Mesmo aliviado por ter entregado o trabalho ao professor Phillp, ainda anotava um trecho da matéria de física no caderno. Já tinha me aprofundado em alguns exércitos de cálculos e fórmulas, deixando os outros que não compreendia.
Era um cansaço mental, e mais uma caneca de café não iria ajudar. Olhei pela janela enquanto o vento brincava com as folhas das árvores com a noite pouco estrelada. Hannah talvez estaria escolhendo uma roupa na frente do espelho.
Por mais sem graça que fosse ainda sentia algo errado.
Fechei os livros, juntei as folhas e coloquei num canto. Finalmente era férias! Assim poderia passar a madrugada inteira assistindo Braking Bad.
Peguei a toalha indo pro banheiro. Aquele barulho de água caindo e escorrendo era relaxante. Comecei imaginar aquela festa totalmente monótona e clássica. O bolo cheio de castanhas e damascos, sem balões coloridos e a quinta sinfonia de Beethoven tocando ao fundo.
A cara vermelha de Ryan ganhando aqueles presentes constrangedores da família, tipo, meias e cuecas. Além de ser um fissurado na história alemã e gostar de filmes poloneses.
Iria se entediar. Sorri passando a toalha na cintura sabendo que essa expressão que ficava bem estampada quando ela não gostava de algo ou alguém.
– Meu Deus! Minha garota está num feudo estranho!
Pensei alto abrindo a porta do
banheiro indo procurar uma camiseta limpa no guarda-roupa. Acabei de me trocar olhando a tela do celular com três mensagens de Hannah.
Estou saindo agora pro aniversário
Me deseje sorte 😂😩
19:24✅✅
Nath, as coisas aqui estão meio que diferentes do que esperava...
Sério, até Robert está diferente
19:52✅✅
Quando der me responda 😉
19:53✅✅
Imediatamente procurei seu número ligando chamando até cair. Tentei mais uma vez. Sem sucesso. Fui no banheiro ligando o secador pra que meu cabelo secasse mais rápido e tentei pela terceira.
– Que diabos!
Resmunguei enfiando o celular no bolso. Estava tudo bem. Talvez só queria falar que o bolo era ruim,
ou que estava num antro de adolescentes usando sueters marrons e gravatas borboleta ridículas. Mesmo sendo tão chato, tinha algo oculto em Robert que ia além da sua linha erudita, e não gostava nada disso.
Peguei Hamelet abrindo a porta do escritório, e Martim estava lá com os pés sobre o gabinete rústico de madeira, olhando pra tela do computador e analisando papéis em sua mão ao mesmo tempo.
Me deitei no sofá de couro marrom, que deixava aquele ambiente parecido com uma sala da Casa Branca, junto com quadro com uma moldura clássica dourada, tendo uma paisagem de outono.
Lia as últimas páginas as vezes escutando um murmúrio dele falando consigo mesmo e o som teclado. Gostava da companhia dele, de todas as vezes que colocava a playlist do Bon Jovi pra tocar falando das noites de sua adolescência e depois de mamãe. Fechei o livro já que não conseguia sair da quinta página.
– Pai... – fiz uma pausa me sentando apoiando os cotovelos nos joelhos – se sua garota estivesse numa festa de aniversário agora, com um cara que já beijou ela uma vez o que você faria?
– Bem... – ele fez uma pausa juntando as mãos em frente do rosto apoiando o queixo – tenho duas perguntas, você confia nela?
– Completamente.
– Confia no cara?
– Não.
– Então, ligue, mande mensagens. Só não exagere, as vezes pode ocorrer de ter alguns imprevistos como celular desligado, ou sem área... Só não faça a desgraça de perdê-la! Não deixe ninguém atrapalhar o relacionamento de vocês!
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Jogada Imperfeita
Romance| LIVRO 1 | ❝Porque na amizade sempre vai existir um amor puro, daqueles que realmente nada, absolutamente nada, vai afetar isso. A não ser que se transforme em amor, onde há uma linha tênue.❞ Enquanto o último ano do ensino médio não termina, o jog...
