Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
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Olive tinha ganhado alguns dias de folga da revista, então, pela primeira vez desde que estou com Charles, ela nos acompanharia em uma corrida. Isso me deixava ainda mais animada para o evento que aconteceria no fim desta semana e acredito que ela também, já que comentou que queria ir ao shopping fazer algumas compras para a nossa curta viagem. Já estamos há cerca de 40 minutos entrando e saindo de lojas, tentando encontrar todas as coisas que, segundo ela, eram essenciais.
Apesar de eu achar que metade daquelas "essenciais" eram mais um capricho do que necessidade real, confesso que estava gostando do passeio. Era raro termos esse tipo de momento só nosso sem prazos, sem compromissos, sem correria. Olive analisava cada peça com aquele olhar crítico de editora de moda, enquanto eu tentava não me distrair com os letreiros de "promoção" nas vitrines.
— Essa jaqueta vai ser perfeita para o jantar pós-corrida — disse ela, segurando uma peça em couro ecológico bege, enquanto se virava para mim, claramente esperando aprovação. — É Vegas, o paraíso dos turistas... e dos homens bonitos — completou com uma piscadinha, antes de voltar a vasculhar outras jaquetas na arara.
— Você está realmente animada pra essa corrida — comento, rindo baixinho enquanto me aproximo da mesma arara para olhar as peças. — O único homem que eu quero já está comigo, então essa parte da viagem não me interessa muito— Vejo Olive revirar os olhos, sorrindo com aquele ar teatral característico, antes de devolver a jaqueta para o cabide — Você não precisa de tantas peças novas, Oli. Vamos ficar só alguns dias... e, bom, nem todo mundo tem tanta mídia assim — brinco, segurando seus braços com carinho. Ela suspira, exageradamente dramática.
— Ai, você é tão prática que às vezes me dá sono. Mas tudo bem... uma ou duas peças a mais não vão me matar — ela diz, sorrindo e levantando as sobrancelhas várias vezes seguidas, como se fosse um código secreto entre nós — Lembra do que combinamos no começo da nossa amizade? Nada de julgar as compras uma da outra — completa, agora me olhando com uma expressão séria demais para ser levada a sério.
— Tá bom, tá bom — respondo, levantando as mãos em sinal de rendição enquanto contenho uma risada. — Sem julgamentos. Mas se você aparecer com mais uma bolsa dizendo que não tem nenhuma dessa cor, eu vou rir. Só rir, prometo — Ela faz um bico fingido, mas logo ri também.
— Eu realmente não tenho nenhuma daquele tom de verde! — rebate, pegando a jaqueta bege novamente, agora mais decidida. Saímos da loja com uma sacola a mais do que o previsto e zero arrependimentos. O shopping começava a encher e o burburinho de outras conversas, risadas e música ambiente nos envolvia como pano de fundo. Charles mandou uma mensagem dizendo que estava resolvendo os últimos detalhes com a organização da corrida.
— Vamos só passar na livraria rapidinho? — pergunto, já sabendo que rapidinho nunca é tão rápido assim com a Olive. Eu queria comprar um livro de nomes maculinos para a Marta ela disse que ela e o Riccardo estavam com bastante dificuldade para escolher o nome do bebê. Enquanto caminhávamos pelos corredores, me virei para a ruiva com uma curiosidade repentina — Sabe se você tivesse um menino, qual seria o nome dele? — Olive franziu a testa como quem nunca tinha parado pra pensar naquilo, mas logo seus olhos brilharam com aquela típica empolgação dramática.
— Hm... acho que escolheria Benoît — respondeu com um sorriso leve. — É um nome suíço antigo, significa "abençoado". É forte, mas tem algo doce também tipo um garoto que vai ser artista ou revolucionário. Ou os dois — diz explicando o significado do nome escolhido — Era o nome do meu avó
— Nossa, já tem até biografia imaginada — brinquei, pegando um dos livros da prateleira e folheando. — Mas confesso que gostei, Benoît soa elegante. Bem a sua cara — Ela riu e deu de ombros.
— E você? — ela perguntou, pegando outro livro da estante e folheando distraidamente. — Se tivesse uma menina, qual nome escolheria?
Pensei por um instante, os dedos correndo pelas lombadas coloridas à minha frente. Nunca tinha parado de verdade para pensar nisso, mas um nome sempre me vinha à mente quando eu imaginava um futuro distante, tranquilo... talvez até impossível de planejar.
