Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Leo estava deitado ao meu lado na cama enquanto eu revisava o novo projeto da editora. Charles tinha voltado à sua rotina de corrida e eu...bom, eu já estava acostumada a acordar em seus braços, com a vista linda que o apartamento dele oferecia. Mas tudo precisava voltar ao normal. Confesso que tenho sentido muito mais falta dele do que jamais imaginei que sentiria.
— Meave — a voz calma de Olive se fez presente no quarto, fazendo com que Leo corresse até ela. — Ester me ligou, e acho que precisamos conversar — ela se abaixou, pegando o pequeno nos braços e fazendo carinho em seus pelos dourados. — Você não pegou seu celular hoje? — perguntou, me olhando com um semblante preocupado.
— Está tudo bem com ela? — perguntei, arqueando uma sobrancelha e deixando o iPad de lado na cama. — Não, eu fiquei tão atarefada na editora que acabei nem mexendo no celular. Depois precisei editar o vídeo novo que gravei semana passada... você e Charles se intrometeram tanto que precisei cortar várias partes — soltei um riso baixo e bati de leve no colchão. — O que aconteceu, Oli? — perguntei, confusa.
— Bom... eu não sei como te mostrar isso, mas acho que, antes de tudo, precisamos de uma conversa entre adultos — ela colocou Leo com cuidado sobre o colchão e sentou ao meu lado. — Sabe que não podemos acreditar em tudo o que vemos na internet— Naquele momento, meu coração começou a falhar batidas, e minhas mãos começaram a suar. — Postaram essa foto do Charles hoje cedo — mal tive tempo de ver a imagem antes dos meus olhos começarem a arder. A qualidade era péssima, mas era evidente, Charles estava agarrado a uma garota loira. — Como eu disse... é necessário conversar antes de qualquer coisa.
Fiquei olhando para a tela por alguns segundos. Meus olhos se recusavam a piscar. Era como se meu corpo inteiro tivesse congelado, tentando absorver o impacto daquela imagem borrada, mas clara o suficiente para despedaçar qualquer ilusão de tranquilidade que ainda restava em mim.
— Quem postou isso? — minha voz saiu baixa, quase um sussurro. Olive hesitou por um momento, como se estivesse escolhendo bem as palavras.
— Um perfil de fofoca... nada muito grande, mas já tem comentários se espalhando. Algumas pessoas marcaram a editora, outras me mandaram mensagens... Ester achou que você precisava saber por mim, antes de ver por aí — Balancei a cabeça devagar, tentando afastar as lágrimas que se formavam. Olhei para o teto, buscando um ponto fixo, alguma âncora que me impedisse de desmoronar ali mesmo.
— Eu não sei o que pensar — confessei. — Parte de mim quer acreditar que isso não é o que parece. Mas a outra parte... — minha voz falhou, e eu respirei fundo — ...a outra parte está gritando que talvez eu tenha sido burra esse tempo todo.
— Ei — Olive segurou minha mão, apertando de leve. — Não faz isso com você mesma. A gente não sabe o contexto, não sabe de quando é essa foto, nem quem é essa garota. Você conhece o Charles. Conhece o jeito dele, a forma como ele olha pra você. Isso... isso pode ser qualquer coisa — Assenti, mas ainda sem acreditar completamente. A foto queimava na minha mente. Era impossível ignorar a pose, o abraço íntimo, o sorriso dele. Sorriso que, até poucos dias atrás, era só meu.
— Eu preciso falar com ele. Olhar nos olhos dele e perguntar. Eu... não vou tirar conclusões antes disso — sinto uma lágrima involuntária cair pela minha bochecha fazendo com que eu pressione os olhos limpando a mesma com a costa das mãos
— Isso mesmo — Olive disse, firme. — Você merece respostas. Claras. Diretas — Leo, deitado no colchão entre nós, soltou um leve resmungo, como se sentisse o clima pesado. Passei a mão pelos seus pelos dourados, buscando um pouco de conforto naquele gesto simples.
— Me dá um tempo? — perguntei, olhando para Olive. Ela assentiu, se levantando.
— Claro. Tô aqui pra qualquer coisa, tá? Quando quiser conversar de novo... ou só ficar em silêncio. Eu fico com você — Sorri, ainda que fosse um sorriso cansado e trêmulo. Ela saiu do quarto em silêncio, fechando a porta com cuidado. Peguei o celular pela primeira vez naquele dia. E com dedos trêmulos, procurei o nome dele entre as mensagens.
Me: Quando você volta?
Me: Acho que precisamos conversar
Charles Leclerc: Linda Charles Leclerc: O que aconteceu que você sumiu o dia todo? Charles Leclerc: Eu tenho três semanas seguidas de corridas mas estava pensando que poderia vir em alguma delas junto com o Leo Charles Leclerc: Claro, sobre o que você quer conversar?
Me: Se você puder vir em casa antes de ir para próxima corrida Me: Estava ocupada o dia inteiro mas você conseguiu aproveitar bem, né? Me: Da uma olhada nas suas menções
Sem esperar por mais nenhuma resposta, me levanto e sigo em direção ao banheiro — precisava de um tempo, um lugar onde pudesse, ao menos, tentar limpar os pensamentos. O Charles que eu conheço... ele jamais faria isso comigo. Pelo menos é o que meu coração insiste em acreditar. Mas o histórico dele...Ah, o histórico fala mais alto do que qualquer justificativa. E o pior? Eu nunca tinha parado realmente pra pensar sobre isso. Talvez por escolha, talvez por medo. Mas agora... agora é impossível ignorar, e tudo começa a doer de um jeito difícil demais de suportar.
Quando finalmente saio do banheiro, Leo está me esperando na cama.
Deitado, com os olhos atentos e aquele jeitinho calmo que ele tem quando sente que alguma coisa está errada. Como se soubesse, com aquela sabedoria silenciosa que só os animais têm, que tudo o que eu mais precisava naquele momento era conforto. Me aproximo devagar e me deito. Ele não hesita se aninha nos meus braços como se já conhecesse meu peito cansado, como se entendesse que ali, agora, existe uma dor que eu ainda não sei como nomear. Fecho os olhos e solto um suspiro pesado, a cabeça ainda gira. O coração ainda pesa. Eu não sabia o que pensar.
Uma parte de mim gritava, feroz, dizendo que eu era boba demais por acreditar, por ter me entregado com tanta facilidade a um homem com cicatrizes escondidas e um passado que eu fingi não ver. Mas a outra parte...Ah, a outra parte sussurrava com a mesma voz que Charles usava quando dizia meu nome como se fosse oração. Essa parte acreditava que ele jamais faria isso comigo. Que havia uma explicação. Que aquele abraço na foto não era o fim, mas só um ruído no meio de uma música bonita.
Fiquei ali. Em silêncio, com Leo respirando contra minha pele, quente e fiel, como se dissesse: "Você não precisa decidir nada agora." E, pela primeira vez naquele dia, me permiti não decidir. Só... sentir.
Gente me desculpe pelo sumiço as coisas estavam corridas demais. As coisas vão começar a mudar um pouco mas fiquem tranquilas que eles vão saber se resolver