" Um século atrás." – Começa Salmão. "– Existia um reino chamado Aurion. Era um reino de alegria e amor, ninguém era infeliz. O rei era muito bom, nunca roubara do dinheiro do povo e nunca traíra.
As ruas que circulavam o castelo eram de ouro, os muros tinham diamantes reluzentes. Nas extremidades das torres, tinham rubis que, ao meio dia, brilhavam, dando um tom avermelhado ao local. As maçanetas de todas as portas do castelo eram de bronze e os portões que davam para a cidade, eram de pratas brilhantes.
Pássaros de todos os tipos voavam e faziam ninhos nas árvores do jardim. Leões e tigres eram os animais de estimação. Carruagens brilhantes e grandes, levadas pelos cavalos mais lindos do reino, circundavam a cidade.
Em todas as árvores, brotavam frutas de várias cores e sabores, alimentando o povo. Ninguém nunca ficava com fome. As mesas sempre estavam fartas.
O rei de Aurion era realmente muito rico, porém humilde. Sempre ajudava os necessitados. Sempre estava sorrindo e falava com todos e todas, sem exceção.
Essa paz durou por bastante tempo, porém, quando seu irmão mais novo ficou maduro, as coisas mudaram. Ele era diferente do rei. Não ajudava ninguém, fazia maldades, não tinha compaixão e, principalmente, era feito de ganância.
Querendo tomar o trono, esse irmão conseguiu declarar guerra com os reinos vizinhos, causando incêndios, mortes, destruição e desespero.
Aproveitando-se da guerra, matou o rei e toda a sua família sem piedade. Tomou o trono e começou a governar Aurion, que estava em caos. O povo ficou sem moradia e comida. O novo rei tinha guardado toda a riqueza para si.
Doenças começaram a atacar as pessoas e, aos poucos, foram morrendo. Quando não restou mais ninguém, o irmão mais novo ficou solitário, rondando pelo castelo sozinho. Procurava pobres inocentes pra matar apenas por diversão. Então, depois de alguns anos, esse rei sumiu.
Seu nome virou lenda. O famoso Kamura. Muitos dizem que ele se matou por conta da culpa, outros falam que ele fez um pacto com demônios e agora está no inferno, mas também, dizem que Kamura ainda está vivo, rondando pelos reinos a procura de inocentes pra matar e que, qualquer dia, tomará um reino e fará terror por onde passar."
Comi o último biscoito e bebi um gole do meu leite. Fiquei pensativa por um tempo. Desde quando uma histórias dessas é usada para colocar crianças para dormir? Porém eu não posso falar nada, eu dormia com ela.
Salmão respirou fundo e bebeu seu leite.
- Alguma pergunta princesa? – Fala ele.
- Na verdade não. – Digo. – Obrigada por me contar.
- Não quero ser um incomodo, mas onde ouviste o nome?
- Em nenhum lugar. – Minto – Eu estava pensando na vida quando ele apareceu em minha mente.
O mordomo assente e se levanta.
- Com licença. – Diz ele fazendo uma pequena reverencia com a cabeça e saindo da biblioteca. Depois de um tempo, começo a andar entre as estantes cheias de livros. Eu não conseguia entender onde Kamura se encaixava nos assuntos da guerra. É apenas uma lenda.
Vou até a enorme janela com grandes cortinas azuis e fico olhando o lado de fora. Aqueles muros me impedindo de ver o que tem depois do castelo me deixa curiosa. Por que meu pai nunca deixou eu passar por eles? Ben e ele saem às vezes.
Quando chegam eu sempre pergunto o que foram fazer e eles respondem que foram ver o povo e saber como estão indo as plantações. Falam que todos estão felizes e que o reino está muito bem. Afinal, pelo o que eu escuto, todos amam o meu pai, falam que ele é um ótimo rei e que o nosso reino é excelente.
Essa é a primeira vez, em mil anos, eu acho, que o reino de Xalan entra em guerra. Mas por quê? O que aconteceu? Tantas perguntas e nenhuma resposta, isso me deixa com muita raiva. O que mais me intriga é o fato da guerra ser declarada de um dia para o outro. Foi muito rápido.
Batem na porta. Saio de meus devaneios e vejo quem entrou. É Emma. Ao me ver, dá um pequeno sorriso e corre em minha direção, me abraçando. A abraço também.
- O que aconteceu? Você já sabia de alguma coisa? Por que não me contou? – Faço várias perguntas ao mesmo tempo. Emma me abraça com mais força e começa a chorar. Eu não entendo e me afasto um pouco de seus braços.
- Emma, por que está chorando. – Pergunto. Ela me encara chorosa e tenta secar as lágrimas com a mão.
- Eu... Eu... Só peço que tome cuidado. – Diz ela.
- Com o que?
- Só faz o que eu estou pedindo. – Pede Emma chorando. – Fique sabendo que eu te amo. Seja forte.
- Emma, eu não estou lhe entendendo. – Falo. Ela sorri levemente.
- Só abra quando ele lhe entregar a maldição. – Diz Emma me entregando uma caixa retalhada com desenhos de cavalos alados, dragões e criaturas que eu nunca vi na vida. Sua fechadura era dourada e brilhante. Tinha a forma de uma cobra enrolada.
- Quem? O que? Me explica! – Digo confusa. Minha cabeça está girando. – Ele quem?! Que caixa é essa?
- Aislin. Seja forte. E não abra até receber a maldição. – Diz Emma chorando. Ela respira fundo e segura as minhas mãos. – Eu não posso te explicar, descubra por si mesma.
A encaro sem entender nada. Emma sorri e seca as lágrimas com um lencinho.
- Emma! – Escuto chamarem minha amiga.
- Tenho que ir. – Diz ela me dando um abraço apertado. Retribuo. – Seja forte. Por mim.... – Ela se afasta. – Espero poder te ver novamente.
- Emma... – Digo. Ela vira de costas e começa a correr, saído da biblioteca. Meu coração está doendo, mal consigo respirar. Eu não estou entendo mais nada. Estou paralisada. Encaro a caixinha de madeira. "Só abra quando ele lhe entregar a maldição" disse Emma. Que maldição é essa? E quem é Ele?! Olho para a janela novamente. Vejo a carruagem de Emma passando pelas pequenas ruas de pedra e indo em direção aos portões.
Vejo-a se afastar e, quando eles se fecham, meu mundo cai. Não sei o que fazer, estou perdida em meus próprios pensamentos. Minha cabeça está completamente confusa. E o que mais me preocupa é a última coisa que Emma me disse. "Espero poder te ver novamente." O que ela quis dizer com isso? Parecia que não iria mais voltar. Parecia que eu iria morrer...
^^
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O reino de Aurion
FantasyAislin é a uma princesa que não gosta nem um pouco de sua vida. É revoltada e não gosta de seguir regras. Sem saber o que tem depois dos enormes muros que cercam o castelo, ela se sente aprisionada e angustiada. Após o casamento de sua melhor amiga...
