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Fazia pelo menos uns cinco minutos que estava estacionada na frente da casa dos meus pais, mas não tive coragem de descer

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Fazia pelo menos uns cinco minutos que estava estacionada na frente da casa dos meus pais, mas não tive coragem de descer. Sabia que a conversa que teria com a minha mãe não seria das melhores. Então, antes de descer, respiro fundo, saio do carro e vou em direção à porta, apertando a campainha e esperando que ela seja aberta.

— Meave? — A voz surpresa de Maria me faz esboçar um pequeno sorriso para ela. — Entre, querida. Veio para o almoço? — pergunta, fechando a porta atrás de mim. — Vou avisar sua mãe que você está aqui.

— Oi, Maria, tudo bem? — pergunto, sorrindo para a mulher que ajudou minha mãe a me criar. — Não, vim apenas para conversar mesmo — digo, sentando-me no sofá enquanto ela vai chamar minha mãe.

— Querida, fiquei surpresa quando Maria disse que você estava me esperando na sala — a voz e o sorriso dela são animados, o que contrasta com o sentimento de raiva que estava guardando sobre suas atitudes. — Pensei que você ainda estava viajando. — Ela deixa um beijo sobre a minha cabeça e se senta ao meu lado.

— Desculpe vir sem avisar, mas precisamos conversar, mami — digo com um tom sério para que ela entenda que não estou aqui apenas de visita. — Não, voltei semana passada e, desde então, estou pensando em vir aqui conversar com você. — Respiro fundo antes de continuar: — Mãe, você tem conversado com o Dean? — pergunto e vejo o semblante dela mudar. — Ele me mandou uma mensagem na segunda-feira à noite falando que tinha conversado com você, mãe, e que a senhora aconselhou que fizéssemos terapia de casal. Já conversei com você sobre isso, mas parece que não entra na sua cabeça. Mãe, eu e o Dean não temos mais nada e nem vamos ter. Nossa história já acabou há muito tempo.

— Querida, eu só acho que não se joga tanto tempo juntos assim no lixo — diz, enquanto balanço a cabeça negativamente. — Vocês estão juntos desde os 16 anos, e largar um noivado assim, sem nem ao menos pensar direito, não é certo, meu amor — ela pega minha mão e a aperta levemente. — Todo casal cai na monotonia, mas sempre há como mudar as coisas para melhorar.

— Mãe, não é justo comigo ficar com alguém que não amo há muito tempo, e também não é justo com ele — sinto minha garganta arranhar enquanto falo. — Já está sendo difícil para ele aceitar isso da melhor maneira, imagina com você dando esperanças de que com terapia vamos resolver alguma coisa. — Passo as mãos sobre o rosto, soltando um suspiro pesado. — Estou conhecendo outra pessoa e estou gostando dela — assumo para ela o meu sentimento por Charles. — Ele me faz bem e cuida de todos os detalhes para que eu me sinta confortável ao lado dele. — Sorrio ao lembrar do monegasco, já morrendo de saudades. — Quero que vocês se conheçam, mas não posso trazê-lo aqui se você não deixar meu passado ir embora.

— Eu só estava tentando, de alguma forma, te ajudar, querida — sua voz é baixa enquanto olha para as próprias mãos. — Pensei que esse seu lance com o piloto fosse só passageiro e que você não desenvolveria sentimentos tão rápido assim por ele. — Ela me olha com os ombros caídos, como se transparecesse arrependimento. — Você e o Dean eram tão apaixonados um pelo outro que não achei que isso fosse sair de você tão rápido.

— Mas aí é que está a questão, mãe. Eu já não gosto do Dean há tanto tempo que só estava levando esse relacionamento com a barriga — uma lágrima solitária escorre pela minha bochecha. — Quero terminar esse relacionamento desde que completamos três anos juntos, mas não sabia como. Eu estava acostumada a ter alguém disposto a fazer qualquer coisa por mim, e vocês também o amavam. — Faço uma pausa, puxando o ar que nem sabia estar prendendo. — Segurei o Dean por mais três anos sem nem ao menos amá-lo de verdade, e levo essa culpa comigo desde então. Prendi ele de conhecer alguém que realmente o ame por tanto tempo. — Passo as mãos pelo rosto, secando as lágrimas. — Então vou te pedir, mais uma vez, que, por favor, não dê mais esperanças a ele de algo que não vai acontecer.

