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+16| Hannah Hernández, enlaçada pela saudade da infância perdida, retorna a Barcelona com o intuito de se aproximar de seus pais e o cultivo acadêmico. Inesperadamente, seu mundo se transforma ao se envolver com Pablo Gavi, a promessa do...
"Nem tudo que fica, é verdade. Nem tudo que vai, deixa de ser".
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Por alguns segundos, nenhum de nós se move.
É como se o tempo tivesse criado um espaço só nosso ali, no meio da escada, onde nada mais existisse além do que ficou mal resolvido. Eu sinto meu peito apertar, a garganta fechar, e antes que eu consiga formular qualquer frase minimamente coerente, vozes surgem do jardim.
— Ei! — Pedri chama animado. — Vocês dois aí, vão ficar se encarando até quando?
— O jantar vai esfriar! — Emília completa, rindo.
Dou um passo para trás quase por reflexo, retirando as mãos do peito do Pablo como se tivesse encostado em algo proibido. Ele pisca algumas vezes, como se também estivesse voltando à realidade.
— Vamos — alguém diz mais ao fundo. — A aniversariante tem lugar marcado.
Sou puxada gentilmente pelo braço, Melissa, claro que lança um olhar rápido entre mim e o Pablo, atento demais pra ser casual. Pedri aparece do outro lado, colocando a mão no ombro do amigo com cuidado, respeitando a lesão no joelho.
Caminhamos todos juntos até a mesa grande no jardim, iluminada por luzes quentes e suaves. O barulho das conversas se mistura ao som baixo da música ambiente. O cheiro da comida agora é mais forte, quase reconfortante.
E então acontece.
— Aqui, Hannah — minha mãe diz, puxando a cadeira para mim, bem no centro da mesa.
Antes que eu processe, outra cadeira é arrastada ao meu lado.
— Pablo, senta aqui — diz meu pai, num tom natural demais, como se não estivesse rearranjando o meu mundo inteiro com um simples gesto.
Meu coração dispara.
Pablo hesita por um segundo mínimo, quase imperceptível, e então se senta ao meu lado, com cuidado visível ao dobrar o joelho machucado. O movimento é lento, calculado. Dolorido.
Nossos braços ficam próximos demais. As pernas quase se encostam sob a mesa. Eu sinto a presença dele como uma corrente elétrica constante.
— Confortável? — Pedri pergunta, se inclinando para ele.
— Dentro do possível — Pablo responde, em voz baixa.
Respiro fundo e tento focar em qualquer outra coisa. No guardanapo branco dobrado à minha frente. No talher alinhado demais. Na pulseira no meu pulso.
Mas é impossível não sentir.
Quando todos já estão sentados, o burburinho diminui aos poucos. Meu pai se levanta, batendo de leve na taça com uma colher para chamar atenção. O jardim silencia, e de repente, todos os olhares se voltam para ele.