capítulo 37

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Os olhos dela vagaram com lentidão pelo quadro em branco em sua frente

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Os olhos dela vagaram com lentidão pelo quadro em branco em sua frente. O silêncio havia tornado o dúplex maravilhoso. Sempre é quando o canalha do Sherman não está. A última vez que ela pintou foi antes do acontecido no Joey´s. Precisava fazer uns novos para vender e arranjar mais dinheiro. Graças as compras que tivera que fazer para satisfazer seu companheiro de moradia estava quase falida.

Maldito Sherman.

Jolie pegou o pincel e o mergulhou na tinta vermelha. E em seguida o levou até a tela, pausando a um centímetro de distância, analisando sua própria mente naquele dia. Não havia muita coisa arrumada nela, a maioria dos seus pensamentos diários consistiam em sua família, tanto aqueles que infelizmente viviam quanto aquele – ou melhor, aquela – que partiu.

Um suspiro saiu de sua boca ao mesmo tempo que seu celular começou a vibrar. Jolie largou o pincel e o pegou, franzindo o cenho quase automaticamente diante da mensagem.

O que esse cara quer comigo de novo?

— Fala sério, Sherman! — ela resmungou, discando o número dele e ligando.

Não levou nem um segundo para ele atender, com um som altíssimo de fundo.

— O que você quer? Se foi preso e precisa de ajuda, eu não estou disponível e não é problema meu.

— Que simpática, Bailey.  — Sua voz não estava embargada, o que era estranho já que passava de uma da manhã.

— Obrigada, foi a minha mãe que me ensinou.

Ele soltou um riso abafado.

— Por acaso sua mãe é a Owens?

— Como adivinhou? — Quase poderia imaginar um sorrisinho surgindo no rosto dele. — O que você quer, Calvin Klein? Desembucha, que eu estava ocupada.

— Fazendo? Colocando mais fogo na cozinha?

— Haha. Bem engraçado.

Ele riu outra vez. O som de fundo começou a lentamente diminuir até ser um eco distante.

— Posso te contar um segredo? — ele perguntou, o riso desaparecendo.

Jolie encostou as costas na cadeira e franziu o cenho, meio confusa. O que deu nele? Ao mesmo tempo em que parecia que ele estava bêbado, também parecia estar sóbrio.

Que estranho.

— Vá em frente.

O camisa 68 ficou em silêncio, deixando apenas os sons das respirações um do outro ocupar o lugar. E pela curiosidade, Jolie esperou pacientemente ele resolver dizer.  

— Quando eu era menor, talvez com uns dez anos de idade por aí, eu tinha um costume meio incomum — ele começou.

Ela continuou calada, apenas escutando.

Regra n°68Onde histórias criam vida. Descubra agora