Carol e Ed Peletier, tiveram mais uma filha além de Sophia, Cassiopeia Peletier. Crescendo em um ambiente completo tóxico e agressivo, Cassie com ajuda de sua mãe, fugiu de casa na primeira oportunidade que teve após completar seus 18 anos.
Agora co...
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POV CASSIE
SEMANAS ANTES NO SANTUÁRIO
O som dos portões se fechando atrás de mim me causou um calafrio que nem mesmo o sol quente conseguiu evaporar da pele. Eram grandes, de ferro enferrujado, rangiam como os dentes de um predador faminto que acabara de abocanhar a presa. Eu.
O intitulado Santuário, era apenas uma fábrica antiga, provavelmente de enlatados. Nos arredores, notei homens acorrentados, vestidos, literalmente, com sacos de batatas. Tinham um X no torso e andavam por entre alguns mortos presos por espetos ou correntes. O serviço deles era garantir que eles se manteriam no lugar e lidar com os que já estavam podres demais e conseguiam se soltar. Tudo isso, apenas para no final acabar como um deles, pois notei como a grande maioria dos errantes do campo estavam vestidos exatamente como os homens que lhes faziam a ronda.
Caminhei, escoltada por dois homens armados. Nenhum me encostou de verdade — não precisavam. O cano frio das armas nas minhas costas era persuasivo o bastante. Não protestei. Não chorei. Apenas abaixei os olhos, deixei o cabelo desgrenhado cair no rosto e fingi ser exatamente o que esperavam: uma mulher quebrada.
Mas por dentro?
Por dentro eu estava observando cada passo.
Cada muralha.
Cada olhar.
Cada guarda.
Meus olhos varreram o pátio onde os Salvadores trabalhavam — carregando caixas, limpando armas, montando barricadas. Alguns tinham o olhar perdido, outros, raiva. Mas poucos tinham esperança.
Era isso que o Santuário era. Uma prisão com cheiro de poder disfarçado de ordem.
Simon foi o primeiro a falar desde que me pegaram.
— Tá quietinha, docinho. Isso é bom. Negan vai gostar de você.
Olhei para ele com os olhos arregalados, como se fosse um cervo assustado. O que vi, porém, foi um homem que adorava exercer controle. Cada sorriso era uma ameaça disfarçada. Mas eu sabia lidar com esse tipo.
— Eu... eu só quero sobreviver — murmurei. Minha voz saiu fraca, ensaiada. Perfeita.
Simon sorriu satisfeito, quase como se eu fosse um brinquedo novo que ele queria mostrar pro chefe.
— Ah, você vai. Se cooperar direitinho.
Achei engraçado que mesmo eu tendo me demonstrado arisca a primeira vista, eles estavam caindo tão facilmente no meu papinho. Talvez tivessem pensado que minha acidez inicial não tinha passado de um surto temporário de coragem. E isso era bom, muito bom; perfeito para falar a verdade.
Homens; sempre tão idiotas e facilmente manipuláveis por mulher que eles julgavam ter controle total, quando na verdade não passavam da presa. Eu seria o lobo em pele de cordeiro que arrancaria coração por coração de todos aqueles que ousassem ficar no meu caminho. Nada me impediria de voltar para minha filha e minha busca implacável por meu marido.