— Eu escolheria Genevieve — respondi, olhando de relance para a ruiva ao meu lado enquanto procurava a seção de gestantes ou algo relacionado a bebês. — Significa pureza, santidade e liderança feminina. Mas não sei se o Charles ia gostar — Olive me olhou por um segundo, mais séria do que o normal.
— Uau, isso foi bonito. Meio poético até — disse, sorrindo antes de rir. — Qualquer coisa que você sugerir pro Charles, ele vai amar, Ve. Ele faz qualquer coisa pra te ver feliz — e, depois de uma pausa dramática — ainda mais se você estiver grávida — completou com uma piscadinha, puxando um livro fino da prateleira — Olha, esse aqui tem nomes masculinos ao redor do mundo! — leu a capa em voz alta, me fazendo rir, peguei o livro da mão dela e folheei algumas páginas.
— Acho que esse pode ajudar a Marta na escolha do bebezinho dela — comento, ainda folheando os nomes. — Só espero que isso não a deixe mais confusa do que já está — digo, caminhando em direção ao caixa para pagar pelo livro.
— Ou você decide mudar de ideia e me aparece com uma surpresa — retruca Olive, me lançando aquele olhar sugestivo que só ela sabe fazer — Já pensou? Pequena Genevieve correndo pela casa, o Charles desmaiando no parto — Eu sabia que ela estava me provocando, mesmo que houvesse um pingo de verdade no que dizia.
— Ele ia desmaiar só de ouvir a palavra parto — falei, rindo alto. — Mas tenho certeza de que isso ainda vai demorar muuuito. Faz só alguns meses que nos conhecemos e um bebê agora não ajudaria em nada — Pego a sacola das mãos da atendente e saímos da livraria, caminhando de volta pelos corredores movimentados do shopping. O som de vozes e risadas preenchia o ambiente, mas entre nós havia um tipo de silêncio confortável. Aquele em que nem tudo precisa ser dito em voz alta.
Quando finalmente me deito na cama, sinto falta da minha bolinha de pelos, que normalmente estaria encolhidinho ao meu lado. Leo tinha sido um presente realmente incrível e talvez o mais inesperado, mas o mais certeiro. Desde que saí da revista e entreguei meu trabalho final, meu foco tem sido quase exclusivo nos vídeos e nas reuniões com algumas marcas com as quais a Heather tem conversado. Nesse novo ritmo, ele se tornou meu maior companheiro.
Com Olive ainda trabalhando na redação durante as tardes, a casa fica mais silenciosa do que estou acostumada, e é o Leo quem preenche esse vazio. Seja me seguindo pela casa, deitando ao lado da escrivaninha durante as edições ou me olhando com aqueles olhos redondos e atentos como se entendesse cada suspiro meu, ele está sempre lá.
Olho para o canto do quarto, onde fica a caminha dele, agora vazia, e sorrio sozinha. Charles ficou de buscar o Leo no pet hotel pela manhã, antes de sairmos para a viagem. Sei que ele não admite, mas também se apegou àquele pequeno ser de quatro patas. Uma vez até flagrei os dois conversando, como ele chamou, enquanto o alimentava como se fosse completamente normal contar o resultado de uma corrida importante para um cachorro que só queria mais biscoitos. Pego o celular do criado-mudo e vejo que já passa das 23h. Há uma mensagem dele:
Charles Leclerc:Não esquece de levar sua jaqueta da Ferrari Charles Leclerc: Amanhã vai esfriar à noite Charles Leclerc: Te amo
Me: Já está na mala Me: Também te amo Percy
Depois coloco o celular de lado e fecho os olhos, tentando desligar minha mente, mesmo sabendo que ela está a mil por hora com a ansiedade da viagem. É estranho, mas ao mesmo tempo reconfortante, perceber como as coisas mudaram em tão pouco tempo. E como, apesar das mudanças, algumas ausências como a de um cãozinho deitado aos meus pés ainda pesam no silêncio da noite.
Gente, eu não gosto de ficar cobrando nada, porque acredito que tudo precisa fluir de forma leve e saudável. Mas, se vocês puderem, por favor, votar e comentar, eu ficaria extremamente grata! Aproveitem mais um capítulo! Beijos!