Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
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Olho para o celular pela vigésima vez em menos de cinco minutos. Meave não me responde desde ontem, quando disse que não queria conversar sobre o assunto por mensagem. Mas eu não imaginei que ela fosse ignorar todas as minhas mensagens seguintes... e todas as ligações. Eu só quero que essa corrida acabe o mais rápido possível, pra que eu possa pegar o primeiro voo pra Paris, olhar nos olhos da minha garota e explicar que aquela foto é de meses atrás logo no começo, quando ainda estávamos nos conhecendo. Giada é minha ex. E não, não existe a menor possibilidade de volta. Aquele encontro foi totalmente casual. Nem sequer foi marcado. Eu só tinha saído pra tomar um café, e acabamos nos esbarrando. Só isso. Nada mais.
— Charles, já estão te esperando para a entrevista — Haile diz, abrindo a porta da minha sala de descanso. — Já informamos também que queremos apenas perguntas sobre o seu trabalho, nada sobre você e — Meave Ela se aproxima, com um pequeno sorriso no rosto. — Você não pode deixar isso te afetar, Chars — Ela toca meu ombro de forma delicada enquanto se senta ao meu lado. — Precisamos de você nesse final de semana e, acredite quando digo, ela vai assistir e provavelmente torcer para que você consiga o pódio mais alto — Olho para ela, tentando acreditar fielmente no que está dizendo.
— Me dê mais 5 minutos — murmuro, me levantando e indo em direção ao banheiro. — Só mais 5 minutos, Haile — A loira concorda, saindo da sala privativa e me deixando sozinho mais uma vez com meus pensamentos — Você é idiota demais, Charles — digo, me olhando no espelho.
A sala está iluminada, as câmeras posicionadas, e o estúdio parece engolir o som da minha respiração acelerada. Me sinto mais tenso do que o normal, talvez porque minha mente não consiga se livrar de uma imagem: Meave, sozinha, acreditando que a mentira se tornou verdade. Os jornalistas começam com perguntas sobre o desempenho da Ferrari na temporada. Me sinto aliviado por falarem sobre o meu trabalho, algo que eu consigo controlar, algo que me traz um pouco de paz em meio ao turbilhão.
— Charles, a Ferrari tem mostrado um bom desempenho nas últimas corridas. O que você espera para essa próxima etapa? — Eu engulo em seco antes de responder. Foco na entrevista. Preciso disso. Preciso não pensar em mais nada.
— A equipe tem trabalhado muito duro. Estamos focados em otimizar cada detalhe. A competitividade na pista é sempre alta, mas nossa meta é claro: o pódio. Não posso prometer nada, mas estou fazendo todo o possível para que a Ferrari consiga o resultado que ela merece.
Respondo com confiança, mas no fundo, sei que uma parte do meu pensamento está em outro lugar. O entrevistador faz uma pausa, parece que está terminando a rodada de perguntas técnicas, e eu começo a relaxar um pouco. Talvez agora eu consiga passar sem ter que pensar sobre a minha vida pessoal. Mas então ele pergunta, com um sorriso quase malicioso.
— E, Charles, todos sabem que sua vida pessoal também está em jogo. Como você tem lidado com as especulações sobre sua relação com Meave? Como isso está afetando seu desempenho na pista? — O ar parece desaparecer de repente. O mundo ao meu redor perde a nitidez. Só a palavra "Meave" ainda ecoa na minha mente.
Eu vejo o olhar curioso do entrevistador, alguns jornalistas ao fundo trocando olhares. A pergunta não é surpresa, mas a dor que sinto ao ser forçado a responder é mais do que eu estava preparado para lidar naquele momento. Respirei fundo, tentando parecer calmo, tentando esconder o turbilhão que gira dentro de mim. Não era isso que eu queria discutir agora. Não era sobre isso que eu queria que as pessoas se lembrassem. Mas aqui estou, com as câmeras focadas em mim, esperando uma resposta.
— Não... não tenho falado muito sobre isso, nem com a imprensa, nem com ninguém. Isso é algo pessoal. Eu entendo a curiosidade, mas vou ser sincero, prefiro que o foco aqui seja meu trabalho. A Meave e eu estamos resolvendo nossas questões da nossa forma. E, sim, isso pode afetar minhas emoções, mas, no final, o que importa é a pista, é o desempenho da Ferrari.
