24. Despedida

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-Eu vou sentir saudades. - Verena resmungou, enquanto eu colocava minha mala no carro de Davi, estacionado na rua da minha casa. Ele tinha saído para atender uma ligação e enquanto isso, eu e Vê nos despedíamos.

- Vem com a gente! - sugeri pela milésima vez e ela riu. Já tínhamos discutido aquele assunto exaustivamente. - Esquece esse estágio no consultório do seu pai, já passou da hora de você contar para ele que não quer fazer Medicina.

- Não vou discutir isso novamente. Se você quiser, podemos discutir o fato de que você preferiu passar sua última noite antes da viagem em uma apresentação da pirralha da Fabiana do que com sua namorada.

Ela sorria sarcasticamente e eu tive que rir. Verena tinha adquirido certa implicância com Fabi e eu me divertia com a situação.

- Eu passei um mês ensinando a menina a tocar violão. Tinha que ver como ela iria se sair!

- Tinha também que ficar falando dela sem parar?

- Verena, eu me recuso a acreditar que você está com ciúmes de uma menina de 14 anos. - balancei a cabeça, ainda rindo.

- Ela é apaixonada por você! Já te disse. Eu vejo o jeito que ela te olha e o jeito que ela me olha, como se quisesse me matar.

- Isso é coisa da sua cabeça. E ainda assim, eu já sou apaixonado por outra menina. A mais linda da cidade, e também mais ciumenta. - puxei-lhe pela cintura e ela revirou os olhos, mas sorriu quando a beijei.

- Pense em mim quando estiver perambulando pelas gravadoras paulistanas. - ela fez charme e eu assenti com a cabeça.

- Sempre. - sussurrei, puxando-lhe para mais perto. Beijei-a novamente, dessa vez com mais vontade. Ela apertou minha nuca e mordeu meu lábio inferior enquanto minha mão descia por suas costas.

- Ei, mão boba. Estamos em público. - ela riu, olhando para os lados.

- Ah, amor, deixa eu aproveitar, vai. Três semanas longe de você vão me enlouquecer. - sorri safado e ela apertou os olhos.

- Então o que você realmente vai sentir falta vai ser o sexo? Bom saber. - ela levantou uma sobrancelha.

- Nem pense em usar o sexo como arma de chantagem, dona Verena. E não é só sexo. É sexo magnífico. O melhor do mundo. - eu brinquei, especialmente porque sabia que aquilo a deixava com vergonha. Dito e feito, logo ela estava vermelha, rindo com a cabeça enterrada em meu pescoço.

- Ótimo. Tenha em mente esse sexo magnífico durante essa sua temporada em São Paulo. Prometo que vou te receber da melhor maneira possível. - ela sussurrou em meu ouvido e eu abri a boca, incrédulo com suas palavras.

- Vereninha, Vereninha, não brinque com fogo. - passei a mão no meu cabelo, enquanto ela ria de mim.

- Ô, casal 20! Chega de melação, a gente precisa ir. - Davi gritou, aproximando-se de nós. - Precisamos passar na casa do Murilo e do Carlinhos.

- Ei, conta pra gente ... A Aisha tá bem? - Verena perguntou com uma sobrancelha arqueada.

- Aham. Na verdade, ela tá com uma gripe que... - ele se interrompeu quando percebeu que ríamos de sua cara. - Vão se fuder.

- Você está muito bem informado para quem só está interessado na coisa física, Davi. Ficou mais de dez minutos ao telefone com ela agora. Admite que tá gostando da Aisha, vai.

- Admito que estamos atrasados. Temos uma reunião hoje à noite com um representante de uma gravadora filiada a Universal Music, se não chegarmos a tempo eu nem sei o que sou capaz de fazer. - ele pulou para o banco do motorista, e nos encarou impaciente.

- Ganhe o mundo, meu rockstar favorito. - Verena brincou, me dando um último beijo.

- Me avisa quando sair da consulta com o neurologista, ok? - lembrei de pedir, antes de entrar no carro. Ela finalmente tinha decidido consultar um médico após meses com dor de cabeça.

- Tudo bem, pai. - ela revirou os olhos e eu ri.

- Amo você.

- Eu também te amo.

Pensávamos estar nos despedindo devido à viagem que eu faria. Mas era muito mais que isso. Era, inconscientemente, uma despedida de tudo que tinha sido nosso relacionamento até ali. Mais um ano estava terminando, e o ano seguinte seria um dos mais importantes de nossas vidas.Tudo estava prestes a mudar.

Meu segundo colegial foi marcado pelo meu relacionamento calmo e estável com Verena. Mas sabe o que dizem... Aquela calmaria antecipava uma tempestade. Talvez a pior que viríamos a enfrentar.

VERENA - concluídaOnde histórias criam vida. Descubra agora