Enquanto Maeve descobre a adrenalina das pistas e Charles se encanta com o universo fashion, ambos aprendem a lidar com os desafios e sacrifícios de suas carreiras. Entre sessões de editoriais e voltas em alta velocidade, eles exploram suas diferenç...
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O carro desliza pelas ruas iluminadas da cidade, o rádio tocando alguma música francesa suave, dessas que Charles gosta de deixar tocando de fundo. Eu observo as luzes do lado de fora pela janela enquanto ele dirige com uma das mãos no volante e a outra, vez ou outra, alcançando a minha no apoio central. Silêncios tranquilos sempre foram fáceis entre nós, e esse era um deles confortável, familiar, quase íntimo.
— Lando mandou mensagem perguntando se a gente se perdeu — digo, rindo enquanto leio a notificação no celular. — E Anna acrescentou um se vocês não chegarem em cinco minutos, vou comer a entrada de vocês.
— Uma ameaça séria — Charles comenta com um sorriso contido, os olhos focados na rua. — Acho melhor acelerarmos, então. Ninguém sobrevive à fome da Anna — Quando estacionamos em frente ao restaurante, o lugar já está movimentado, com a fachada decorada em luzes quentes e uma música ambiente saindo sutil pelas janelas abertas. Um charme mexicano no meio da modernidade, aconchegante e elegante na medida certa.
Ao entrarmos, avisto o grupo logo de cara. Lando está no centro da mesa, gesticulando exageradamente no meio de alguma história que claramente já foi contada mais de uma vez. Anna está ao lado, com aquele olhar entre o orgulho e o meu Deus, ele não vai parar?. Ester está sorrindo, segurando uma taça de vinho, enquanto Carlos parece estar apenas esperando o momento certo pra interromper Lando com uma piada melhor.
— Olha só quem resolveu aparecer! — Lando exclama ao nos ver, levantando os braços como se estivéssemos atrasados para o próprio casamento. — A supermodelo e o monegasco! Já estava achando que vocês tinham fugido pra algum lugar secreto!
— Oi pra você também, Lando — respondo, rindo enquanto caminho até a mesa. Charles apenas balança a cabeça, divertido. — Até que eu senti sua falta — comento, olhando para o de cabelos cacheados, que sorri animado na minha direção.
— Eu te avisei que eles iam demorar — Anna comenta, sem tirar os olhos do cardápio. — Aposto que Charles estava debatendo qual camisa combinava melhor com o conceito mexicano — Ester engasga com o gole de vinho, rindo alto, e me lança um olhar cúmplice. Eu apenas suspiro, dramaticamente.
— Juro que tentei impedi-lo — brinco, puxando a cadeira ao lado dela. Charles se senta ao meu lado, tranquilo, como se nada disso o atingisse — Mas ele ficou atingido sim, graças a uma conversa que tivemos mais cedo — digo, olhando de lado pra ele, que segue firme na pose, como se fosse imune.
— No fim, foi uma escolha de excelência — ele responde, fingindo orgulho enquanto ajeita a manga da camisa. — Inclusive, vocês deviam agradecer por esse nível de elegância aqui à mesa ele passa a mão pelos cabelos, com aquele movimento ensaiado de quem sabe que está sendo observado. As meninas riem da cena, e ele ainda completa — Como se seu namorado se vestisse que nem o Lewis — lança um olhar debochado para Anna, que abre a boca, mas não consegue dizer nada de imediato, claramente indignada com a provocação.
— A única coisa que eu quero é comida — Carlos interrompe com um sorriso preguiçoso. — E que vocês contem o que fizeram nesse tempo todo. Queremos os detalhes —Ele passa a mão pelos próprios cabelos que, pra minha frustração silenciosa, continuam absurdamente sedosos. Quase sinto inveja daquele brilho natural.
— Se contar tudo, vocês que lutem pra digerir — Charles rebate de imediato, fazendo a mesa explodir em risadas — Não se pergunta esse tipo de coisa para um casal, Calos — diz, imitando o sotaque francês forçado dele ao pronunciar o nome de Carlos. O moreno revira os olhos, mas um sorrisinho entrega que ele achou graça mesmo que jamais vá admitir.
A noite começa assim, leve, barulhenta do melhor jeito, cheia de provocações carinhosas, histórias cruzadas e copos se erguendo em brindes improvisados. Entre uma garfada e outra, sinto a mão de Charles tocar discretamente a minha sob a mesa. É rápido, sutil, mas suficiente pra me lembrar que mesmo com todos ao redor, ele ainda está comigo ali, inteiro, presente. E naquele instante, no meio do caos e da alegria compartilhada, eu entendo, são esses momentos que fazem tudo valer ainda mais a pena.
