- O que você disse? – Pergunta minha mãe incrédula.
- Olhos flutuantes que me seguiam de noite. – Respondo. Ela me encara com uma expressão que não consigo decifrar. Seus olhos são como labaredas de fogo de tanta raiva.
- Você só deve estar maluca, garota! – Diz minha mãe por final. – Olhos flutuantes não existem. Como você chegou a este ponto? – Ela morde um pedaço de pão. Meu irmão e meu pai já saíram da mesa do café da manhã, me deixando sozinha com a minha mãe se corroendo de raiva por dentro.
- Eu acho que foi os livros que li ontem. – Respondo bebendo um gole de suco. Já passei a metade da manhã levando bronca, principalmente pelo estado do meu rosto, que agora estava com arranhões e o nariz estava roxo.
- Livros? Você vai colocar a culpa nos livros? – Pergunta ela. Assenti com a cabeça. – Isso tudo é por que a sua amiga foi embora. Você com certeza está sofrendo de colapsos mentais, vou chamar um psicólogo.
- O quê? Não! Você não vai chamar nenhum psicólogo, eu não preciso. Estou bem.
- Desde quando uma garota que vê olhos flutuantes está bem da cabeça?
Bufo e cruzo os braços. Estou borbulhando de raiva por dentro.
- Mãe, eu não preciso de psicólogo! Eu não quero. – Digo.
- Você não tem querer. – Diz minha mãe com o nariz empinado. Odeio quando ela fala isso, parece que sou uma prisioneira e não posso fazer nada. Phil nunca sofreu disso, sempre foi o queridinho.
Empurro meu prato para a frente, fazendo meu copo cair no chão e quebrar. Me levanto com raiva.
- Aislin, volte, ainda não terminamos a conversa. - Diz minha mãe séria.
- Eu não sou obri... – Olho para minha mãe e, atrás dela, na janela, vejo o reflexo de alguém atrás de mim. É uma sombra alta e negra. Dou um grito e me viro para trás, não vejo nada.
- O que aconteceu agora?! – Minha mãe se levanta e fica me encarando.
- Você não viu? Tinha... Tinha uma sombra aqui atrás de mim. – Digo com o coração batendo fortemente. Olho para a janela, nenhum sinal dela.
- Isso já passou dos limites! Para o seu quarto garota, agora. – Minha mãe fica de pé e me encara com raiva. Reviro os olhos e saio daquele cômodo. Passo pelo enorme corredor entre a sala do trono e o salão de festas, depois sigo para as escadas. Olho para as janelas, me deparando com aqueles enormes muros que me deixam mais aflita.
Chego no andar de cima e vejo Salmão passando um espanador de pó nos quadros e nas tochas, que estão apagadas, é claro.
- Bom dia princesa. – Diz ele sorrindo.
- Bom dia uma ova. Está um horrível dia. – Digo mal humorada. Ele franze o cenho e fica com uma expressão de dúvida, porém não fala nada. Passo por ele mas paro, quero lhe fazer uma pergunta.
- Salmão, sobre a história que você me contou ontem, tem mais alguma coisa a me dizer? Queria saber mais. – Digo. Ele engole um seco e coça seu queixo.
- É... Dizem que Kamura tomou banho no sangue de seus familiares. – Diz salmão. – Já ouvi falar também que ele criou um exército de criaturas. Não sei muita coisa princesa. Desculpe-me.
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O reino de Aurion
FantasíaAislin é a uma princesa que não gosta nem um pouco de sua vida. É revoltada e não gosta de seguir regras. Sem saber o que tem depois dos enormes muros que cercam o castelo, ela se sente aprisionada e angustiada. Após o casamento de sua melhor amiga...
