— O que você fez? Se tiver se metido com problemas com Pedro, eu posso dar um jeito.— Christopher segurou em meu braço olhando em meus olhos. Aquilo era difícil, pois ele tinha sido meu problema desde o início. Me separei dele descendo as escadas do ônibus.
Eu lembro de terem me colocado em um carro e me levado a um hospital particular, de me deitar em uma maca, te terem tirado uma amostra de sangue, dos seguranças na porta, de ter dormido sem querer. Quando voltei a abrir os olhos me surpreendi que duas horas já tinham passado. Pedro e um médico me encaram com um papel nas mãos.
— O resultado deu negativo para gravidez. — Falou o homem de jaleco branco antes de se retirar. Em seguida entramos em um carro rumo ao hotel.
— Dulce, o que tem na cabeça? Espero que não se esqueça da clausula contratual que não permite gravidez durante o período de formação do grupo.
— Eu nunca me esqueço Pedro. — Respondi ao homem sentado ao meu lado. Eu me sentia aliviada é claro, mas dentro ainda estava absolutamente assustada pensando nas consequência de tudo aquilo.
— Grávida de um jogador de futebol, tão clichê. Espero que este tipo de situação não volte a se repetir. Vamos fingir que isto nunca aconteceu. Eu confiei muito em você Dulce Maria, mas talvez eu tenha que ter uma conversa com sua mãe.
— Não vamos fingir que nunca aconteceu? — Respondi preocupada voltando a me encostar ao vidro frio blindado. Minha mãe não perdoaria um descuido assim. Era minha vida, mina carreira em jogo.
Vaguei pelo quarto sem sono ou mesmo fome, eu não sabia como me sentia ao final de tudo, às vezes não era como se eu tivesse tempo pra pensar sobre, afinal no dia seguinte mais shows e no outro também e assim eu nunca podia pensar em mim. Subi para a noite estranhamente estrelada no topo do hotel. Me debrucei um momento no parapeito olhando os outros prédio com luzes acesas, os carros buzinando e passando velozes em mais um dia caótico, mas perfeitamente normal. Ouvi passos e me virei assustada.
— O que faz aqui? — Questionei.
— Um dos seguranças disse que você estava aqui. — Falou Christopher com o rosto sério para então dar passos em minha direção. Olhei de novo para baixo, para a vida lá fora, fora da gaiola. Ele tocou meu cabelo acariciando. — Como está se sentindo?
— Estou normal, por que me sentiria de algum modo diferente? — Respondi e ele imediatamente me segurou pelos ombros me virando para ele e me encarando com os grandes olhos castanhos que sempre trazem a ventania.
— Sem atuações Dulce... Eu soube. — Disse o que fez meu corpo quase convulsionar. Deslizei para o chão, sentando e abraçando as minhas pernas. Ucker se colocou ao meu lado.
— Fomos longe demais. Longe demais. Eu preciso de umas férias sabe? Estar longe de tudo e de todo mundo.
— Até longe de mim? — Questionou e eu o fitei sentindo lentamente o ar fugir dos meus pulmões. Sim, era isto que eu não queria mais.
— Principalmente longe de você. Sabe, imagina o que poderia ter acontecido se eu estivesse de fato...
— Bom, eu seria pai. — Sua risada soou doce como notas musicais. Como ele poderia brincar assim?
— Christopher, você tem noção do que está falando? O que falariam de mim? Eu ainda teoricamente estou com o Memo. Você não entende, o quanto isto iria completamente nos ferrar? Não entende? — Agitei as mãos no ar me levantando e seu rosto adquiriu expressões mais sérias.
— Está na hora que acabar com o showzinho Dulce Maria. Não faz sentido você com este cara e se de fato você estivesse grávida iriamos dar um jeito, eu sei que sim.
— Abortar? — Meus nervos estavam explodindo.
— Claro que não.
— Você sabe da clausula no contrato que assinamos anos atrás.
— Estou me fodendo para uma clausula. Isto não me impediria de ter um filho seu.
— Christopher! — Meu rosto corou pensando na ideia de ter um filho dele, eu até podia imaginá-lo com suas bochechas e o mesmo sorriso sincero.
— O que? — Ele falou alto quando eu simplesmente pulei em seus braços envolvendo seu pescoço e respirando fundo, sentindo seu calor. As palavras pareciam engasgadas em minha garganta. Queria dizer tantas coisas que não encontravam espaço entre nós. Coisas que faziam sentido em mim. — Tudo vai ficar bem. — Sussurrou e senti meu corpo mais leve.
— Minha mãe me mataria e acho que eu não seria mais a garota favorita da sua mãe. — Me separei dele.
— Mas sempre será a minha garota favorita, não é o bastante? Além do mais acho que minha mãe iria surtar de felicidade, ela sempre sonhou em ter um neto. Seria mais fácil ela roubar o bebê de nós.
— Você faz as coisas parecerem fáceis.
— E elas não são? — Deu de ombros com seu jeito de ser que me fazia pensar que ele não levava nada a sério de fato. Balancei a cabeça negativamente dando as costas a ele e partindo. Ter um filho dele seria uma completa loucura, o que ele estava pensando? Nós tínhamos sido completamente imprudentes em transar sem camisinha aquela vez no parque, mas este tipo de coisa não voltaria a ocorrer. Tinha sido perigoso.
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Decepcionados, pq não chegou a existir de fato um bb vondy? uuuun. Mas no final toda essa história vai os afetar de algum modo, como não né?
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Poderíamos Cair (Vondy)
FanfictionPoderia uma promessa feita a anos atrás alterar tudo? Christopher e Dulce Maria prometeram que se casariam se chegassem aos 30 anos solteiros, no entanto quando esta data está para se cumprir, Chris permanece com sua namorada e Dulce tem que enfim e...
