61 | Linha Vermelha.

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"Alguns laços não precisam de nós para existirem — basta um fio, uma lembrança e a dor de quem ainda sente."

O silêncio

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O silêncio.

Ele era o meu único companheiro ultimamente. E ainda assim, era o som que mais me feria. Nesta casa que eu nem me lembrava mais como era viver nela, quando ainda estava sozinho. E agora, é sufocante estar nela.

Todos os dias, quando acordo, eu ainda olho pro lado, esperando ver alguma coisa que lembre ela. A escova de dente rosa apoiada do lado da minha. Meu moletom que ela sempre usava e tem seu cheiro, que está desaparecendo aos poucos. O livro que ela nunca terminava de ler na mesa de cabeceira.

E quando desço as escadas e vejo a porta do quarto do nosso anjinho fechada, sinto vários murros em meu estômago sendo distribuídos. Não sei como ainda tenho forças para continuar aqui. Mas ir para Los Palácios ficar com meus pais, não é uma opção.

E eu prometi pra mim mesmo que seria diferente. Que jogaria por mim. Por quem eu sou. Por quem ela enxergou em mim. Mas, no fundo... Parte de mim ainda joga por nós dois.

Porque, de algum jeito, a Hannah segue aqui. No silêncio entre os passes. No momento antes do chute. Na hora que o hino toca e eu fecho os olhos.

É nela que eu penso.

Mesmo que nunca mais volte. Mesmo que tudo fique assim. Mesmo que o tempo leve mais pedaços dela.

Porque amar... Amar não tem prazo. Nem prazo de validade. Nem endereço fixo.

E o meu amor por ela... Ainda mora aqui.

Na parte de mim que nunca aprendeu a dizer adeus.

Os últimos dias se passaram de forma arrastada. Acompanhados de uma sensação estranha dentro de meu peito. Depois da entrevista em que concedi e fui perguntado sobre Hannah e nosso relacionamento, passei boa parte do tempo me questionando se ela viu a entrevista.

Como se sentiu, se consegui tocar seu coração, pelo menos um pouco. Até mesmo cheguei a rodear Melissa com algumas perguntas que não foram respondidas. Não obtive sucesso em minhas especulações.

No entanto, apesar da dor, da saudade e da angústia, coisas boas aconteceram também. Fui convocado para os próximos jogos com a seleção espanhola. Eu tinha medo que, por conta do meu desempenho e o episódio no qual houve o apagão, a equipe técnica e o treinador quisessem me deixar de fora desta lista.

Mas para o meu pouco alívio, fui um dos escolhidos, juntamente de Pedri e Ferran. Iremos para Madri amanhã, então hoje ainda temos obrigações com o time, por isso, estamos no centro de treinamento, repassando alguns exercícios de recuperação após o jogo de ontem.

— Está pensando em que cabeçudo? — saio de meus pensamentos e olho feio na direção do Ferran que foi o autor do tapa.

— Você é um porre, sabia? — reclamo do atacante que apenas dá de ombros, enquanto Pedri ri, balançando a cabeça em negação.

— Deixa ele, Torres, sabemos bem no que ele está pensando. — Félix fala se aproximando com uma bola embaixo do braço. — Ou melhor, em quem. — se corrige e reviro meus olhos.

𝐄𝐋 𝐅𝐔𝐄𝐑𝐙𝐀  - 𝐏𝐚𝐛𝐥𝐨 𝐆𝐚𝐯𝐢Onde histórias criam vida. Descubra agora