Apesar de desconfiado, Negan aceitou a minha proposta de ir atrás de materiais para Eugene produzir remédios e vacinas. Ele pareceu duvidar de cada explicação fajuta e sonsa que dei, mas engoliu mesmo assim. Talvez porque quisesse que eu me tornasse útil e ficasse distraída o suficiente para parar de atacar seus homens, ou talvez porque ele acreditasse que com Ethan como babá, eu me comportaria e faria exatamente o que tinha dito que ia fazer. Pobre iludido.
- Bom dia, cachinhos dourados, pronto para o nosso super passeio? - Cumprimentei Ethan e o vi se jogar de costas contra a van e suspirar.
- Não me amola, Alice. Eu disse que não queria ser babá e você me arranjou mais oportunidades de ficar na sua cola.
- Não finja que não está feliz por passar esse tempo comigo. - Retruquei, um sorriso irônico repuxando a cicatriz em minha bochecha. Foi notável quando ele a encarou e engoliu em seco.
Eu costumava querer sempre escondê-la, mas Negan achava que passava algum respeito e me induzia -talvez a palavra certa fosse "obrigava"- e ficar sem a máscara. Era extremamente desconfortável, mas eu não podia negar que ele estava certo sobre a questão de impor algum tipo de respeito esquisito.
- Me diz aí, por que o do topete não vai com a gente? Não é ele que sabe as paradas que a gente precisa? - Perguntou o guarda costas número 2, ao lado do guarda costa número três.
Negan tinha mandado os dois brutamontes como um reforço para Ethan, visto as minhas habilidades de descer o cacete em qualquer um.
Eu não sabia seus nomes e nem me esforçava para aprender. Eu os chamava de "surra" e "porrada". E, detalhe importante: eles não gostavam nem um pouco de mim. Mas como ninguém ali gostava muito de mim, eu não ligava a mínima.
- Eu estou tentando diminuir a quantidade de pessoas que eu não suporto nessa viagem. Como vocês dois estão indo, a cota já encheu, entendem? Enfim, crianças, hora de pegar a estrada. - Disse e entrei no veículo, sentando no lado do passageiro.
- Vaca. - Porrada resmungou, sentando atrás de mim na van. Seu olhar queimando a minha nuca me deu uma sensação estranha de perigo, como se algo muito ruim fosse acontecer. E talvez fosse mesmo, porque Surra estava ao lado do irmão e também me olhava feio.
Se tentassem algo contra mim, ao menos eu teria uma desculpa para arrancar suas cabeças sem que Negan me chamasse de "temperamental".
- Deveriam por os cintos, meninos, acidentes de carro são muito perigosos. - Meu tom inocente causou um rosnado em resposta, o que me fez rir.
Ethan logo deu partida e ligou o rádio. A melodia melancólica da música desconhecida me distraiu o suficiente durante grande parte da viagem. Estávamos indo muito, muito longe, até a cidade com o maior hospital ou centro de pesquisa que pudéssemos achar no mapa.
- Uma horda grande. Esquerda. - Avisei Ethan. Ele assentiu com a cabeça e soltou um "tsc".
- Eu vi. Não são muitos para nos preocuparmos enquanto estivermos na van.
- Mas vão nos seguir até chegarmos onde queremos chegar. E aí teremos que nos preocupar.
- Qual seu plano então, abelhinha? - Porrada debochou, mostrando os dentes grosseiros num sorriso feio.
- Talvez te usar de isca, seu tapado. - Retruquei e olhei para Ethan. - Podemos dar a volta num quarteirão, sair da van e nos cobrir com sangue e tripas deles. Isso vai ser o suficiente para chegarmos lá sem sermos comidos ou seguidos. Não falta muito para o hospital. Menos de 3 quilômetros.
- Podemos fazer isso. - Ethan concordou e fez como eu disse.
Assim que nos enfiamos no estabelecimento em frente a onde tínhamos estacionado, fizemos uma varredura e matamos os 7/8 zumbis que estavam ali. Era uma loja feminina de produtos para cabelo, roupas, joias e até perucas. Apesar do tempo que se passou, ainda dava para ver os preços levemente apagados.
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𝐋𝐞'𝐑𝐨𝐮𝐱 - 𝐂𝐚𝐫𝐥 𝐆𝐫𝐢𝐦𝐞𝐬.
Fanfiction𝙰𝚕𝚒𝚌𝚎 𝚗𝚞𝚗𝚌𝚊 𝚒𝚖𝚊𝚐𝚒𝚗𝚘𝚞 𝚚𝚞𝚎 𝚞𝚖 𝚍𝚒𝚊 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛𝚒𝚊 𝚊𝚗𝚍𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚊𝚒 𝚙𝚊𝚛𝚎𝚌𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚞𝚖 𝚊𝚛𝚜𝚎𝚗𝚊𝚕 𝚊𝚖𝚋𝚞𝚕𝚊𝚗𝚝𝚎, 𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚞𝚖 𝚖𝚞𝚗𝚍𝚘 𝚍𝚘𝚖𝚒𝚗𝚊𝚍𝚘 𝚙𝚘𝚛 𝚣𝚞𝚖𝚋𝚒𝚜 𝚎...
