Como você se sentiria ao descobrir que terá que dividir um dúplex por um ano com o cara que mais odeia?
Jolie Bailey era apenas mais uma entre poucas que odiavam os top 3 da universidade. Ainda que, seu ódio, iria muito além da popularidade do trio...
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Durante uma boa parte da sua vida, desde que se mudou da casa dos pais, Cal sempre tentava não se lembrar da sua infância e adolescência. Preferia evitar pensar a se atormentar. E aquilo o ajudava bastante.
No entanto, naquele momento, entrando no dúplex, ele se deixou lembrar um pouco.
•••
O barulho de um vaso sendo estilhaçado no chão o acordou. E mesmo que todos os seus instintos diziam para ele continuar na cama, esperando o dia de amanhã chegar e alegria se encher na casa, ele se levantou e saiu do quarto.
O corredor estava vazio e escuro e o silêncio só não era ao extremo por conta da discussão na sala.
Eles estão brigando de novo...
Ele suspirou conforme seguia para o outro corredor, passando em frente a abertura que levava para a cozinha. Tentou ser o mais silencioso possível. Não queria que aquela raiva fosse descontada nele.
Ou neles...
Cal se aproximou da última porta. Era rosa e continha inúmeras imperfeições.
Lembranças ruins.
Ele bateu quatro vezes até que ela for aberta.
— Vá para a cama, Mav — Nick disse, olhando-o com o rosto vermelho.
— Faz tempo que acordou? Estava no armário? — Cal entrou no quarto, trancando-o com a chave.
Ela assentiu.
Nicole era a mais velha. E naqueles dias... sempre a que mais sofria. Cal não sabia o porquê. Talvez fosse por ser uma garota – seu pai nunca quis ter uma – ou se era porque sabia que ele a defenderia. Nunca teve uma boa afinidade com o pai a menos que fosse em dias comemorativos.
Amanhã seria seu aniversário de oito anos. Quando o sol chegar, tudo iria se acalmar. Sempre se acalmava.
— Vamos — Cal disse.
Nick se apressou e entrou no armário outra vez. E ele a seguiu, fechando-o e se sentando ao chão juntamente com ela.
— Papai vai te machucar de novo? — ela perguntou.
Cal suspirou, rodeando o braço em torno dos ombros dela.
— Eu não sei.
— Mas amanhã é seu aniversário.
— Eu sei.
E o diálogo entre eles acabou ali, deixando apenas as vozes dos pais serem os únicos sons.
E eles escutaram cada um até o segundo em que o relógio ressoou meia noite e a porta começou a mais uma vez ser agredida brutalmente, fazendo-o finalmente relaxar.