Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
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Meave me contou que iria conversar com a mãe dela sobre como incentivar o ex-namorado a parar de mandar mensagens para ela. Só de lembrar da forma como ele a tratou no apartamento dela naquele dia, meu sangue ferve. Ele foi tão grosseiro e agressivo que chego a duvidar que os pais dela saibam o que aconteceu.
— Você está com essa cara de novo — a voz de Arthur me tira dos meus pensamentos e me faz olhá-lo, confuso. — Está pensando na garota, não é? Como é o nome dela mesmo? Meave? — Ele pergunta, levantando as sobrancelhas, todo animado, com um sorriso que cresce rapidamente nos lábios. — Mamãe está chateadíssima porque Carlos e Ester já conheceram a nova nora dela e ela ainda não.
— Ela não é minha namorada, e não quero assustá-la chamando-a para um almoço de família — respondo, distraído, olhando o celular para ver se Meave tinha me mandado alguma mensagem sobre como foi a conversa com a mãe dela. — Ainda mais com essa pressão toda nas redes sociais, sinto que ela não está pronta para essa exposição. — Passo a mão pelos cabelos, frustrado com toda essa situação. — Ela não me contou muito sobre os pais, mas já sei quase tudo sobre a família dela. A galera descobriu e publicou tudo em sites de fofoca e no Instagram.
— Não é como se isso fosse sua culpa, Charles — Arthur se acomoda na cadeira e começa a folhear o cardápio. — Quando ela se envolveu com você, sabia que uma hora ou outra iam descobrir. E depois da Ferrari ter postado uma foto de vocês dois, ficou impossível esconder — concordo levemente com a cabeça —E como ela vem lidando com isso ?
— Ela tenta passar uma imagem de que está forte, como se tudo isso não estivesse mais afetando ela — aperto a ponta do meu nariz e nego com a cabeça, sentindo o peso da situação. — Mas sei que ela não está conseguindo lidar com isso de maneira saudável. Tem dias que é como se ela fosse inabalável, como se nada a afetasse e fosse a pessoa mais forte do mundo, mas em outros... vejo no olhar dela, ou até na voz, um cansaço que não consegue esconder. Sinto sua fragilidade, e me dói profundamente saber que as pessoas que dizem me amar estão fazendo isso com alguém que eu amo de verdade.
— Eu entendo o que você está dizendo, Charles. Deve ser muito difícil ver alguém que você se importa tanto passando por isso, ainda mais quando parece que estão fingindo estar bem. Mas, por mais doloroso que seja, a gente não pode controlar as reações dos outros, por mais que queira proteger quem amamos. — Arthur faz uma pausa, olhando para mim com uma expressão mais séria. — Só não esquece de que, se você realmente a ama, precisa ser o apoio que ela precisa agora, sem forçar nada, sem pressa. Deixe ela ter o tempo dela, mas mostre que você está ali, sem pressão. Às vezes, é isso que mais conta.
Arthur muda a expressão tão rápido que parece ter acabado de ouvir a piada mais engraçada do mundo. Ele começa a rir, negando com a cabeça ao mesmo tempo, e isso me deixa completamente confuso. Não entendo o que está acontecendo, porque o assunto não tem nada de engraçado. Ele me olha como se eu fosse um palhaço, como se tivesse acabado de contar a história mais incrível que ele já ouviu na vida. Fico sem saber se devo rir também ou se é melhor questionar o que ele está pensando.
— Charles, você acabou de dizer que ama essa garota e nem percebeu o que acabou de falar. — Arthur me olha com os olhos arregalados e, ao ouvir suas palavras, faço uma rápida reflexão sobre o que disse, sentindo meu coração acelerar, como se eu estivesse entrando no cockpit pela primeira vez.
— Para de besteira, cara. Compra logo um anel para essa garota e a leva para conhecer sua família antes que alguém faça isso por você.
