estavam dentro dele finalmente tivessem encontrado um espaço para sair.
__ Sr. Snape… às vezes é como se o mundo fosse muito grande. Eu fico tentando entender, mas tudo fica tão difícil. Às vezes, eu só quero gritar, mas não consigo. E fico me perguntando… se tem algo de errado comigo, ou se sou eu quem estou fazendo tudo errado.
Severus escutou atentamente, cada palavra carregada de um peso que Zachriel não conseguia esconder. Ele sabia o que era sentir-se perdido, incompreendido. Era como se ele pudesse ver o sofrimento do garoto refletido nos próprios olhos, e isso o tocava profundamente.
__ Não há nada de errado com você, Zachriel. Não tem nada errado em ser quem você é. O que você sente é real, e eu entendo que seja difícil. Só que, agora, você tem alguém que vai estar ao seu lado, o tempo todo, para te ajudar a lidar com isso. Não importa o que aconteça, você não está sozinho.
Zachriel respirou fundo, os olhos pesados de cansaço. O esforço de falar, de tentar compreender, de processar todas as informações que foram ditas a ele, havia cobrado seu preço de exaustão. Ele começou a se encolher um pouco na maca, buscando conforto, e então, sem aviso, seus olhos se fecharam, a exaustão finalmente o vencendo no fim. Ele encostou a cabeça no ombro de Severus sem aviso previo, e, em poucos segundos, caiu em um sono profundo.
Severus ficou ali por mais um momento, olhando para o menino adormecido. O coração de Severus apertou. Ele se viu protegendo Zachriel de uma maneira que não conseguia explicar completamente. Algo naquela criança tocava sua alma, de uma maneira desconhecida, algo que o fazia querer proteger o menino de tudo o que poderia feri-lo. Ele ajustou delicadamente o cobertor sobre ele, cobrindo seus ombros e ajeitando a posição para garantir que Zachriel estivesse confortável.
Com um suspiro suave, Severus se levantou da cadeira e deixou a sala. A porta se fechou atrás dele, e ele se encontrou andando pelos corredores silenciosos do hospital trouxa. O peso nos ombros parecia aumentar, como se uma responsabilidade invisível tivesse sido colocada sobre ele, naquele momento.
Ele precisava de um momento para pensar, para clarear sua mente. Precisava de ar. Então, caminhou até a área externa e acendeu um cigarro, com a ponta da sua varinha cuidadosamente para que não fosse visto, deixando a fumaça se dissipar pelo ar frio da noite.
Mas, enquanto caminhava, ele ouviu vozes. Parou por um instante, reconhecendo as vozes da madre e do médico que estava a pouco momento com ele e Zachriel no quarto onde o menino estava em maca. Eles estavam conversando ali, perto da enfermaria, sem perceber que ele estava por perto. Severus ficou em silêncio, ouvindo atentamente.
__ Não podemos continuar com Zachriel no orfanato. Não temos os recursos para oferecer ao tratamento que ele necessita — a madre dizia, sua voz carregada de uma preocupação cansada. __ A melhor opção que econtrei para o momento, seria enviar Zachriel para um orfanato na Alemanha. Ele faz parceria com o nosso orfanato, ja informei sonre o caso de Zachriel. E eles falaram que estariam dispostos a ajuda Zachriel em seu caso em particular, lá Zachriel terá mais condições para o seu autismo e transtornos.
As palavras caíram como um peso no coração de Severus. Ele sentiu uma dor profunda, algo que não sabia explicar. Zachriel não podia ser mandado para longe, não sem alguém para cuidar dele. Ele não podia deixar o menino ser enviado para um lugar onde ninguém o entenderia.
Sem pensar, Severus se aproximou, interrompendo a conversa com firmeza.
__ Não. Zachriel não irá para a Alemanha. — Sua voz estava carregada de determinação.
A madre e o médico o olharam surpresos.
__ Sr. Snape? — A madre perguntou, incrédula com oque o homem havia intrometido na conversa particular, entre ela e o médico encarregado do caso de Zachriel
Severus olhou para ela com uma intensidade que não deixava margem para dúvidas.
__ Eu quero adotá-lo. Quero que Zachriel seja meu filho.
O silêncio que se seguiu foi pesado, mas Severus sentiu um alívio imediato, como se finalmente tivesse dado o passo certo pela a primeira vez em toda sua vida. Zachriel não seria deixado para trás. Ele estava decidido a ser o que o menino precisava, e nada mais importaria a não ser Zachriel.
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" A Soul to Save"
Ciencia FicciónEsquecido por um mundo que o rejeitou, Zachriel conheceu a escuridão cedo demais. Filho de uma mãe Protistuta ausente e cruel, viveu seus primeiros anos em um bairro sombrio e degradado da Grã-Bretanha, onde inocência e segurança eram apenas sonhos...
