Depois de ter ajudado a Kaila, fui para o meu quarto. Tomei um banho demorado para relaxar, vesti apenas uma cueca e fui dormi. Estava cansado, então não demorei a pegar no sono.
– Leonardo... – Uma mulher me chamava calmamente. – meu filho olha para mim. – Eu reconhecia aquela voz, mas eu não conseguia abrir meus olhos. – Você não consegue me ver né? Mas eu sei que você sabe quem eu sou. – Era ela. Claro que era, era minha mãe. – Essa menina, a Kaila. É sua salvação, é sua chance de viver. Cuide dela. Sei que agora você está vendo que seu pai não era como você pensava, mas ele nunca foi. Lembra quando eu disse que o tempo ia te mostrar? Então ele está te mostrando.
– Mãe... A menina, ela me odeia.
– Claro que não odeia e você sabe muito bem disso. Só faz o que eu estou falando você tem que proteger ela. Você terá que sacrificar por isso, mas o amor é assim, fazemos de tudo para ver a pessoa que amamos feliz.
– Eu vou ter que morrer por ela?
– Na hora certa você saberá esse sacrifício. Fique bem meu filho.
– Mãe? – Ainda ecoava o "Fique bem meu filho"
A voz foi sumindo, aquela calma que por mais que eu não tivesse enxergando eu sentia, foi embora. Abri meus olhos assustado, olhei para os lados e só estava eu no quarto. Deitei minha cabeça novamente no travesseiro, fiquei pensando no que eu havia acabado de sonhar. Na realidade em todos os sonhos esquisitos que eu tive desde que a Kaila apareceu. Tentei dormi, mas quando fui pegar no sono realmente era quase de manhã. Acordei por diversas vezes, não porque tive sonhos, mas eu acordava simplesmente, minha mente voltava em tudo que eu sonhei. Será que aquilo era muito mais que um sonho? Um aviso talvez. Mas que porra de sacrifício é esse que eu vou ter que fazer por ela? Finalmente voltei a dormi. Acordei algumas horas depois, com algumas batidas na porta.
– Entra. – Falei com voz de sono ainda.
– Licença. – Kaila entrou no quarto. – Os remédio você vai compra?
– Você sempre boazinha né? – Ela de um sorriso fraco. – Me ajudou quando eu não merecia, e está ajudando a Catarina mesmo ela não merecendo.
– Tenho coração mole.
– Vou trocar de roupa e vou ver os remédios, escreve o que eu tenho que comprar. É melhor, eu sou muito esquecido.
– Tudo bem, deixarei na mesa da sala.
– Ok.
Como havia prometido a Kaila, fui até a cidade comprar os remédios. Ela me deu uma lista, o cara da farmácia me entregou todos, paguei e voltei para casa. Assim que cheguei estranhei o carro do meu pai e do Arthur. Saí do carro com a sacola de remédio na mão, caminhei até o quarto das meninas, Kaila estava sentada na beirada da cama da Catarina.
— Os remédios. — Entreguei a sacola à ela.
— Obrigado.
— Ela melhor?
— Não. Júlia foi fazer algo para ela comer. — Ela mantinha uma cara preocupada.
— Ela vai ficar bem. — Tentei tranquiliza-la, mas sei que apenas minhas palavras não mudaria muita coisa.
— Você está diferente. Muito diferente. — Disse.
— Eu? Diferente? Como assim? — Realmente eu não havia entendido.
— Você não tem mais aquele olhar frio.
— E isso é ruim?
— Não, isso é bom. Você está se tornando uma pessoa melhor e isso é ótimo. — Ela deu um sorriso fraco.
Eu fiquei bagunçado, sem saber o que responder. Baguncei meu cabelo, e ela deu uma risada fraca pelo jeito que eu fiquei.
— Vou dá os remédios à ela.
— Você é enfermeira? Sei lá, você sabe remédio para tudo.
— Nem terminei a escola ainda. — Ela riu. — Minha mãe médica.
— Agora estar explicado.
— Você vai ser medica também?
— Não, eu gosto, acho bem legal, mas minha área é outra.
— Qual?
— Estilista. Você quer ser médico né?
— Queria. Era coisa boba de criança.
— Você ainda pode ser, só depende de você. Não é coisa boba de criança, só em tocar nesse assunto seus olhos brilham. — Ela levou a mão no meu rosto, acariciou o mesmo.
— Você falou igual minha mãe.
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Proibida pra mim.
RomanceDizem que a frieza é uma saída pra quem já sofreu demais. Talvez seja por isso que Leonardo seja assim, talvez seja isso o motivo que ele não nutri sentimentos. Ele talvez possa ter se transformado nisso, depois que sua mãe morreu ou pode ter sido t...