Passei o almoço inteiro matutando sobre o que Arthur disse, me perguntando se Meave poderia decidir que não quer mais nada comigo e voltar para o ex maluco dela. Esse pensamento me levou a tomar uma decisão talvez impulsiva, mas como Lando sempre me disse: "Só vivemos essa vida uma vez. Por que ficar paralisado com medo de fazer algo quando a única coisa que importa é agir?"
Durante o almoço, procurei em meu celular passagens de Paris para Mônaco e as comprei antes mesmo de comunicar Meave. Após o almoço, passei com Arthur em uma joalheria e adquiri um anel com pedras azuis, mesmo ele sugerindo que eu optasse por um modelo mais tradicional para ter certeza de que ela iria gostar. Mas, ao bater os olhos naquele anel, soube imediatamente que era a escolha certa.
Me: Ei, linda. Me: Você está disponível neste final de semana?
Meaves: Oi, Percy. Meaves: Não, estava pensando em ficar em casa, preparando meu TCC Meaves: Você tem algum plano?
Eu: Tenho, um que envolve nós dois. Eu: Tudo bem se eu te mandar a passagem para vir até Mônaco? Eu: [ANEXO] Eu: Nos vemos daqui a algumas horas, linda. ;)
Deixo Arthur na casa da nossa mãe e vou direto ao supermercado para comprar algumas coisas e abastecer a despensa, já que quase não fico no apartamento por conta das corridas. Assim que chego, deixo as compras na bancada e começo a arrumar a pequena bagunça que fiz nesses dias em que estive aqui. Mesmo sabendo que a diarista virá amanhã para organizar tudo, não dá para receber a minha garota em um apartamento bagunçado assim.
Depois de arrumar o apartamento e enrolar no videogame, olho o relógio e percebo que já está quase na hora de buscar Meave no aeroporto. Meu coração acelera só de pensar em vê-la novamente. Pego as chaves do carro, confiro se o anel está no bolso do casaco e sigo para o estacionamento.
O trajeto até o aeroporto é tranquilo, mas minha mente não para de imaginar como será a reação dela ao chegar aqui. Será que vai gostar do anel? Será que vai achar tudo isso exagerado? Respiro fundo, tentando acalmar os pensamentos.
Ao chegar no aeroporto, estaciono o carro e vou direto para a área de desembarque. O lugar está movimentado, como sempre, mas meus olhos estão focados em uma única coisa: a figura de Meave surgindo entre os passageiros.
Depois de alguns minutos, finalmente a vejo. Ela está carregando uma mala de mão, o cabelo levemente bagunçado pela viagem e aquele sorriso tímido que me faz esquecer o resto do mundo.
— Percy! — Ela diz, caminhando em minha direção.
— Ei, linda. — Respondo, abrindo os braços para recebê-la.
Ela se aproxima e me abraça. O cheiro do seu perfume é familiar e reconfortante. Quando nos afastamos, ela olha ao redor, como se tentasse absorver o ambiente novo.
— Então, o que você está aprontando? — pergunta, com um sorriso desconfiado.
— Vai ter que esperar para descobrir. — Respondo, piscando para ela.
Pegamos o carro e, enquanto dirijo de volta ao apartamento, conversamos sobre coisas triviais: como foi a viagem, como estão os preparativos do TCC dela, as últimas corridas que fiz. Meave sempre teve esse dom de deixar qualquer conversa leve e natural.
Assim que chegamos ao apartamento, ajudo-a com a mala e abro a porta para que ela entre.
— Uau, você arrumou tudo? — Ela pergunta, olhando ao redor.
— Claro, você merece o melhor. — Respondo, rindo.
Ela sorri, coloca a mala ao lado do sofá e se vira para mim.
— Ok, agora me conta: qual é o plano?
— Ainda não. Primeiro, descanse da viagem. Depois eu te conto.
Ela me lança um olhar desconfiado, mas acaba concordando. Enquanto ela se acomoda, eu fico observando, pensando que essa foi a melhor ideia que já tive.