Olhei para Kamorra e percebi que seus ferimentos tinham se curado. Todos estavam confusos, acabados, sem saber o que fazer. Alguns sentaram-se no chão, outros começaram a andar de um lado para o outro e alguns, simplesmente saíram do local. Root foi o único que ficou parado, encarando o nada.
A irmã de Kamura começou a fazer algumas perguntas baixas e Phoenix foi o primeiro a se oferecer para responder. Percebi que ele sangrava em sua perna esquerda, porém, ele parecia disposto a ajudar Kamorra. Agora está comprovado, ele a ama.
Olhei para Root, ele não parecia tão abalado. Ele respirou fundo e me fitou, dizendo.
- Não sai de seu quarto hoje de noite.
- Por quê? – perguntei curiosa.
- Hoje não foi um dia bom, foi um choque, e muitos aqui só querem esquecer.
Root não precisou falar mais nada, eu entendi. Se eles querem esquecer, vão usar a droga. A Fínindra. Assenti com a cabeça e o vi se afastar. E mais uma vez, como sempre, as milhares de perguntas invadiram minha cabeça, cada uma se interligando com a outra.
Pensei em Thomas lá nas masmorras, provavelmente escutou alguns gritos e deve estar confuso. Uma vontade enorme de vê-lo me invadiu, mas eu não podia ir até lá agora, principalmente quando as coisas estavam prestes a ficarem estranhas ou até mesmo, perigosas.
Pelo menos Kamura ia explicar alguma coisa e, a partir das informações, quem sabe eu consigo alguma resposta? Afinal, eu já consegui uma hoje na sala de treinamento. Kamura não me matou ainda porque precisa de mim para uma tal de guerra. Será que esse ataque teve alguma coisa haver com isso? Acho que vou saber disso mais tarde. Ao pensar assim, fiquei ansiosa para que chegasse a hora que Kamura explicaria o que aconteceu.
Encarei uma das janelas, já estava de noite, umas sete horas mais ou menos. O céu negro estava com sem estrelas, o que não é muito comum, as árvores ao longe balançavam lentamente enquanto o vento frio percorria suas folhas. Me aproximei da janela e coloquei minha mão no vidro dela, senti minha palma ficar gelada.
As grades que cercavam o castelo, pareciam riscos pontudos ao longe. As montanhas distantes pareciam estar nos encarando, estava tudo tão sombrio. Respirei fundo, virei-me e olhei para tudo a minha volta. Estavam todos acabados, com olhos vazios e sombrios, solitários. Estavam sem entender nada há muito tempo, porém continuam a fazer o que Kamura pede, continuam a seguir as ordens. Guerreavam, perdiam amigos, mas mesmo assim, não diziam nada.
Ninguém estava bem ali, estavam todos perdidos. Sem forças físicas para continuar e, psicologicamente, mortos. Mas sinto um pouco de esperança, nem que seja mínima, existe entre os mais otimistas.
Ergui minha cabeça e encarei aquele teto cheio de pinturas, com lustres que iluminavam o local, os detalhes dourados deixava tudo mais brilhante. As sacadas estavam vazias.
Abracei meus próprios braços e comecei a caminhar, indo em direção a uma escada, a subi silenciosamente. Percebi alguns olhares me fitando, mas ignorei-os. Ao chegar na segunda sacada, andei mais um pouco e entrei em um corredor, abri uma porta e, estava em meu quarto. Eu consegui!
Dei um pequeno sorriso e fechei a porta atrás de mim, respirei fundo e encarei o lustre com poucas velas acesas. O quarto estava mal iluminado, causando sombras nos cantos e perto dos móveis. Encarei a caixa de Emma por um tempo. Eu vou esperar. Não posso abri-la agora, não entendo quase nada, imagine conseguir entender esse segredo que Emma deixou para mim. Eu simplesmente não fazia ideia de quem iria me dar a maldição. Se fosse Kamura, ele já teria entregado e tipo, alguém chega para mim, dizendo:
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O reino de Aurion
FantasiAislin é a uma princesa que não gosta nem um pouco de sua vida. É revoltada e não gosta de seguir regras. Sem saber o que tem depois dos enormes muros que cercam o castelo, ela se sente aprisionada e angustiada. Após o casamento de sua melhor amiga...
