POV DARYL
Eu nunca pensei muito antes de falar. E muito menos me importei com o que dizia, afinal, não tinha o porquê. Ninguém que se importasse ou zelasse por mim, ninguém que se incomodaria ou se ofenderia com minhas estupidezes.
Minha mãe se matou com a porra de um cigarro quando eu tinha uns oito anos, e depois disso, meu pai estava sempre bêbado demais para criar os próprios filhos ou pelo menos fingir que se importava. Ele só se deixou afundar.
Merle cresceu sozinho, nas ruas, acreditando que tinha que ser o maior dos babacas para ter algum respeito. Era brigão e muitas vezes mula ou traficante de drogas. Tudo por alguns trocados.
E aí, tinha eu.
Eu cresci vendo minha família se autodestruir aos poucos. Cada dia mais um pedaço. Era a maldição dos Dixion's.
Eu não queria ser como nenhum deles, mas quando notei, já estava fumando um masso de cigarros por dia, bebendo para afundar as magoas e cheirando uma carreira aqui ou ali. O maior medo da minha vida tinha se tornado realidade, eu fiquei igual a eles. Igual a todos eles.
Achei que poderia fugir disso. Mas não podia.
Família era família, apesar de tudo.
Achei que estava perdido, que não havia salvação e que eu morreria na escuridão. Foi então, que ela fez o céu brilhar suas estrelas para me mostrar o caminho.
Cassiopeia McBride. A loirinha irritante que impressionantemente atirava melhor que eu. Aquela mulher desgraçada que roubou todos os meus pensamento coerentes e existentes deixando-a só, para povoar minha cabeça como bem quisesse. Fosse com momentos que eu desejava passar ao lado dela, ou com as situações mais libidinosas possíveis, onde eu a fazia gritar meu nome.
E isso me assustou.
Eu jamais desejei tanto alguém como desejei ela.
O grande problema é que não era apenas desejo; eu me apaixonei por ela, gradativamente, cada dia mais rendido. Disposto a tudo por ela; e apenas por ela.
Milagrosamente, minha Anjinha casou-se comigo. Sinceramente, não faço ideia de como fiz para convencer uma mulher daquelas a unir-se a mim. Logo a mim. A porra de um Dixon.
E todas as vezes que eu pensei que ela fosse correr, que fosse me deixar, como quando mostrei minhas cicatrizes para ela, Cassie ficou. Ela me olhava com aqueles olhinhos cheios de brilhos e o sorriso malicioso que era minha perdição e eu sabia com tudo o que eu tinha em mim que passaríamos por cima de qualquer obstáculo que a vida colocasse na nossa frente.
Então até mesmo o pior dia da minha vida, quando a vi ser baleada bem na minha frente e jurei que a perderia para sempre, se tornou um verdadeiro milagre quando Cassie sobreviveu e ainda agraciou nossa família com um bebê. Nossa filhinha, que apesar de todos os males, seguia crescendo cada dia mais no ventre da mãe.
E eu consegui perder as duas. Não consegui protege-las e as deixei partir. Culpei Merle, o mundo até a merda de Deus, se é que ele realmente existe - sinceramente, depois de tudo o que vi e passei, não acreditava mais nele há muito tempo. Se Deus era realmente tão bondoso e generoso assim, porque deixou o mundo se tornar o que era agora?
Ainda sim, não desisti, resilientemente procurando por elas por anos a fio, sempre deixando pistas para trás, e tentando seguir rastros que só existiam na minha mente desesperada.
Mas no fim, as achei. Ou melhor, fui encontrado.
Aí, eu fodi tudo de novo. A maldição Dixon fez seu papel de autodestruição e quando dei por mim outra vez, as razões da minha existência, haviam partido e deixado-me para trás. Como eu fiz por merecer.
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THE RETURN OF THE DEAD
FanfictionCarol e Ed Peletier, tiveram mais uma filha além de Sophia, Cassiopeia Peletier. Crescendo em um ambiente completo tóxico e agressivo, Cassie com ajuda de sua mãe, fugiu de casa na primeira oportunidade que teve após completar seus 18 anos. Agora co...
