21 anos atrás...
Desde criança eu trabalhava, na televisão claro, mas não deixa de ser menos digno por isto, eu gostava, conhecia todo tipo de pessoas e tudo parecia um pouco imaginário. Daquela vez os produtores haviam visto meu buque e se interessaram por mim logo de cara me escalando para um comercial de seguros. Eu e minha mãe ficamos esperando em uma salinha enquanto não nos chamavam.
Eu tinha meu cabelo repartido em dois e preso deste modo, tipo Maria Chiquinha com tranças e usava um vestido branco rodado quando pela porta entrou uma mulher muito alta, branca e loira, o tipo que não se vê comumente andando pela rua. As suas costas apareceu um menino que parecia ter a minha idade, ele tinha o cabelo perfeito e o rosto que você gostaria de morder e morder. Ambos se sentaram do nosso lado. Eu fiquei olhando o garoto por um tempo. Ele me viu olhando, mas apenas continuava com uma postura série como se fosse um adulto. Me levantei e sentei ao seu lado. Ele me olhou um pouco surpreso
— Nunca venha com fome pra estes lugares, eles só tem bolachas de água e sal, e nunca, nunca em hipótese alguma encoste em qualquer coisa sobre a mesa se estiver trabalhando com outras crianças. — Disse sussurrando pra mim enquanto ainda olhava para frente, como se aquilo fosse um segredo. Me inclinei para ele também.
— E tome cuidado com uma tal de Dulce Maria, ela parece legal com seu jeitinho descolado e suas trancinhas na cabeça mas ela não é. — Disse no mesmo tom que ele havia usado. Ele soltou uma risadinha.
— Nunca gostei de pessoas descoladas e com trancinhas na cabeça, não tem problemas.— Ele olhou para o meu cabelo. — Mas quem verdadeiramente tem que temer é um tal de Christopher Uckermann. Não sei se é bem assim o nome dele, mas ele costuma ficar dando dicas erradas pros outros para comer tudo o que tem sobre a mesa. Não acredite neste cara. — Riu e eu tive que fazer o mesmo quando minha mãe olhou para nós dois com cara feia. Podia escuta-la dizendo: Comporte-se Maria. — Você acredita em destino Dulce Maria?
— Acho verdadeiramente que não senhor Christopher sobrenome difícil que eu jamais vou lembrar.
— Pois eu acredito. Algum dia eu... Você... Nós vamos ser muito famosos.
— Quem te disse isto Sobrenome difícil?
— Eu sei lá, eu só sei.
Volto das lembranças.
— Não sei se está se escutando. — Solta Iliana.
É de noite agora, e estou em uma festa de um clube grande a céu aberto. A praia é logo a frente e o som das ondas chocando-se indo e vindo e se chocando novamente parece uma musica doce e eu não consigo prestar atenção na canção que está tocando no momento. Uso um vestido branco tomara que caia sem nada demais. O lugar está apenas lotado. Olho com bastante atenção para ver se vejo Christopher, mas parece que não tenho sorte alguma.
— Sabe, vamos encher a cara. — Diz Iliana e esta é a melhor ideia que eu posso escutar. Viramos algumas taças de champanhe simultaneamente, não que seja minha bebida favorita e logo me sinto um pouco alta.
— Dulce Maria. — Escuto um som alto me chamando e logo as pessoas estão me puxando pelo braço em direção ao palco sem que eu possa fazer nada. Minhas pernas estão tortas e parecem fracas e há uma luz diretamente na minha casa. Um dos caras da banda me sorri.
— Será que não poderia dar uma palinha pra gente? Somos todos seus fãs aqui na banda sabe. — Cochicha e eu duvidava da veracidade. Ele me entrega o microfone e me vejo na enrascada da minha vida.
— Eu não sei... — Começo a dizer e eles começam com uma melodia que eu conhecia. Wrecking Ball da Miley Cyrus. É sério isso?
— Façamos um dueto. — O vocalista me diz. Penso que tudo vai dar errado e quando olho para frente ele está parado olhando pra mim com seus grandes olhos castanhos de chocolate e seu cabelo levemente bagunçado. Senti tudo quebrando dentro de mim em pedacinhos irreconhecíveis, pois tudo que eu queria fazer naquele momento era pular em seus braços como se eu jamais houvesse saído deles, como se fosse certo. Christopher!
Wrecking Ball
We clawed, we chained our hearts in vain
We jumped, never asking why
We kissed, I fell under your spell
A love no one could deny
Bola de Demolição
Nós arranhamos, acorrentamos nossos corações em vão
Pulamos, sem perguntar por quê
Nós nos beijamos, eu caí no seu feitiço
Um amor que ninguém poderia negar
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Poderíamos Cair (Vondy)
FanfictionPoderia uma promessa feita a anos atrás alterar tudo? Christopher e Dulce Maria prometeram que se casariam se chegassem aos 30 anos solteiros, no entanto quando esta data está para se cumprir, Chris permanece com sua namorada e Dulce tem que enfim e...
