Rubeus Hagrid nunca teve o que se poderia chamar de uma "vida fácil".
Seu pai, Konrad Hagrid, era um bruxo puro-sangue afetado por uma maldição, e sua mãe, Fridwulfa, uma gigante que, anos mais tarde, Hagrid descobriria que seu pai havia persuadido a ajudá-lo a se libertar do feitiço que estava comendo seu cérebro.
A família Hagrid e sua linhagem pura haviam sido reduzidas a tal ponto que, quando Rubeus completou oito anos, ninguém se escandalizava ao ouvir seu sobrenome. Quase ninguém sabia que os Hagrid costumavam ser puro-sangue, na verdade, não a menos que alguém tivesse feito todas e cada uma das conexões necessárias entre as árvores genealógicas das famílias antigas. Seu pai, Konrad, não tinha irmãos. Era o único Hagrid puro-sangue que restava e, apesar de ter sido criado para fazer o sobrenome renascer e trazer glória novamente à família, tudo foi para o caralho durante uma de suas inúmeras viagens ao continente americano, mais especificamente a Cuba.
Como costuma acontecer com os preconceitos da supremacia do sangue, as consequências que eles trazem raramente são boas. Konrad Hagrid viajou por causa de um negócio de fabricação de roupas feitas com pele de criaturas (que era ao que sua família se dedicava), mas deixou escapar um pouco do que pensava sobre as raças ou seres considerados "inferiores" aos puro-sangue, e alguém que não deveria ter ouvido aquilo, ouviu.
Em Cuba, diferente da Inglaterra ou dos países europeus, não existia algo como "magia negra". Magia era magia, e o que variava eram as intenções com que ela era usada. Os bruxos e bruxas da região conheciam coisas que fariam as Artes das Trevas de outras localidades parecerem brincadeira de criança, mas, ao contrário de pessoas como Grindelwald ou Tom Riddle, eles não viam aquilo como poder, mas como uma ordem natural, algo que estava presente em todo ser vivo e em cada respiração deste planeta. Algo parecido com o Yin e o Yang.
Konrad Hagrid fez comentários depreciativos sobre as criaturas da região, sobre como elas sequer deveriam ser consideradas seres sencientes. O comerciante, com um sorriso tenso e sem nenhuma vontade de estragar seus negócios, não disse nada. No entanto, as pessoas próximas a ele não tinham a mesma paciência ou gentileza. Não podiam permitir que um europeu com ataques de grandeza deixasse suas terras sem uma represália por insultar seus animais sagrados, então, sem que Konrad soubesse, uma maldição o atingiu pelas costas.
Só um ano depois, quando o jovem se apaixonou por uma garota e tentou tocá-la, foi que percebeu o que havia acontecido. A dor que Konrad Hagrid sentia cada vez que tentava segurar a mão dela era algo que poderia perfeitamente tê-lo matado.
Então ele pesquisou uma vez após a outra, refez seus passos e, ao visitar a região ocidental do continente africano, uma vidente pôde lhe dizer o que havia acontecido.
— Alguém quer que você aprenda uma lição, Konrad — disse a vidente em sua língua nativa. Konrad lia a tradução de suas palavras graças a um feitiço. — Alguém sabe o que você sente em relação a tudo que não seja puro-sangue, ou sequer um bruxo. Quer que você volte atrás e aprenda com esse erro.
Konrad Hagrid gritou, então, perguntando o que queriam que ele fizesse, que faria imediatamente. O que quer que fosse. Qualquer coisa para poder tocar sua amada.
— Isso eu não posso lhe dizer, Konrad. Você precisa descobrir sozinho — a vidente respondeu com calma. — Mas é óbvio que querem que você aprenda, que deixe de ver as criaturas como inferiores.
Ao sair de lá, e decidido a descobrir como reverter aquela maldição, Konrad iniciou sua busca.
E, no processo, cometeu um de seus maiores erros.
Era claro o que a maldição queria: que ele aprendesse, aos poucos, a respeitar. Mas, se durante toda a sua vida lhe disseram que as coisas eram de determinada maneira, esse pensamento não mudaria da noite para o dia, que era exatamente o que Konrad queria. Então disse a si mesmo: "se eu for capaz de ficar pele com pele com uma criatura que desprezo, o feitiço deveria entender que eu não as odeio, certo? Deve saber que aprendi minha lição?"
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Desolation | Drarry
FanfictionHarry Potter estava morto. A guerra acabou. Todo o Mundo Mágico estava finalmente sob o regime de Voldemort. E Draco Malfoy fazia parte do círculo mais íntimo do Lorde das Trevas. Oito anos após a Batalha de Hogwarts, e com a aparição repentina de H...
