Tinham pássaros para todos os lados, animais fofinhos corriam pela colina, as flores eram cheirosas e as árvores balançavam lindamente com o vento. Eu estava no paraíso, eu acho. O Sol era grade e se punha em um tom dourado belíssimo. Senti a brisa beijar meu cabelo e acabei fechando os olhos. Ali era perfeito, tinha uma áurea deliciosa e confortável.
Ao longe, embaixo de uma árvore com um tronco retorcido e alta, com folhas e frutos, minha família estava fazendo um piquenique e me chamava, avistei Emma também, ela acenava e gritava meu nome, pedindo para que eu me juntasse a eles.
Abri um enorme sorriso e comecei a correr até eles, a grama em meus pés descalços era macia. Me sentia livre e feliz ali, mas como sempre, estava bom demais para ser verdade. Ao chegar perto deles, sentei-me ao lado de Phil, que sorria para mim e então sua pele começou a ficar acinzentada e pálida, ele foi ficando magrelo e o que era para ser sua carne e pele se dissolveram em pó, indo embora com o vento.
Restou apenas sua caveira que sorria para mim. Todos a minha volta estavam assim, até Emma. Fico desesperada e me levanto, com o coração a mil.
- Sente-se minha filha. – Pede minha mãe com aqueles seus buracos da caveira sem os olhos. Tudo ao meu redor perdeu a cor, as árvores estavam sem folhas, os animais morreram e as flores se transformaram em rosas negras, era uma paisagem assustadora.
O urso aparece rugindo e começa a bater nos esqueletos, quebrando-os. Caio no chão e rolo colina abaixo, tudo está girando em minha visão. Ao deixar de rolar, sinto algo em meus pés e ao parar para ver, a cobra enfeitada de joias está se enrolando em mim. Tento fugir, mas agora ela já está até a minha cintura e, rapidamente, me envolve completamente, sufocando-me.
Grito com todas as minhas forças e quando percebo, estou me afogando em um rio de sangue, aquele líquido desce pela minha garganta. É horrível! O sangue é escuro e o rio corre em direção à uma cachoeira. Fico desesperada e como não sei nadar, fico me afogando mais ainda naquele sangue, me debatendo loucamente. Grito por socorro, mas não adianta nada. Caio cascata abaixo, tudo vai ficando escuro, e consigo escutar gritos e gemidos de sofrimento. Quero sair dali, mas a queda parece não ter fim, berro e esperneio.
Acordo gritando, suada e ofegante. Pisco várias vezes, e olho em volta. Estou presa em uma jaula de ferro, seguro as barras e vejo onde estou. É uma sala de tortura, com todos os objetos que se pode imaginar. No alto na sala, janelinhas que deixam entrar um pouco de luz solar. Na minha direita tem um armário de madeira, enfeitado com desenhos entalhados de todos os tipos. Na esquerda, uma enorme porta com maçanetas brilhantes e uma estante com alguns frascos de veneno.
No centro na sala, uma mesa quadrada e grande, com alças de ferro nos lados e nas pontas. Nos pés na mesa, tinham algumas facas, todas de várias formas e tamanhos. Tinha uma de ouro até. Embaixo do móvel, um lindo tapete retangular, com desenhos de sois e dragões, ele estava sujo com gotas de sangue. Aquela mesa era para torturar, imaginei quantas pessoas morreram ali, da forma mais cruel possível.
Eu serei a próxima a ir para àquela mesa, vou ser torturada, mas... Onde estou? Que lugar é esse? Aperto as barras com força e começo a balançá-las, mas elas não saem do lugar, o que já é bem provável.
- Me tirem daqui! – Grito – Onde eu estou?! Quero sair!
Meus gritos não adiantam de nada. Por quanto tempo eu fiquei ali? Aquele homem deve ter me trazido para cá pra me torturar. Grito mais umas centenas de vezes e não obtenho nenhuma resposta. Me encolho em um canto e olho para as minhas vestimentas, são as mesmas, o vestido que antes era branco, agora estava completamente sujo de terra e sangue, com alguns rasgos. Vejo que no canto direito da jaula, tem uma parede pequena que leva à um banheiro com apenas uma pia e uma privada.
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O reino de Aurion
FantasiaAislin é a uma princesa que não gosta nem um pouco de sua vida. É revoltada e não gosta de seguir regras. Sem saber o que tem depois dos enormes muros que cercam o castelo, ela se sente aprisionada e angustiada. Após o casamento de sua melhor amiga...
