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SEIS SEMANAS ANTES DO ENCONTRO COM MERLE

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SEIS SEMANAS ANTES DO ENCONTRO COM MERLE

POV CASSIE

Era uma tarde particularmente tranquila. Andávamos às margens de uma cidadezinha que eu não conseguia gravar o nome de jeito nenhum. Encontramos alguns enlatados, água, munição - para armas que não tínhamos, pois sabíamos que hoje em dia quanto menos barulho fizermos, mais seguras estaríamos - , pilhas, um kit de primeiros socorros com bandagens, agulha e linha de sutura, esparadrapo, pomada cicatrizante, anti-inflamatórios e antibióticos. Com certeza era um dia de sorte.

Mal encontramos caminhantes. Dos dois dias que vagueamos por ali, encontramos no máximo seis.

Por um lado isso era ótimo.

Por outro, me fazia questionar onde tinham ido parar todas aquelas pessoas e, até onde nossa sorte iria?

(...)

Sarah dormia pacificamente em meus braços, enquanto eu observava a rua tranquila pela janela do segundo andar do prédio onde estávamos abrigadas. Gracie lia um livro sobre plantas e ervas medicinais jogada na cama velha, que rangia com cada mínimo movimento que ela fazia, e Sophia estava no banheiro.

Um sútil movimento do outro lado da rua me chamou atenção e eu me inclinei na janela fechada tentando enxergar melhor, com os olhos espremidos pelo sol que batia diretamente em meu rosto, mesmo com as nuvens cobrindo-o quase que por completo - era um dia nublado. De qualquer modo, eu foquei minha atenção na sombra que jurei ter se movido, porém, ela permaneceu parada.

Um arrepio subiu pela base da minha coluna até a minha nuca, arrepiando-me por completa, enquanto eu espremia ainda mais os olhos na direção da sombra, com algo gritando em mim para ficar em alerta; algo não estava certo, e eu sentia isso em meus ossos, como um presságio de que algo ruim estaria a espreita.

Me inclinei mais na janela, Sarah ainda mais firme em meus braços agora, pois a estava pressionando contra meu corpo com certa força pelo nervosismo que se instaurou em meu peito. Por alguma razão, meu coração disparou.

Me sobressaltei quando a porta do banheiro se abriu com um rangido alto, Sophia saía de lá com uma careta engraçada. Eu soltei a respiração que nem notei estar prendendo e me distanciei da janela, franzindo o cenho ao notar a toalha que minha irmã usou para tomar banho suja de sangue.

— Acho que fiquei menstruada — Sophia disse.

Eu sorri calmamente em sua direção. Sophia já tinha feito treze anos, mesmo assim, essa era a primeira vez que ela ficava menstruada e eu sabia que a cabecinha dela devia estar uma loucura agora.

Gracie largou o livro sobre a cama e se pôs de pé, caminhando até minha irmã e pegando a toalha suja de sua mão apenas para jogá-la em um canto qualquer do quarto. Depois, pegou nas mãos de Sophia com um sorriso terno.

THE RETURN OF THE DEADHistórias para pegar e não largar. Descubra agora