Capítulo 11

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2006 (setembro)- Brasil- São Paulo

— Dulce, vamos. Coloque logo este maldito disfarce e vamos. — Chiou Anahí me jogando uma peruca castanha de cabelos lisos e longos. Optei por quase não usar maquiagem, afinal a maioria das pessoas me conheciam pelos olhos pintados de preto da Roberta, minha personagem em Rebelde. Anahí por sua vez usava uma peruca loira bem curtinha e óculos escuros quadrados, eu usava um ray ban. Já Maite optou por colocar apenas um tique taque de cabelo vermelho fogo em baixo do dela própria, e devo admitir que estava incrível.

— Noite das meninas? — Questionei com a mão para frente e as duas colocaram as mãos em cima das minhas e jogamos para cima.

— Noite das meninas. Uhuuul! — Gritamos e nos conduzimos a saída do nosso quarto, no corredor estava Oso como esperado.

— Você sabe o que fazer. Nos acoberte! — Disse ao homem alto e muito grande como uma muralha.

— Podem deixar, só não esqueçam o meu lanche, espertinhas. — Ele piscou. — E mais uma coisa, vão pela saída de incêndio logo, antes que eu me arrependa. — E saiu murmurando coisas como: Eu odeio a noite das meninas. Sim! Todos odiavam, e todas as vezes que ocorria, os meninos ficavam desesperados para descobrir onde nos havíamos metido, ainda não tinham obtido sucesso. Algumas vezes convidávamos Christian, mas tínhamos que tomar o sério cuidado de ele não dar com a língua nos dentes como era de seu costume.

              Pagando uma boa quantia de dinheiro a um dos funcionários do hotel conseguimos sair pelos fundos, longe das confusões de fãs que se formavam na porta do lugar. Ser do RBD não era fácil, mas no Brasil era impossível. Decidimos que uma balada seria interessante, fingindo ser pessoas que não éramos, conhecendo gente nova e nos passando apenas por turistas comuns com a maior cara de pau possível. O lugar estava completamente lotado, do tipo transbordando, do tipo esperem um pouco mais na fila para entrarem, mas quando finalmente estávamos lá dentro, não havia chance de arrependimento.

— Uau, quantos gatinhos. — Falou Anahí.

— Nenhum que me interesse. Eu e Guido estamos muito firmes. — Mai namorava um dos caras da banda há algum tempo, e começavam a falar em casamento algo que fazia Any ficar de cabelo em pé.

— Por enquanto! — Murmurou a loira abusada mandando um beijinho para a outra.

— Para de ser agorenta e invejosa Anahí. — Chiou ela dando um puxão em sua peruca.

— Cuidado, quer que descubram nosso disfarce sua louca? — Gritou Anahí ajeitando cuidadosamente o cabelo. — Agora terei que ir ao banheiro! — Ralhou antes de sair de perto de nós.

— Às vezes ela não tem noção mesmo. — Falou Mai, claramente chateada. Todos sabiam das diferenças dela e do namorado, e ela não gostava nenhum pouco de falar sobre isto.

— Não ligue pra ela. Deixa que eu vá ao bar pegar uma bebida pra nós.

— Uuuun caipirinha. — Sua voz tilintou enquanto eu abria caminho na multidão rumo ao balcão que eu via de longe.

— Três Caipirinhas, por favor. — Pedi ao barman.

— Deixa que eu pago. — Disse uma voz e quando me virei havia um cara de olhos claros e cabelo ondulado.

— Okay. — Sorri afinal ele era bonito e com a minha rotina atribulada não era de costume sair com caras.

— Você não é brasileira é? — Questionou ele.

— Não, eu sou argentina. — Menti e no final conversamos boa parte da noite até ele me chamar pra dançar na pista. Eu queria que acontecesse e podia estar até ansiosa para isto. Suas mãos enlaçaram minha cintura e ele aproximou seu rosto do meu me deixando na expectativa de um beijo iminente. Eu nunca tinha ficado com brasileiros.

— Cara, tira as mãos dela. — Soou uma voz as minhas costas e quando me virei vi parado Christopher que usava um boné branco na cabeça como se quisesse de disfarçar. Ah não, esta era a primeira vez que ocorria de eles nos descobrirem na noite das meninas. Eu descobriria quem havia sido o delator. Algo nele parecia instável quando eu coloquei a mão no peito do cara para me apoiar depois do susto inicial.

— Eu estou com ele hoje. — Disse simplesmente esperando que ele compreendesse e fosse embora, mas ele apenas avançou sobre o peito do homem o empurrando com força.

— Eu disse pra tirar as mãos dela. — Grunhiu entre dentes, segurando meu pulso de modo possessivo. O que ele estava pensando.

— Qual é? Não percebeu que a garota quer ficar comigo? — Falou o homem dando uns passos a frente e eu sabia que deveria evitar aquilo ou tudo se tornaria manchete de revista no dia seguinte: "Christopher Uckermann do RBD é acusado de agredir homem em uma balada no centro de São Paulo." Não poderia ser de jeito nenhum.

— Está louco? Chega com isto. — Segurei seu braço o puxando para longe da confusão enquanto eu pedia desculpas ao homem lá parado. Saímos do lugar em direção a noite quente. Parei me virando pra ele. — O que estava pensando? Por que fez isto? Caramba Christopher, mas que droga! — Ele apenas não respondeu olhando pra longe enquanto caminhávamos pela rua. Eu estava tão irritada com ele que era eu que não queria olhá-lo naquele momento. Ele não tinha o direito de se portar como se portou e fazer toda uma cena idiota. — Escuta Ucker, a Anahí ficou com todo o meu dinheiro, pois pedi pra ela guardar e não creio que nos deixarão entrar novamente com a lotação, assim você tem pra voltarmos para hotel? — Sim, eu estava tão fora de mim que não tinha me lembrado.

— Não!

— Como assim não? — Gritei enfurecida.

Poderíamos Cair (Vondy)Onde histórias criam vida. Descubra agora