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A volta para casa tinha sido mais divertida do que eu imaginava

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A volta para casa tinha sido mais divertida do que eu imaginava. Charles havia separado um jatinho para que pudéssemos voltar todos juntos e sem preocupação. Olive e Arthur estavam completamente grudados desde que entraram no avião, e dava para ver que era como se um peso tivesse saído das costas dela, isso me deixava aliviada. Hoje era o dia do evento da Sisley, e eu estava tão animada! Era uma completa correria, com o coração 100% acelerado mas de um jeito bom.

O vestido que eu havia escolhido era longo, com pedrarias brilhando delicadamente nas laterais. Ele tinha um corte ousado, transpassado por um fio verde que dava um charme sutil, mas marcante. Meus cabelos estavam lisos, caindo suavemente sobre os ombros, e a maquiagem era leve exatamente do jeito que eu gosto realçando sem esconder.

— Uau — ouço a voz de Charles atrás de mim e me viro para ele. — Você está simplesmente incrível — diz ele, colocando as mãos na minha cintura. — Verde combina com você, está pronta? — ele pergunta, com aquele sorriso torto que sempre me desmonta.

Sorrio, passando os braços ao redor do pescoço dele, sentindo aquele momento parar no tempo por um instante. O brilho nos olhos dele me fazia esquecer toda a ansiedade que o evento trazia.

— Obrigada Percy — sussurro próximo aos seus lábios — Por me apoiar mais do que qualquer coisa e por estar aqui junto comigo — raspo meu nariz com o dele de uma forma carinho com um sorriso nos lábios.

Descemos juntos, de mãos dadas, como se o mundo lá fora pudesse esperar só mais um pouquinho. O motorista já nos aguardava, e o carro nos levou direto para o local do evento. A cada metro que o carro avançava, meu coração batia mais forte não de medo, mas de empolgação.

As luzes da cidade refletiam no vidro enquanto Charles mantinha os dedos entrelaçados aos meus. Havia algo reconfortante naquela conexão silenciosa. Ele não precisava dizer nada; a presença dele já bastava.

Ao chegarmos, o tapete vermelho se estendia diante de nós, com flashes disparando de todos os lados. Era o tipo de cena que costumava me deixar nervosa, mas, estranhamente, naquela noite, tudo parecia diferente. Eu me sentia segura. Assim que descemos do carro, os fotógrafos começaram a nos chamar, luzes estourando em sequência.

— Aqui, por favor! Olhem para cá!— um dos fotógrafos disse com a câmera em mãos, Charles apertou levemente minha mão.

— Pronta pra brilhar? — murmurou no meu ouvido com um sorriso confiante. Assenti, endireitando os ombros — Então vamos linda — sorri com o apelido.

— Sempre — E então caminhamos juntos pelo tapete, lado a lado, como se aquele fosse o nosso momento — não só meu. Eu não sabia exatamente o que me esperava naquela noite, mas uma coisa era certa, com ele ao meu lado, tudo parecia mais fácil.

Ao entrarmos no local do evento, fomos recebidos por uma onda de sons, luzes e perfumes caros. O salão estava impecavelmente decorado, com arranjos florais flutuando sobre mesas de vidro e lustres imensos refletindo brilhos em todas as direções. As pessoas se moviam com elegância — algumas conhecidas, outras apenas rostos da alta sociedade que sempre pareciam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Charles manteve a mão na minha cintura enquanto nos guiávamos entre os convidados. Eu sorria, cumprimentava, ouvia elogios sobre o vestido, sobre como eu parecia radiante naquela noite. Por dentro, ainda havia um pequeno turbilhão — não de insegurança, mas de expectativa. Sabia que aquela noite poderia abrir novas portas, e eu queria estar à altura.

— Você está indo muito bem — Charles sussurrou, me inclinando levemente em sua direção. — Como sempre.

— Eu estou fingindo costume — brinquei, sorrindo de lado, enquanto pegava uma taça de espumante de uma bandeja prateada.

Ele riu, baixo, aquele som que eu aprendera a amar. Não era escandaloso, mas era o suficiente para me fazer sentir em casa, mesmo em meio ao brilho exagerado daquele lugar.

Logo fomos chamados por uma das assessoras do evento. Ela explicou rapidamente que haveria uma apresentação breve da nova coleção da Sisley e que alguns convidados selecionados seriam chamados ao palco para uma pequena homenagem. Meu nome estava entre eles.

— Seu momento — disse Charles, apertando levemente minha mão. — Vou estar bem ali — Fiz que sim com a cabeça, tentando manter a respiração sob controle.

Subir no palco nunca tinha sido o meu forte, mas naquela noite, não era sobre mim. Era sobre tudo que eu havia construído até ali com esforço, escolhas e, principalmente, com verdade.

Caminhei até os bastidores com o coração acelerado, os saltos ecoando em sincronia com meus pensamentos. A coordenadora da cerimônia me desejou boa sorte com um sorriso cordial, e eu espiei por entre as cortinas, observando os outros convidados sentados, todos em seus melhores trajes, conversando, rindo, tirando fotos.

Vi Charles na primeira fileira. Ele estava me procurando com os olhos, e quando finalmente me viu, sorriu aquele sorriso torto de novo, como uma âncora em meio ao caos.

Meu nome foi anunciado, e caminhei até o palco com a cabeça erguida, o vestido fluindo ao meu redor como uma extensão da minha confiança. Os flashes recomeçaram, mas dessa vez eu não pisquei. Segurei o microfone com firmeza, respirei fundo e comecei a falar. Minha voz soou firme, clara. Contei um pouco da minha trajetória, agradeci pelas oportunidades, pelas pessoas que acreditaram em mim e, ao final, olhei diretamente para Charles.

— E, especialmente, obrigada a quem está sempre ao meu lado. Sem ele, eu talvez tivesse chegado até aqui, mas não teria me sentido tão inteira.

Aplausos ecoaram pelo salão, mas tudo o que eu conseguia ouvir era o bater do meu coração e o olhar dele, agora mais brilhante do que qualquer luz daquele salão.

Desci do palco sentindo que algo havia mudado. Talvez em mim. Talvez entre nós. Ele me esperava ali, de pé, com um copo na mão e os olhos fixos em mim como se eu fosse a única coisa que importava naquele lugar.

— Você brilhou — disse, sem exagero, sem floreios. Apenas verdade — Como se sempre tivesse feito isso — sorriu.

— Eu sei — respondi, rindo. — Mas só porque você estava olhando — Ele me puxou para um beijo rápido, leve, mas cheio de significado. Ali, no meio de tudo, éramos só nós dois. E, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti acreditar que o melhor ainda estava por vir.

Avec affection MeaveOnde histórias criam vida. Descubra agora