Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
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O sol estava realmente forte, o tipo de calor que fazia a pele arder só de ficar alguns minutos ao ar livre. Por isso, optei por passar a maior parte do tempo no hotel e só sair pouco antes da corrida começar. Charles, claro, resmungou um pouco sobre isso nada muito sério, só aquele drama monegasco habitual mas bastou uma olhada atravessada da Haile para ele seguir com a equipe e começar os preparativos.
Quando entro na sala privativa dele, dentro do hospitality da Ferrari, encontro exatamente o que eu já esperava: Charles, de braços cruzados, cara fechada e sentado de forma teatral no sofá como se tivesse acabado de ser injustiçado pelo mundo inteiro.
— O que foi, Percy? — pergunto, cruzando os braços também, me encostando no batente da porta com um sorriso de canto. — Vai me dizer que tá emburrado por causa do sol? — Ele não responde. Só vira o rosto levemente, fingindo ignorar, mas eu já conheço bem esse joguinho — Fala pra mim o que aconteceu — digo, caminhando até ele e me sentando ao seu lado. Passo os dedos suavemente pelo cabelo dele, que ainda está levemente úmido do capacete. — Não é porque eu decidi vir depois pra não torrar nesse sol, né?— Levanto uma sobrancelha, esperando alguma reação. Ele me encara por um segundo, ainda de bico, até soltar um suspiro teatral.
— Não... na verdade, eu meio que discuti com o Arthur — ele confessa, depois de um tempo em silêncio. — E ele me disse coisas que nenhum irmão gostaria de ouvir — me encara por alguns segundos, como se estivesse ponderando se devia continuar. Então, sem dizer mais nada, me puxa com delicadeza pro seu colo. Eu vou sem resistir, envolvendo meus braços ao redor do pescoço dele. — Mas eu queria que você tivesse chegado antes — resmunga, escondendo o rosto no meu pescoço, a voz abafada, quase manhosa. — Daqui a pouco eu preciso descer pra garagem — Minhas mãos afagam os fios de cabelo na nuca dele, tentando passar uma calma que talvez nem eu esteja sentindo direito.
— Eu vou estar naquele pódio por você — ele sussurra junto do meu ouvido, com uma firmeza inesperada. Como se, apesar da dor, apesar do peso nas costas, ele tivesse encontrado um motivo que faz tudo valer, Meu coração aperta de um jeito estranho mistura de orgulho, carinho e aquela vontade de protegê-lo do mundo, mesmo sabendo que ele é o tipo de homem que enfrenta tudo de peito aberto
— E eu vou estar o tempo todo torcendo por você, Percy — digo com um sorriso animado, deixando um beijo leve nos lábios dele. — E depois que a corrida passar, prometo que a gente conversa sobre essa discussão com o Arthur, com calma — Minha mão desliza até a nuca dele, fazendo um carinho breve antes de me levantar. Ele segura meu olhar por um instante, como se quisesse guardar aquele momento no peito antes de encarar a adrenalina que vem a seguir.— Acho que já podemos ir descendo, né? Pra você não se atrasar — estendo a mão pra ele com um sorriso tranquilo.
Charles pega minha mão, se levanta, e por um segundo parece hesitar só o bastante pra me puxar de volta num abraço rápido, apertado, como se ali estivesse recarregando o último pedacinho de energia emocional que precisava antes de enfrentar o caos da pista.