As risadas vão diminuindo aos poucos, dando lugar àquele conforto tranquilo que só vem quando a comida chega e todo mundo se acalma. Os pratos são servidos, um mais bonito que o outro, e por alguns minutos o grupo se ocupa apenas mastigando e elogiando o restaurante escolha certeira de Lando, que parece particularmente orgulhoso.
— Eu falei que esse lugar era bom — ele comenta, com um sorriso convencido, apoiando o garfo na borda do prato. — Finalmente estou ganhando pontos com vocês — sorri animado fazendo com que solte uma pequena risada do mesmo.
— Ganhando pontos com a Anna, você quis dizer — Carlos corrige, com um olhar sugestivo. Anna apenas ergue uma sobrancelha, mas um leve sorriso escapa. — Ester me contou o que você aprontou quando estavam na casa dos pais dela — completa Carlos, dando um sorrisinho para o homem à sua frente, que se engasga com o vinho.
— Ele tá se esforçando — Anna comenta, como quem entrega um prêmio. Lando imediatamente se vira pra ela, teatral — Mas ele ainda tem que mostrar muito mais esforço pra que eu possa ser perdoado por completo — diz, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e lançando um pequeno olhar na direção dela.
— Isso é o mais perto de um elogio que eu vou receber esse mês? — pergunta, fazendo aquela carinha de cachorro sem dono pra loira ao lado. — Amor, eu já te pedi desculpa pelo que aconteceu — completa, meio manhoso. Eu nego com a cabeça, tentando esconder o sorriso, e olho confusa para Charles, querendo entender o que perdi nessa história.
— Provavelmente — responde Ester, rindo. — Então aproveita — ela toma mais um gole do vinho e se vira para Carlos, que a encarava com um sorriso leve, apaixonado, como se o mundo inteiro tivesse desacelerado só pra caber naquele momento — Vocês vão querer sair pra mais algum lugar ou cada um pro seu hotel? — pergunta, nos olhando.
— O que foi que eu perdi? — pergunto, ainda de olho no Lando, que passa a mão pelo rosto e bufa, sem dizer nada. Fica no ar a sensação de que o assunto renderia mais se alguém insistisse o suficiente. — Acho que todos deveríamos ir cada um pro hotel, porque amanhã tem corrida dos nossos fofuxos — lembro, e as meninas concordam com a cabeça. Charles esconde uma risadinha ao meu lado com a palavra fofuxos. — Mas podemos comemorar a vitória de Charles amanhã — digo, animada, virando pra ele com um sorriso cheio de expectativa. Ele retribui com um dos seus sorrisos grandes, genuínos, aquele que aparece nos olhos antes mesmo de chegar aos lábios.
— Lando ficou bêbado quando foi finalmente conhecer os meus pais — Anna solta do nada, com um tom de puro tédio, como quem já contou essa história mais vezes do que gostaria. — Tipo, muito bêbado. E o pior: embebedou o meu pai junto. Foi simplesmente uma catástrofe — ela se levanta e pega a bolsa, encerrando o assunto com classe. — Mas obrigada pela noite. Foi muito divertida.
— Charles ganhar? — Lando pergunta, soltando uma risada alta. — Não fica triste, Meave. Eu dedico essa vitória pra você... se a Anna deixar — se levanta junto dela, lançando um olhar brincalhão — Eu já te pedi desculpas por isso, amor. Ficar remoendo não vai ajudar — ele diz, colocando a mão no ombro dela, com uma voz quase mansa. Anna apenas ergue as sobrancelhas, do tipo ainda tô decidindo se te perdoo de verdade.
— Sinto muito, mas quem vai ganhar a corrida sou eu — Carlos anuncia, estufando o peito com orgulho enquanto também se levanta, com Ester ao lado. — Mas podemos comemorar do mesmo jeito — acrescenta, piscando pra mim antes de se virar pra namorada. — Preciso de uma massagem antes de dormir, cariño.
— Você tá sempre precisando de massagem, Carlos — Ester responde, rindo, já puxando ele pelo braço. O grupo começa a se dispersar na calçada do restaurante, entre despedidas carinhosas, risos abafados e aquela energia boa que só noites assim deixam. Charles entrelaça os dedos nos meus enquanto caminhamos de volta pro carro, e o ar da noite parece mais leve, mais limpo como se o mundo inteiro estivesse respirando fundo com a gente.