Pesadelos sangrentos

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Depois que Philip se vestiu, eu fui até o banheiro e me olhei no espelho. O sangue escorria de meu nariz e passava pela minha boca, meu rosto estava com um aspecto molhado e avermelhado de sangue. Em baixo de meu olho direito, na maçã de meu rosto, tinha um arranhão com uma saliência rosada em volta. Meu cabelo estava todo bagunçado. Eu estava um caco.

- Conte-me tudo. – Diz Philip apoiado com o braço direito na quina da porta. Eu olhei para seu reflexo no espelho e depois desviei o olhar. Peguei um paninho e o molhei.

- Certo. – Começo. – Eu estava voltando para o meu quarto depois do jantar, então, quando estava no corredor, eu vi um vulto, o que me assustou um pouco. – Comecei a contar tudo para ele. Philip escutava em silencio e pensativo. Enquanto eu contava o que aconteceu, ia limpando o meu rosto, que estava fervendo e dolorido.

Quando terminei, Phil ficou alguns minutos em silencio e disse:

- Eu acho que isso é tudo piração da sua cabeça. Não leia mais esses livros de fantasia, você viu o que eles fazem contigo.

- Mas parecia tão real. – Digo e limpo o meu rosto com a água. Ele começa a arder e eu acabo mordendo os lábios para tentar aliviar a dor.

- Você deve ter sonhado acordada. – Fala Philip tentando otimizar as coisas. Assenti com a cabeça e continuei a limpar meu rosto. – Melhor você tomar um banho, esse paninho não vai adiantar nada.

- Eu não quero ir para o meu quarto agora. – Digo.

- Tá com medinho é? – Debocha Phil. Olho para ele com raiva.

- Queria ver se fosse com você.

- Mas não foi.

Faço uma careta e encaro meu reflexo no espelho, o sangue do nariz parou de escorrer um pouco e a dor diminuiu, acho que não chegou a quebrar, pode ter sido só a pancada que o fez sangrar, porque se tivesse quebrado, eu não estaria aguentando.

- Então você vai dormir aqui comigo? – Pergunta Phil.

- Vou. – Digo.

- Eu não deixei.

- Sou mais velha. – Dou um sorriso superior e ergo as sobrancelhas. Ele revira os olhos e dá as costas, se jogando em sua cama.

- Você vai dormir no chão. – Diz ele com a voz abafada pelos travesseiros.

- Não vou não. – Retruco.

- Vai tomar banho!

- Eu não tenho roupa para trocar. – Falo. Philip não responde. Ando até ele, que está esparramado na cama com o rosto enterrado nos travesseiros. Pego uma almofada e bato nele com ela. Philip apenas ergue a cabeça e me encara.

- Primeiro, eu não vou dormir no chão. – Digo – E segundo, não tenho roupa para me trocar.

- Usa uma minha. – Diz ele sonolento. Coloco as mãos na cintura e bufo.

- Onde eu vou dormir?

- Eu não sei! Resolve aí e deixa eu dormir criatura. – Diz Phil. Ele está usando um pijama cinza com bolinhas brancas de seda com mangas e calças compridas. Parece um bebê. Pego uma toalha e vou até o banheiro. Espero a banheira encher e depois tiro o meu vestido todo sujo de sangue e entro na água morna. Um alívio percorre meu corpo.

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