Caminhei até o banheiro do restaurante para lavar um pouco o rosto e respirar. Por algum motivo eu estava suando até demais. Lavo as mãos e quando olho pelo espelho vejo Natália olhando para o meu reflexo também, viro-me.
— Oi. — Digo um pouco sem graça, mas ela não me responde indo até uma das pias e retocando o batom. Preparo-me pra ir.
— Dulce. — Ela me chama e eu me viro um pouco surpresa.
— Sim.
— Eu o amo de verdade, não estrague tudo.
Por todo o caminho enquanto seguia sozinha para casa em ruas pouco movimentadas na noite absurdamente escura, uma centena de pensamentos me passava, coisas sobre mim e sobre ele, sobre tudo o que havíamos significado um para o outro, sobre o que nunca significamos para os outros. Naquela época não importava com quem estivéssemos, sabíamos que voltaríamos para os braços um do outro antes que a noite se fizesse dia. Que concertaríamos outra vez e iriamos fingir que as pausas jamais tinham existido. Voo pra longe, em tempos onde eu tinha mais certezas que duvidas.
2006 (Outubro)- Em algum lugar no Brasil (Tour)
Os beijos, cada um deles eu me lembro. Nos shows uns eram mais rápidos, ele apenas encostava seus lábios nos meus e me dava às costas quando internamente eu queria mais, outras ele era mais intenso me espremia em seus braços e ao final ele me sorria docemente me puxando para ele, estes eram os que eu mais gostava.
— Sou só eu, ou alguém mais está sentindo as faíscas? — Questionou Christian enquanto estávamos nos bastidores de mais um show. Eu começava a retirar a maquiagem, me sentia esgotada depois de tantas horas em cima do palco. Quando olhei para o lado Christopher olhava para mim com um sorriso enquanto mordia o próprio dedo indicador. Balancei a cabeça tentando não pensar em seus olhos em mim. Daquela vez quando ele me beijou em cima do palco eu sei que ele soube que eu estava completamente entregue. Ah droga!
— Que faíscas? — Questionou Anahí olhando para os lados como se esperasse encontrar algo mágico.
— Oh vocês, são muito bobos mesmo. Por que eu tenho que ser o mais esperto aqui? — Concluiu Christian dando uma pequena risadinha e encarando a mim. Meu rosto se incendiou imediatamente, eu não pude evitar. Christopher apenas soltou uma gargalhada e se levantou para tomar água.
Quando chegamos ao hotel por volta das 03h30min da manhã um grupo de garotas com gravatinhas e cartazes se aglomera na recepção. Pude reconhecer rapidamente as fotos de Christopher que elas sustentavam em suas mãos. Algumas deveriam ter mais de 18 anos pela forma como agiam ou mesmo... Sei lá... Algumas dentre elas eram realmente bonitas.
— Christopher, mi amor, por favor, tire uma foto conosco. Por favor, Christopher. — Pediu uma delas, sendo seguida por outra e então o circo estava armado, elas voaram para cima dele se empoleirando em seu pescoço e enchendo-o de beijos. Já umas duas voaram para cima de Poncho e outra foi em direção a Christian. Dei passos rápidos rumo ao elevador, algo queimava dentro de mim principalmente quando vi uma loira alta cochichando no ouvido de Ucker enquanto ele dava uma risadinha, a mesma risadinha que ele dava para as suas garotas quanto estava a fim, eu tinha aprendido a distinguir, pois ele era óbvio demais. A porta do elevador se fechou comigo, Anahí e Maite dentro.
— Estas garotas são terríveis, não? Dá pra entender porque os meninos nunca conseguem prosseguir muito tempo em um relacionamento, com exceção de Christian claro que tem o marido dele, BJ.
— Eu odeio quando elas fazem isto sabe. Eu as amo, mas odeio também, alguém pode entender? — Questionou Anahí. — Mas elas são engraçadas de qualquer forma. Alias, porque está com esta tromba Dulce Maria?
— Não estou com tromba nenhuma, só estou cansada. — Repliquei quando a porta se abriu e eu me dirigi rapidamente ao meu quarto.
Ouvi barulhos de batidas na minha porta e acordei um pouco assustada ofegando. Olhei para o meu celular, eram 04h30min. Com certeza era Anahí com um de seus pesadelos, pensei deslizando pelos lençóis e caminhando.
— O que faz aqui? — Questionei arregalando os olhos e vendo quem estava parado no corredor. Ele simplesmente me puxou pela cintura em direção a ele e me beijou tirando meu folego enquanto corria suas mãos por cima da minha camisola de seda. Ele apertou meus seios com uma pequena risadinha desaforada me fazendo suspirar e tentar recobrar a consciência. — Christopher, está louco? O que pensa que está fazendo?
Aunque hoy me digas adiós, te quedarás
Te quedarás conmigo, seguirás en míPor más que te despidas, no te irás de aquiLo que fue hermoso no se puede borrarLo que es eterno no se puede matarNunca me olvidesNunca me olvidaré de ti
Embora hoje me diga adeus, você ficará
Você ficará comigo, continuarás em mimPor mais que se despida, não se ira daquiO que foi lindo não se pode apagarO que é eterno não se pode matarNunca me esqueçaNunca me esquecerei de ti
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Poderíamos Cair (Vondy)
FanfictionPoderia uma promessa feita a anos atrás alterar tudo? Christopher e Dulce Maria prometeram que se casariam se chegassem aos 30 anos solteiros, no entanto quando esta data está para se cumprir, Chris permanece com sua namorada e Dulce tem que enfim e...
