Quarta-feira, 27 de maio de 2015
Completamente justo. Hannah tinha sua vida e podia fazer o que quisesse. Mas embrulhava meu estômago vê-la todos os dias trocando sorrisos e olhares com Robert. Era um medo esmagador.
Iria perdê-la pelo cara certo. Mais que merda!
Olhava pra Mellanie e sabia que mesmo tendo tudo o que um homem desejaria na cama, ela não seria quem sempre sonhei. Não conseguia me acostumar com alguém que nunca mudava de assunto.
Suas aventuras de entrar em baladas e festas com identidade falsa, só assistir America's Next Top Model. Ler a revista Women's Health com dietas pra manter o corpo e malhar a região da bunda, ou algum blog feminino com dicas de novas posições sexuais. Tedioso.
Eu tinha tanto a oferecer mas ela não era a garota certa.
Porque ela não gostaria de sair e passar horas conversando em um café, ou admirar o pôr do sol.
Sentia a falta dos pequenos detalhes de Hannah, como as mensagens de preocupação, seu cheiro inconfundível numa mistura de frutas vermelhas e algodão doce e todos chicletes do mundo.
Joguei a cabeça com força no travesseiro passando a mão cabelo com raiva bufando. Queria aquela sensação de segurança novamente. Me livrar dessa insegurança de querer fugir como quando se vai falar em público pela primeira vez.
Me virei agarrando forte o travesseiro e olhando pro teto. Me lembrava da vez que tudo estava bem. O sorriso, os dedos longos e magros batucando na janela do carro acompanhando o ritmo da música do Ed Sheeran. Memoriza-la foi tão fácil quanto saber todas as palavras da sua velha canção favorita.
Se eu soubesse que aquela seria a última vez teria feito tudo diferente.
Sozinho e incompleto. Com a solução simplesmente de tê-la ao meu lado. E controlar o que sentia, agora era impossível. A amava dos pés a cabeça, cada átomo do seu corpo e as batidas do seu coração.
Precisava sair, espairecer e pensar e não queria a companhia de Mellanie reclamando que passeios a parques eram infantis. Procurei minha camisa jeans a vestindo pegando as chaves e o celular.
Desci as escadas vendo minha mãe encolhida no sofá lendo um livro.
Respirei fundo. Me lembrando de cada palavra. Alterado, gritando que era a merda da minha vida. Prestes a me dar um tapa, seus olhos estavam lagrimejados, bateu a porta com força. Ela só queria minha compreensão.
Odiava brigar com mamãe. Também porque meu pai me olhava com decepção sabendo que estava me afundando cada vez mais com festas, bebidas e chegadas tarde em casa.
E depois de esfriar a cabeça, o arrependimento viria de uma forma esmagadora. Me fazendo lembrar de todas as coisas que ela já fez e faz por mim.
Estava virado de cabeça pra baixo, começando pelo desempenho escolar desastroso e os treinos eram um impasse ultimamente.
Desci o último degrau e mesmo não tirando os olhos de seu livro sabia que estava ali.
– Vai sair novamente?
– Mãe... – cheguei perto beijando o topo de sua cabeça me sentando na ponta do sofá segurando suas mãos – peço perdão por toda aquelas bobagens que disse ontem. Sei que estou errado.
Os olhos azuis eram os mesmos cheios de amor e compaixão desde que me lembro quando era um bebê. Havia sido grosseiro com quem só queria meu bem. A abracei buscando o conforto no meio daquela Tormenta.
Seus braços me envolveram a um abraço apertado reconfortante. Encaixei a cabeça na curva de seu pescoço como eu fazia quando ela me pegava no colo depois de um tombo no parque.
– Sim filho, eu perdôo. – sua voz era embargada e meus olhos já ardiam por conta das lágrimas se formando – percebi que ultimamente você andou meio alheio a tudo... Como se estivesse faltando algo... Entendo que você sempre foi calado sobre as coisas que sente – ela se afastou do abraço segurando as laterais do meu rosto limpando a lágrima teimosa que escorreu dos meus olhos – mas sou a sua mãe e te amo incondicionalmente Nathan, quero muito ajudar...
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Jogada Imperfeita
Romance| LIVRO 1 | ❝Porque na amizade sempre vai existir um amor puro, daqueles que realmente nada, absolutamente nada, vai afetar isso. A não ser que se transforme em amor, onde há uma linha tênue.❞ Enquanto o último ano do ensino médio não termina, o jog...
