capítulo 60

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O camisa 68 jogou na grama, os braços estendidos e o corpo suado

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O camisa 68 jogou na grama, os braços estendidos e o corpo suado.

Ele odiava treinos no período de tarde. O sol ficava no alto e queimava como brasas. O dia estava ensolarado e muito, muito quente. Tinha acabado de dar quinze voltas completas pelo campo e mais um misto de treinamentos. E tudo por causa de um campeonato nacional que só aconteceria em alguns meses.

Que saco.

Bailey sumiu. Não a via na universidade e por mais que quisesse ir até a cafeteria, não foi. Esperava ela no dúplex e ela não aparecia. Aguardava mensagens dela, mas ela não enviava nenhuma. Tinha se deslogado completamente dele e aquilo o deixava irritado e na mesma proporção magoado.

Ela não me odeia.

Não me odeia.

E as vezes parecia que sim. Porque ela estava sendo extremamente egoísta. Mas, ele entendia.

Estudar o fazia entender.

Jolie era importante para ele. E ele a queria. Muito mais do que queria no passado.

E estava tentando. E tudo parecia inútil.

Cal levou as mãos até o rosto e as manteve ali por um longo segundo até escutar alguém se acomodando ao seu lado.

— Vai. Desembucha. — Bruce.

Automaticamente tirou as mãos e o encarou com os olhos semicerrados. O camisa 24 mantinha as pernas dobradas e os braços apoiados em cima delas. Os olhos estavam fixos em um lugar que ele não precisaria olhar para saber.

Amber Owens. Sua namorada.

Cal ainda estava grandemente chocado pelo seu plano ter seguido esse rumo. Imaginava que ao se conhecerem, algo poderia surgir, mas ainda assim era surpreendente.

Eles não se gostavam. Passavam a maior parte do tempo se ignorando e mal olhavam para a cara um do outro. E agora estavam namorando.

Owens amava Bruce. E Bruce amava Owens.

Bizarramente chocante.

No entanto, Calvin estava muito mais feliz. Graças a ela o amigo estava feliz e melhor. E com alguém que ele confiava veemente que nunca o machucaria de novo.

— Desembuchar o quê?

— O que está acontecendo? E por que tudo indica que tem a ver com a Bailey?

Cal revirou os olhos, deslizando o braço para baixo, deixando-o como proteção para seus olhos.

— Eu estou bem.

— Eu te conheço desde o jardim de infância — Bruce retrucou. — E não sou estupido.

Cal suspirou.

— É complicado.

O amigo não disse nada, apenas esperou.

— Antes de tudo, cara, não fique bravo — avisou. E então se sentou, suspirando. — Eu conheço a Bailey.

Bruce franziu o cenho, confuso.

— É, vocês moram juntos.

— Não, antes disso. — Cal mordeu o lábio inferior. — Nos conhecemos quando ela entrou na universidade com a Owens. — Ele o encarou. — E não ficamos apenas em diálogos.

Bruce arqueou as sobrancelhas em completa surpresa.

— Foi algo nosso. Não queríamos contar a ninguém. — Ele apoiou as mãos no chão atras de si e tombou levemente o corpo. — Ficamos uns meses nesse lance. E aí tivemos uma briga feia e paramos de nos falar.

Houve um enorme silêncio. E aquilo o deixou um pouco agoniado.

— Não esperava que a Jolie tivesse um gosto assim — Bruce comentou finalmente.

E Cal usou a perna esquerda para chutá-lo, fazendo-o rir.

— E então? O que a mais nisso?

— Eu já disse, é complicado.

— Mas você gosta dela, não é?

Ele franziu o cenho.

— Eu imaginei depois que você ficou parado olhando para ela. Viajando.

Cal choramingou baixo e se jogou no chão, enfiando as mãos no rosto de novo. E Bruce riu novamente, achando graça.

 — Jenkins está certo, sua saúde mental não está nada boa.

— Cala a boca.

— Ele descobriu quando? — perguntou, mudando a questão.

— O que você acha, cara? Estamos falando do Howard.  

— Verdade.

O amigo ficou calado, o que fez Cal tirar as mãos e o olhá-lo. Havia um sorriso brincando em seu rosto conforme olhava para Owens.

— Sabe como eu conquistei a pompons? — perguntou.

O camisa 68 ergueu uma sobrancelha.

— Eu flertei com ela constantemente. Sempre fazia questão de deixar claro o quanto apreciava cada parte interna ou externa dela — disse, voltando-se para ele. — Agir é bom, Cal, mas falar é tão bom quanto.

Cal piscou algumas vezes.

— Você é a segunda pessoa a me dizer isso.

“Se ela não quer colaborar com atitudes, fala na cara dela tudo que você tem engolido... O que é melhor do que ser estapeado sem dó e nem piedade?”

— Quem foi a primeira?

— Amberzinha.

Bruce sorriu.

— Minha namorada é muito sensata.

E só aquilo fez com que Cal revirasse os olhos e se levantasse.

— Pare de me fazer inveja, cara. Coisa feia esfregar as coisas na cara dos amigos.

Dito isso, ele se afastou, deixando o amigo rindo alto.

Certo.

Novo plano oficial.

Vou me confessar.

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Regra n°68Histórias para pegar e não largar. Descubra agora