Cavalos Infernais

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Escutei risadas altas e distantes, elas não pareciam simples risadas, e sim, algo parecido com loucura. Coloquei meu ouvido na porta, escutei garrafas de vidro quebrando e um grito. Mais risadas. Pensei no que estava acontecendo lá em baixo, provavelmente a droga estava começando a fazer efeito. Algumas portas se abriam e fechavam no andar de cima, demônios ou criaturas corriam pelos corredores.

Pensei em Root, em como ele estava agora. Será que foi para o lado de fora ou preferiu ficar em seu quarto? Pensei em Titânio, na primeira vez que o vi fora de si fiquei aterrorizada, será que Caren o ajuda e fica ao seu lado? Tentei escutar mais um pouco a procura de vozes familiares, como a de Kamorra ou Phoenix e até mesmo a voz de Kamura. Será que ele também usa Fínindra?

E as crianças? Elas ficam no mesmo andar do que o meu. Será que elas conseguem dormir? Provavelmente sim, afinal, já devem estar acostumadas, mas deve ser aterrorizante. Eu devia dormir o mais rápido possível para não escutar nada, portanto, estava sem sono.

Peguei a sacola de pano e corri até minha cama, me cobri completamente e fechei meus olhos. Dorme, Aislin, dorme. Dorme sua idiota. Pensei. Eu não conseguia pegar no sono e as risadas aumentavam lá fora, o que dificultava mais as coisas.

- Aquela princesa só piorou as coisas! – Ouvi alguém gritar. – Chegou aqui, toda mimada e fresca.

Me enchi de raiva, porém continuei em minha cama, tentando dormir. Isso não vai demorar muito. Comi um pãozinho, distraindo-me um pouco do que estava acontecendo lá fora. Eram gritos, risadas, coisas quebrando, xingamentos, choro. Eram muitas emoções envolvidas, estava uma confusão! Tudo isso perturbava minha mente, era angustiante. Levei minhas mãos até meus ouvidos e fiz de tudo para não escutar. Eram tantas barbaridades, loucuras e lamentações.

- Parem, parem.... – pedi baixinho.

Bateram em minha porta e rapidamente fiquei sentada na minha cama. Meu coração disparou e quase saiu pela boca. Bateram de novo. O que eu faço?

- Q- Quem é? – gaguejo.

- Aislin! Sou eu... O Vulcano. – Ouvi a voz infantil entre várias outras sem sanidade. – Eu... Eu posso ficar ai com você? Estou com medo.

Engoli um seco. Pensei em Vulcano, uma criança de dez anos, sozinha e com medo. Eu, na idade dele, sempre corria para o quarto de meus pais quando estava chovendo e tinha trovões ou quando Ben contava histórias de terror pra mim, só de maldade para eu ficar com medo. Mas o caso de Vulcano é diferente. Ele passou por coisas que nenhuma criança deveria ter passado, provavelmente estava desesperado. E tinha uma coisa, ele não está com os pais.

Coloquei meus pés no chão e caminhei até a porta, segurei a maçaneta e falei:

- Vulcano, vou abrir a porta.

- Tá bom. – O garoto respondeu no outro lado.

Respirei fundo, segurei a chave, girei-a e abri a porta rapidamente. Puxei Vulcano para dentro e depois tranquei a porta. Olhei para ele, o garoto estava estático, me encarando com os olhos arregalados. Vulcano me abraçou de uma hora para a outra. No primeiro momento me assustei, mas depois retribui o abraço, acariciando seus cabelos cor de fogo.

- Obrigado... – Disse ele.

Assenti e segurei seus ombros, encarando seus olhos.

- Você escolheu a pior pessoa para te deixar mais calmo. Estou tão desesperada quanto você, ou até mais.

Ele deu um sorriso torto e depois olhou em volta, impressionado com as estrelas.

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