Novembro passou voando e eu e Verena vivíamos nossa melhor fase até então. Retomamos a amizade e nos tratávamos com carinho. Alguns beijos aconteciam, mas era o último mês de aula e eu estava estudando mais do que nunca, lutando para não pegar muitas recuperações. Verena tinha fechado praticamente todas as matérias no terceiro bimestre, mas também estava muito ocupada preparando-se para o intercâmbio de um mês que faria na Inglaterra. Não estávamos tendo tanto tempo para passarmos juntos como gostaríamos.
Enquanto as coisas com Verena finalmente tinham se acalmado, a situação em casa nunca tinha sido pior. Meu pai passara a dormir fora de casa constantemente e flagrei minha mãe chorando mais vezes naquele mês do que gostaria de lembrar. Minha irmã fingia que nada acontecia e passava a maior parte do tempo com as amigas da faculdade em Ribeirão Preto. Chegou 01 de dezembro, fiz 16 anos e de presente ganhei uma ligação de meu pai completamente bêbado. Inesquecível.
Apesar da minha vida familiar estar uma bosta, eu ainda tinha bons amigos e tentei ignorar a ligação de meu pai para comemorar a data com eles. Para alguns de nós já era férias, mas na semana seguinte eu começaria meu período de recuperação. Pegara menos matérias do que o previsto, e me dei por satisfeito.
Celebraria em um barzinho badalado, cujo dono era o padrinho de Sapo, facilitando com a parte financeira. Verena, para variar, estava atrasada. Mais cedo ela tinha batido à porta de meu quarto, me acordando.-Boa tarde, aniversariante. - ela sussurrou em meu ouvido, beijando minha bochecha e eu sorri. Agarrei sua cintura e ela caiu ao meu lado na cama.
- Feliz aniversário, Rafa. - sorri quando ela me beijou e passei a acariciar seu ombro nu. - Mas seu presente só mais tarde.
- Ah, vamos comemorar agora, vai. - puxei um pouco sua camiseta mas ela revirou os olhos e sentou-se.
-Tenho que terminar minha mala. - suspirou. - Te vejo às 21h, em ponto.
- Tá bom. - desdenhei. - Lá pelas 23h você chega.
- Eu vou ser pontual dessa vez, ok? Vamos apostar! - ela estendeu a mão animada e eu abri um sorriso.
- Valendo um beijo.
Como já era de se esperar, eu ganhara a aposta. Por volta das dez e meia da noite, ela apareceu. Usava um vestido azul piscina soltinho e um salto alto. Seus cabelos estavam soltos em ondas largas e os lábios curvados em um sorriso. Ela caminhou em minha direção e eu apontei para o relógio.
- Certo, então você ganhou. Sem graça.
- Bom, até que valeu a pena esperar. Você tá linda, Vê. - sorri e ela se aproximou o suficiente para que eu sentisse seu perfume envolvente. Colocou uma mão atrás da minha nuca e acariciou aquele local delicadamente. Seu corpo estava praticamente colado ao meu e eu sorria quando ela me beijou. Não foi um beijo muito longo ou ousado, mas quando nos separamos quase todos nossos amigos nos encaravam. Os mais próximos sorrindo, e os menos chegados surpresos. Minha irmã balançou a cabeça e riu.
- Ah, não ajam como se não soubessem. - ela revirou os olhos. Sim, provavelmente eles sabiam. Nunca tínhamos agido como um casal na escola, mas eles não podiam pensar que era apenas uma coincidência que sumíamos ao mesmo tempo durante as festas. Ou que as nossas brigas eram devido unicamente à nossa amizade. Mas encontrei o olhar de Manu e ela parecia chateada. Talvez já desconfiasse, mas aquele beijo era uma confirmação de que eu e Verena não éramos apenas amigos, como afirmávamos há tempo. Desde aquela saída ao cinema, Manu e eu tínhamos ficado outras vezes e embora eu tivesse deixado claro que não estava procurando nada sério, sua cara de decepção naquele momento era a confirmação de que Manoela guardava sentimentos por mim. Voltei a prestar a atenção em Vê quando ela sussurrou em meu ouvido:
- Passa em casa depois da festa para pegar seu presente. Meus pais estão em um casamento e voltam só amanhã.
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VERENA - concluída
Teen FictionVerena e Rafael são amigos desde o berço.E essa é a história de como eles passaram de melhores amigos inseparáveis a algo a mais. Algo grandioso. Algo que algumas pessoas passam a vida inteira procurando. Juntos, eles descobriram a raiv...