8. Palavras e punições

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No sábado anterior à volta às aulas, da janela do meu quarto assisti Verena terminar de se arrumar para sair com Vinicius. Ela não fechara a janela de propósito, e desfilava com um short de pijama e sutiã em frente à janela. Não virou o rosto em direção ao meu quarto em momento algum, mas eu sabia que ela tinha consciência de que eu a observava.

Ela me mandara mensagem mais cedo perguntando se eu queria sair. Ainda estávamos de castigo, mas ambos ignorávamos isso. Não a respondi.

Estava estressado desde a visita de Lucas e além disso, tinha combinado de sair com Manu. Desci as escadas correndo quando vi a luz de seu quarto se apagando. Meus pai estava em uma viagem de negócios e minha mãe fingiu que não me viu saindo.

Na calçada, diminuí o ritmo e fingi surpresa quando vi Verena saindo de sua casa. Ela revirou os olhos quando me viu, mas caminhou em minha direção. Ela estava arrumada. Uma calça jeans justa que valorizava suas curvas e uma blusa com uns recortes estratégicos a deixavam com a aparência de mais velha. Para completar, saltos de uns bons dez centímetros. Ainda assim, tive que olhar para baixo para encará-la.

-Estava preocupada. Achei que você tivesse morrido. - ela ironizou e eu sorri. - Mas aí vi você me observando da janela e fiquei mais calma.

-Seus pais sabem que você vai pra outra cidade jantar com um cara mais velho? E no carro dele?

-Como você sabe disso? - ela franziu as sobrancelhas.

-Eu não acredito que você vai sair com esse babaca.

-Bom, pelo menos esse babaca quer sair comigo. E me beija mesmo quando não está bêbado. E não fica com outras na minha frente.

Acenei com a cabeça e ri desdenhosamente. Sabia que aquilo a irritava. Ela apertou os olhos.

- Ah, Vereninha. Desculpa, não sabia que você estava apaixonada por mim. Eu te vejo como uma irmã, você sabe disso, né? - coloquei minha mão em seu ombro, mas ela a afastou rispidamente.

-Ótimo. E incesto é crime. - ela sussurrou, se aproximando. Seus lábios estavam quase colados nos meus e eu podia sentir seu hálito fresco. - Que pena, irmãozinho. Eu até que gostava de te beijar.

Ela deu de ombros e quando tentei segurar sua cintura ela riu e se afastou.

Um carro virava a esquina e Verena suspirou.

-Bom filme! A Manu contou pra tooooodo mundo da noite inesquecível que ela está planejando. - ela piscou um olho e entrou no carro.

Passei a noite inteira pensando em Verena e Vinicius. Se ele a fazia rir. Se ela apoiava-se sobre o cotovelo quando ele contava alguma história. Se ela mordia os lábios envergonhada quando ele a elogiava. Se eles estavam se beijando.

Devo ter sido uma péssima companhia, mas Manoela não reclamou e na segunda feira me cumprimentou com um beijo no rosto.

Eu estava curioso para saber como tinha sido o encontro de Verena, mas não perguntei. Não foi preciso, também, pois durante a aula de educação física Vinicius gabava-se para quem quisesse ouvir sobre o final de semana. Preparávamo-nos para jogar uma partida de futebol e eu caíra no time dos sem camisa. Sorri ao lembrar do que Verena tinha me confessado na sexta anterior.

Procurei-a na arquibancada. Ela estava sentada ao lado de Aisha e Gabriela e ria despreocupada. A voz de Vinicius chamou minha atenção, e desviei meu olhar, a contragosto.

- Mas conta aí, Vini? - um amigo perguntava. - Ela é boa ou não é?

-Ô, deliciosa. - riu.

-Então quer dizer que você traçou? - o outro deu um soco no ombro do animal, que gargalhou.

VERENA - concluídaOnde histórias criam vida. Descubra agora