Eu deixo a resposta escapar, a sensação de estar enganando a todos e a mim mesmo quase me sufocando. Não posso explicar tudo o que sinto, nem agora, nem com um microfone apontado para minha cara. A sala parece diminuir em torno de mim, e o som das perguntas seguintes soa distante. O peso daquelas palavras ecoa. "Estamos resolvendo nossas questões da nossa forma..." Não é verdade. Eu sei disso. Meave não está aqui. Não estamos resolvendo nada. Eu deveria estar em Paris, conversando com ela, pedindo desculpas, explicando tudo. Mas em vez disso, estou aqui, fingindo que posso continuar como se nada tivesse mudado.
Quando a cerimônia de entrega dos troféus termina, desço do pódio de primeiro lugar e praticamente corro para o hospitality da Ferrari, buscando um banho rápido antes de ir para o aeroporto. Eu não podia esperar mais um dia sequer para conversar com a minha garota. Enquanto estou saindo, encontro Haile, mas passo por ela sem nem ao menos responder às suas perguntas. Já tinha combinado com Carlos e pedido para que ele levasse minhas malas para o México.
O avião toca o solo de Paris com um suspiro aliviado, mas meu peito continua apertado. Cada segundo que se passa é mais um passo em direção ao que eu sei que preciso fazer. A correria no aeroporto parece irrelevante, um borrão de rostos e malas, enquanto minha mente está em um único lugar, Meave.
Saio da sala de desembarque, caminho rápido pelos corredores, sem olhar para os lados, sem absorver nada além do destino que tenho em mente. O táxi que eu pego é um borrão também, o vento pela janela parece um fantasma, frio e distante. As ruas de Paris, com suas luzes e movimento constante, tudo parece tão distante de mim, como se eu estivesse em um sonho, prestes a acordar e descobrir que não há mais caminho de volta.
Quando chego no prédio onde Meave mora, a realidade me atinge como um soco no estômago. Paris nunca pareceu tão grande, tão fria e distante. Eu toco a campainha e, por um instante, o som da porta sendo destrancada parece como um sinal um anúncio silencioso de que tudo está prestes a mudar, de que não há mais escapatória. A porta se abre lentamente. Meave está ali, parada na sua frente, com os olhos que eu tanto conheço, mas que agora carregam uma dor silenciosa que me faz vacilar. Ela não sorri. Não há acolhimento nos olhos dela. Apenas uma expectativa calma, que me faz engolir em seco.
— Charles... — A voz dela soa suave, mas eu posso sentir a tensão, a frieza na palavra. Como se o que restou entre nós não fosse mais a familiaridade, mas uma barreira que eu preciso derrubar — Eu me aproximo, cada passo mais pesado que o anterior, e a palavra que eu mais temia sai da minha boca.
— Meave, eu... Eu precisava vir aqui. Não aguentava mais ficar sem te falar — Ela não me interrompe, mas posso ver o movimento mínimo dos lábios dela, como se ela quisesse falar, mas estivesse se segurando. A dor dela é palpável. E eu, sem saber como começar, fico ali, sem palavras — Eu sei que você viu a foto. — Eu me arrisco a dizer, tentando quebrar o silêncio, mas a frase parece vazia diante do olhar dela. Eu sei que a explicação vai ser difícil. Mas ela precisa ouvir. — Eu nunca te trai. Não sou esse tipo de homem. Eu... Eu só não falei sobre Giada porque achei que não precisava. Achei que fosse um detalhe que não importava. Mas você tem razão, eu devia ter falado. Deveria ter contado tudo antes.
Meave não diz nada de imediato. Apenas me observa, como se estivesse decidindo o que fazer com as minhas palavras. Eu posso sentir o peso do tempo que passou. O que quer que estivesse entre nós antes, agora parece irreparável.
— Entra, vamos conversar aqui dentro — sussurra, colocando a cabeça para fora antes de dar espaço para que eu entrasse. — O apartamento estava exatamente igual ao da última vez que estive aqui. Por mais que ela tenha se mudado durante esse tempo em que estivemos juntos, é a mesma sensação que senti quando entrei pela primeira vez.