— Sinto muito, querida — ela se aproxima, e sinto seus braços me envolverem em um abraço apertado. — Não tenho sido uma mãe tão compreensiva com os seus sentimentos e não os respeitei. — Ela passa os dedos pela minha bochecha e deixa um beijo na minha testa. — Quando se sentir à vontade, pode trazer esse novo rapaz para conhecer sua família e sua casa. — Ela se afasta com um pequeno sorriso nos lábios. — Fique para o almoço e me conte como foi sua viagem para Rimini.

— Está tudo bem, mami — sorrio, apertando sua mão como uma forma de confortá-la. — O nome desse rapaz é Charles, mãe, e a viagem foi realmente muito boa. Estamos planejando voltar lá nas férias para aproveitar melhor a cidade.

Maria aparece na porta da sala com um sorriso caloroso e avisa que o almoço já está pronto. Minha mãe segura minha mão e me puxa gentilmente em direção à mesa. O cheiro familiar da comida caseira me traz uma sensação de conforto, mas a tensão que restou da conversa ainda paira no ar.

— Maria, como sempre, você se superou — elogio enquanto me sento à mesa, observando os pratos caprichados de arroz, legumes e um assado que parecia saído de uma revista culinária.

— Faço o possível para agradar — Maria responde com humildade, mas noto um brilho de orgulho em seu olhar.

Minha mãe se senta ao meu lado e, antes de começarmos a comer, olha para mim como se quisesse perguntar algo. Sei que ela está se esforçando para digerir o que conversamos momentos antes.

— Meave, você acha que Charles estaria disposto a vir aqui em algum domingo para o almoço? — pergunta, sua voz suave, mas cheia de intenção.

Surpreendida pela iniciativa dela, dou um pequeno sorriso.

— Vou perguntar para ele, mas acredito que sim, mãe. Ele é muito gentil e gosta de conhecer as pessoas importantes para mim.

— Ótimo. Será bom conhecer alguém que te faz feliz — ela responde, desta vez com um sorriso mais genuíno, e sinto o peso que carregava começar a se dissipar.

Enquanto almoçamos, o assunto muda para coisas mais leves. Conto algumas histórias sobre a viagem para Rimini, como Charles quase caiu no mar tentando tirar uma foto perfeita do pôr do sol. Minha mãe ri, e percebo que, pela primeira vez em muito tempo, estamos verdadeiramente conectadas.

Depois do almoço, ajudo Maria a limpar a mesa enquanto minha mãe fica no jardim, cuidando de suas plantas. Aproveito o momento para refletir sobre a nova fase da minha vida. Quando volto à sala, encontro minha mãe sentada em sua poltrona favorita, com um álbum de fotos no colo.

— Mãe, o que está vendo aí? — pergunto, curiosa.

— Só revendo alguns momentos — ela diz, virando o álbum para mim. Na página, há uma foto de mim e Dean, sorrindo em uma viagem para a praia anos atrás. — Você tem razão, querida. Está na hora de eu deixar o passado ir embora.

Respiro fundo, sentindo uma onda de alívio tomar conta de mim.

— Obrigada por entender, mãe. Isso significa muito para mim.

Ela fecha o álbum com cuidado e, pela primeira vez desde que cheguei, sinto que estamos prontas para seguir em frente.

— E sobre Charles... — ela diz, com um sorriso travesso nos lábios. — Quero saber todos os detalhes quando ele vier aqui no domingo.

Rimos juntas, e, pela primeira vez em muito tempo, sinto que tudo ficará bem.

Avec affection MeaveOnde histórias criam vida. Descubra agora