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Fico ali, encarando o homem à minha frente por um momento que parece se arrastar

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Fico ali, encarando o homem à minha frente por um momento que parece se arrastar. Há algo familiar no seu rosto, um tipo de sensação que não consigo identificar imediatamente, mas que me incomoda. Ele parece perceber que estou avaliando cada detalhe, e isso só aumenta a minha desconfiança. Mas, depois de alguns segundos de análise, a memória finalmente surge como um estalo, e tudo se encaixa.

— Meave... — penso baixinho, a ficha caindo. Esse era o ex dela. O cara que tinha gritado com ela naquele dia em que eu estava aqui pela primeira vez. Ela tinha pedido para que eu ficasse no quarto, e nós não estávamos nem namorando ainda. Mas, agora, a situação era completamente diferente. Ela era minha namorada, e quem atendeu a porta fui eu.

Olho para o homem à minha frente, e posso ver uma leve tensão em seu olhar, como se não soubesse exatamente o que esperar de mim. Ele está de pé, na porta, com uma expressão que mistura incomodo e algo mais. Não sei bem o que, mas o que eu sei é que a situação ali é delicada.

— Olá. — Ele finalmente fala, a voz mais fria do que imaginei. — Você deve ser o... novo — Sinto uma pontada de irritação subir, mas tento manter a calma. Não preciso ser rude, nem mesmo mostrar que isso me afeta.

— E você deve ser o antigo — respondo, tentando manter a voz controlada, sem deixar transparecer o desconforto. A última coisa que quero agora é um confronto. Ele me observa com uma expressão dura, mas parece perceber que a situação não está mais sob seu controle. Uma parte de mim até entende que o cara ainda deve estar processando o fato de Meave e eu estarmos juntos, mas isso não justifica o comportamento dele. Ele deu um passo atrás, talvez para evitar qualquer tipo de discussão, mas a tensão no ar ainda era palpável.

A tensão no ar é palpável. A forma como ele cruza os braços e estreita a expressão, claramente tentando controlar a raiva, só aumenta minha vontade de manter a calma e não ceder à provocação. Ele respira fundo, como se tentasse se recompor antes de soltar uma nova frase, mas a maneira como ele me encara deixa claro que não está nada confortável com a situação.

— Eu vim conversar com a Meave — ele diz, a voz mais ríspida agora. O tom irônico parece um desafio, como se estivesse tentando fazer com que eu perdesse o controle. — Você pode chamar ela, por gentileza? — Eu não consigo deixar de notar o jeito como ele tenta se manter superior, mas sei que a qualquer momento ele pode perder a compostura. E é justamente isso que eu quero evitar. Ele não tem direito de vir aqui e exigir nada. Meave não tem mais nada a ver com ele, e eu sou a pessoa que ela escolheu agora.

Eu respiro fundo, tentando manter a calma, e cruzo os braços, encarando-o com um sorriso controlado.

— Ela não tem nada para conversar com você — respondo, a voz firme, sem hesitação. — Não sei se posso chamar a minha namorada, será que posso? — O meu tom é de puro desentendimento, e a expressão em meu rosto deixa claro que estou tentando tornar a situação mais absurda para ele. Eu percebo a mudança imediata no rosto dele. Os músculos do maxilar dele se tencionam, e vejo a raiva crescer em seus olhos. Não que eu esperasse algo diferente. Ele claramente não lidou bem com o fim da relação e ainda estava com a sensação de que tinha algum tipo de controle sobre ela.

Avec affection MeaveOnde histórias criam vida. Descubra agora