Meu reflexo rápido me fez apertar fracamente um tecido. Ouvia a minha própria respiração e as dores do meu corpo pareciam ter diminuído. O peso das minhas pálpebras era grande, e ainda estava tão sonolento. Abrindo os olhos lentamente vendo a luz branca no teto da mesma cor.
Tinha um vulto com cabelos loiros falando baixinho. Inchei ao máximo meus pulmões soltando um gemido
– Mãe?!
– Graças a Deus Nathan!
Sua voz pareceu se aliviar de uma tensão que durou horas ou até dias. Me situando, estava num quarto de hospital sentindo o soro correr pela minhas veias. Colocando as mãos no coração emocionada, pude ver o terço que vovó havia dado a ela quando tinha quinze anos e que rezava todas as noites com ele, o deixando em sua cabeceira. Limpando as lágrimas ela segurou a minha mão passando a outra no meu rosto.
– Acha que vou ficar muito tempo aqui?
– Espero que não, você é o meu milagre Nathan... O médico disse que você está em estado estável mas como o carro ficou, dificilmente alguém sairia vivo. Sempre rezei pedindo pra que os anjos te protegessem.Sorri fraco suavizando todo o clima.
Eu sabia exatamente quem era meu anjo.
– E papai deve estar com muita vergonha de mim...
Disse pensando alto esperando o desapontamento dele quando me visse. Sempre tentei dar orgulho aos meus pais, só que estar num hospital por uma atitude estúpida estava longe disso.
– Não filho... Só está completamente cansado... Tentou segurar o choro mas viu a angústia de Hannah... Insisti muito pra que ele fosse tomar um café melhor aqui perto e quando voltar vai se sentir mais aliviado...
– E Hannah? Como ela está?!
Minha mãe sorriu fraco com a expressão serena.
– Eu não sei como ela conseguiu Nathan... Essa garota foi o ponto de equilíbrio durante tudo. Te acompanhou na ambulância até aqui e tentou passar com calma a notícia pra nós... Achamos que era um trote, mas estava tão tarde e você não vinha daquela festa... Ah, Andrew e a namorada passaram aqui e ficaram um bom tempo a consolando...
– Ela foi embora descansar?
Me movi na cama sentindo meu corpo dolorido e percebi que usava aquela roupa ridícula branca com detalhes azuis de hospital. Queria sair dali e ver Hannah.
– Insistimos pra que ela fosse embora pra casa, Erin veio, ficou um tempo com ela, veio te ver. Ela disse que tomaria café e comeria as bolachas sem gosto até você acordar e estivesse bem.
Minha mãe sorriu fraco e involuntariamente fiz o mesmo.
Lembrei das vezes que contava uma piada que ela demorava pra entender ou fazíamos uma careta depois que o professor de álgebra reclamava da conversa.
Mamãe deu passos pra trás onde tapava a minha visão de uma poltrona azul desconfortável onde Hannah cochilava com um semblante cansado.
Fiquei sem reação por uns segundos vendo que sua teimosia não havia ganhado do cansaço. A posição de seu pescoço com certeza doeria, seu queixo apoiado em seu ombro. A coluna numa posição curva que latejaria. Segurando os cotovelos a
deixava numa posição de defesa. Seu vestido um pouco sujo e com meu sangue escurecido.
– Vou acorda-la pra que te veja e vá descansar. Depois de passar a madrugada inteira chorando é até bom vê-la dormindo tranquila.
Engoli seco sentindo um gosto amargo de remédio. Senti meus olhos marejados. Porra, a sensação era horrível. Eu, a causa de tantos ressentimentos.
– Preciso falar com ela... Pedir tantos perdões até me sentir menos que um merda, que fez tudo errado...
– Filho, eu não sei o que aconteceu, mas tudo e todos que importam estão aqui com você! Ficar se martirizando será pior...
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Jogada Imperfeita
Romance| LIVRO 1 | ❝Porque na amizade sempre vai existir um amor puro, daqueles que realmente nada, absolutamente nada, vai afetar isso. A não ser que se transforme em amor, onde há uma linha tênue.❞ Enquanto o último ano do ensino médio não termina, o jog...
