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+16| Hannah Hernández, enlaçada pela saudade da infância perdida, retorna a Barcelona com o intuito de se aproximar de seus pais e o cultivo acadêmico. Inesperadamente, seu mundo se transforma ao se envolver com Pablo Gavi, a promessa do...
"Alguns recomeços não precisam de promessas — só de coragem pra ficar, mesmo quando tudo pede pra fugir."
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Já faz quase um mês.
Vinte e seis dias, pra ser exata, desde que Pablo rompeu o ligamento e desapareceu da minha vida mais do que já tinha feito antes. Desde então, os dias passaram como neblina — ora densa, ora morna, mas sempre um pouco confusa.
Mesmo sem falar com ele, eu não paro de me preocupar. Eu ligo para a Melissa em horários aleatórios, só para perguntar se ele está comendo, se tem alguém com ele o tempo todo. Às vezes, pergunto até pro Pedri, disfarçando o nervosismo com um "só pra saber como ele tá". Stalkeio as redes sociais do Fermin e da Emília, tentando captar algum detalhe no fundo das fotos, como se conseguisse decifrar seu estado de espírito por um reflexo no espelho ou uma sombra no sofá.
E, não foquei em mais nada desde então. Continuei frequentando as aulas de literatura e indo até a cafeteria com Clara, mas, não dei uma resposta para Margaret sobre o livro. Senti que não poderia.
Não poderia ser tão egoista assim.
Eu ainda o amo e mesmo que eu esteja em silêncio. Só quero que ele fique bem.
Todo o resto, pode esperar.
O avião toca o solo de Barcelona e meu peito aperta de um jeito estranho, dissipando meus pensamentos vagos. É como se algo se partisse e se costurasse ao mesmo tempo. Eu olho pela janelinha e vejo o céu nublado, familiar, com aquele tom de inverno que parece pedir silêncio. Ao meu lado, minha avó segura minha mão. Ela não fala nada, e isso basta.
Passar pela imigração, pegar as malas, sair do aeroporto, tudo acontece no automático. Meus olhos procuram sem querer, como se esperassem por algo que sei que não vai acontecer. Não é ele quem vai estar ali do lado de fora. E eu já sabia disso. Mas isso não impede a pontada que sinto no peito quando vejo apenas o rosto cansado da minha mãe, e o sorriso contido do meu pai.
— Bienvenida a casa, mi amor — minha mãe diz, me abraçando com força.
O abraço dela tem cheiro de baunilha e saudade. Eu me agarro nesse momento porque sei que vou precisar disso mais tarde.
Apesar de toda a dor que já nos causamos.
— Pai. — falo ao me afastar do abraço da minha mãe.
Xavi apenas me olha por um momento, mas eu abro os braços sorrindo e ele vem até mim, me abraçando também com força, como se eu pudesse escapar a qualquer momento.
— Senti saudades, princesa. — ele sussurra e beija o topo da minha cabeça antes de afastar nossos corpos.
— Eu também. — admito e sorri fraco, depois olhando em volta quando eles começam a cumprimentar minha avó.
A casa tem o mesmo cheiro de sempre, uma mistura de café fresco, móveis antigos e o incenso que Alice acende nas manhãs de domingo. Tudo está no lugar — excetoeu.