Capítulo 57

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Minhas mãos e meus pés estavam amarrados na cadeira. Eu estava completamente imóvel. Os dois capangas do meu pai, estavam parados na porta.
- Sua namoradinha é muito gostosa. - Ele falou rindo enquanto beijava o pescoço da Kaila. Acabei fechando meus olhos de forma involuntária. - Abre os olhos, quero você vendo tudo.
- Vai me obrigar? - Continuei de olhos fechados.
- Você está testando minha paciência. - Ouvi um gemido de dor vindo da Kaila.
Abri meus olhos, ele estava batendo no rosto dela. Eu estava com muita raiva, meus olhos estavam ardendo, talvez eu quisesse chorar, mas não iria fazer isso, meu orgulho nunca deixaria.
- Senta aqui amorzinho. - Ele sentou na cama, e fiz sinal para ela sentar no colo dele.
Estava doendo, eu não sei explicar. Mas vê-la daquele jeito, não sei o que me dava mais raiva vê-la com outro, ou saber que estava sendo obrigada a fazer aquilo. Quando eu me soltar aqui, eu juro pela minha vida que eu vou acabar com a vida desse filho da puta.
- Ou você me obedece, ou eu mando uma bala na cabeça do seu namoradinho.
- Não precisa fazer isso Kaila. - Implorei quase.
- Está tudo bem. - Ela enxugou as lagrimas que caiam do rosto.
Ela se movimentou, e sentou no colo dele. Eles estavam transando na minha frente. E eu não posso fazer nada, ela não queria eu sei disso, ela estava fazendo aquilo por mim, porque ela sabe que ele é capaz de me matar. Meu rosto estava úmido, eu não sei há quanto tempo eu estava chorando, eu disse que meu orgulho seria maior, mas acho que me enganei. Fixei meus olhos em um ponto qualquer, tentei levar minha mente para outro lugar, mas nada abafava as porras dos gemidos que ele a obrigava a fazer. Tentei pensar na minha mãe, no sonho, em tudo, nada tirava minha mente daquele local. Olhei ao redor e sua arma estava em sua mãe, não tinha como eu me soltar e tentar ajudá-la.

Aquela situação estava embrulhando meu estômago. Como eu sentia orgulho de ser filho disso? Como que um dia eu quis ser igual á ele? Estava com ódio de mim, por ter me deixado levar por tanto tempo, achando que o auge da minha autoestima era ter o orgulho dele. Eu me esforcei todos esses anos, para ele ver como homem cheio de coragem, mas na realidade eu não passei de um covarde. Todo mundo sempre teve razão, não tinha sentido essa minha fissura por agradar meu pai.
- Você é uma delicia. - Seus lábios passaram pelo pescoço dela.
- Já acabou seu show? - Perguntei friamente. - Agora me solta.
- Vou te soltar a hora que eu quiser. E você acha que é só isso? O show só está começando.
Kaila estava imóvel na cama, provavelmente ela estava chorando, mas ela estava em silêncio. Verifiquei se seu corpo mexia, devido a sua respiração. Eu sei que ele não fez nada que pudesse mata-la, mas não sei, ela estava parada demais, vale todos os pensamentos.
- Kaila?! - Chamei-a. Ela me olhou com um olhar triste. - Você ta bem?
Ela apenas assentiu alguns segundos depois ela levantou e foi pegando suas roupas, em seguida se vestiu. Rodriguez estava encostado na janela falando no celular, seus capangas não se encontravam mais no quarto. Kaila começou a se vestir, queria chamar sua atenção sem fazer barulho, mas ela estava fixada no que estava fazendo. Olhei por todo o quarto e nada me vinha à mente, voltei olhar para ela, uma hora ela ia ter que olhar para minha cara. Finalmente ela me olhou, fiz um sinal e ela manteve os olhos em mim. Acompanhei meus olhos até a arma. Ela assentiu, caminhou devagar até onde a arma se encontrava, abaixou e pegou a mesma.
- Me ajuda a me soltar. - Ela teria que fazer leitura labial. Por que eu não podia soltar nenhum tipo de som.
Ela assentiu e se aproximou. Eu não sei o que era tão interessante que Rodriguez estava falando no celular, mas ele estava bem entretido, isso era bom. Kaila levou as mãos até a corda que prendia meus pulsos, pelo vistos os nós foram feitos que nem a cara, porque em segundos ela conseguiu desamarrar. Com minhas mãos soltas, me abaixei e desamarrei as cordas que amarram meus pés. Peguei a arma da mão da Kaila, a mandei sair do quarto, quando a porta bateu ele virou sua atenção para o que estava acontecendo no quarto.
- Que merda é essa? - Ele perguntou irritado.
- Somos nós dois agora.
Destravei a arma, e apontei para ele.
- Você não seria capaz de atirar no seu pai. - Dei um sorriso irônico.
- Pai? Que pai? Você?
- Leonardo...

Proibida pra mim.Onde histórias criam vida. Descubra agora