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+16| Hannah Hernández, enlaçada pela saudade da infância perdida, retorna a Barcelona com o intuito de se aproximar de seus pais e o cultivo acadêmico. Inesperadamente, seu mundo se transforma ao se envolver com Pablo Gavi, a promessa do...
"Na mesma noite em que todos aplaudem minhas palavras, eu me calo diante do que mais dói lembrar."
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Foram dias silenciosos desde a tarde na cafeteria. Dias em que o tempo parecia se estender como um fio elástico, sem pressa de estourar. Eu acordava cedo, mais por hábito do que por vontade, e caminhava pela casa com passos leves, como se não quisesse acordar alguma coisa adormecida em mim. Comecei a escrever com mais frequência — não necessariamente histórias com começo, meio e fim, mas pensamentos. Fragmentos. Rascunhos do que talvez, um dia, se tornem algo maior.
Também passei a ter novos hobbies, eu comecei a correr pelo bairro nos fins de tarde, isso me ajuda a me manter focada e a sentir que estou fazendo algo útil para meu bem estar. Também liguei para Laurel, minha terapeuta de Barcelona e fizemos uma sessão ontem. Especificamente, falei sobre como estava me sentindo nos últimos tempos e, meu avô. A saudade que sinto dele.
Ainda é delicado falar do meu bebê e do Pablo. Eu não consigo. Mas sei que é um processo e que precisei falar sobre isso também. Mas por enquanto, quero evitar.
Nessa tarde, eu estou enroscada na manta do sofá, a cabeça encostada no vidro da janela, vendo a chuva fina riscar o céu. As luzes da rua já começavam a se acender, mesmo que o relógio ainda marcasse cinco e pouco. Suspirei e peguei o celular. Hesitei por longos segundos antes de apertar o nome dela na agenda.
Melissa.
Sinto saudades da minha melhor amiga. Já tem um tempo que nossas conversas são apenas respostas curtas e fotos engraçadas de boa noite. Eu preciso saber como ela está.
O coração dá uma batida mais forte quando o toque começa a soar. E quando ela atende, a voz me atravessa como um raio solar em um dia nublado.
Porque é isso que a Melissa é para mim.
O Sol.
— MEU DEUS DO CÉU! — ela praticamente grita. — Você tá viva? — acabo rindo um pouco, mas genuinamente.
— Sim, minha loira favorita. — falo com carinho e ela sorri do outro lado da tela, percebo que ela está na loja do time no CT, por conta da arara de roupas atrás dela.
— Sumida! Eu tava quase fazendo uma denúncia de desaparecimento internacional! — a loira fala, fazendo o seu drama, que nunca é chato, por ser ela.
— Desculpa... eu precisava dar um tempo. — confesso, um pouco triste, mas sendo honesta.
— Aham, pensar me ignorando, né? — ela retrucou, mas logo suspirou. — Desculpa. Não vou brigar. Tô só com saudade. — ela faz biquinho do outro lado da tela e meus olhos marejam sem que eu me desse conta.