Regina estava radiante com a afirmação de Emma. Para a loira, assumir a sexualidade, depois de levar uma vida toda heteronormativa, não era tarefa fácil. A dificuldade de autoaceitação de Emma, era o fator principal que a impedia de assumir o seu relacionamento com Regina publicamente. Era algo novo no qual a loira ainda não sabia como lidar, principalmente por ter conhecido sentimentos tão fortes e intensos com a morena. Imaginar a reação de sua família era algo assustador, principalmente tratando-se de Mary Margareth que era uma mulher extremamente controladora e intolerante em relação a determinados assuntos, principalmente quando tratava-se de sexualidade diferente do padrão social. Emma sabia que seria o processo doloroso tanto para ela, quanto para a sua mãe, por tal motivo, tentava ao máximo esquivar-se de comentar sobre. Não era por não amar Regina e muito menos por envergonhar-se de sua parceira, era apenas medo de rejeição.
Contar tudo para Kristin e Lily fora apavorante, porém sentiu-se mais leve por ter desabafado o quão estranha sentia-se diante aquela situação, mas com Mary Margareth era diferente. Ela era sua progenitora, aquela que a educou por toda a vida, aquela que sempre lhe impôs normas e a repreendeu, aquela que era foco de um laço afetuoso mais forte e profundo. Para Emma era praticamente inconcebível revelar o seu segredo à sua mãe. Temia magoá-la de forma devastadora, tanto que pudesse afetar tragicamente a sua saúde.
- QUE? - gritou August com tom de deboche. - Você está falando isso apenas para ajudar Emma a livrar-se de mim, isso não vai colar.
- Sério, Augusto? Acha mesmo que eu sou criança para ficar fingindo algo? Não seja tão estúpido! - disse Regina bufando.
August fez uma negativa. Percebeu que Regina estava séria demais e não parecia mentir sobre aquele assunto. Naquele instante sentiu a sua masculinidade ferida. Perceber que a sua ex preferia estar com uma mulher do que com ele era humilhante. Só conseguia pensar que lhe faltava atrativos, que não era capaz de satisfazer a loira e todos aqueles pensamentos desordenados e atormentares, o faziam sentir raiva. Queria descontar em alguém tudo o que estava sentindo naquele momento.
- Você não é assim, Emma! Eu a conheço há tanto tempo… Não acredito nisso! - disse August sentindo a sua respiração ofegante.
- A verdade, August, é que passamos a vida inteira sem conhecer nem a nós mesmos, imagine dizer o que o outro é ou deixa de ser! - disse Emma refletindo, o olhando nos olhos.
Regina estava orgulhosa, mas preferiu não comentar nada sobre o assunto anterior.
- Você sempre foi criada na moral e nos bons costumes, essa não foi a educação que Mary te deu. Tenho certeza de que foi influenciada por Regina… - disse August desacreditado.
Emma riu, porém estava apreensiva.
- Eu não sou criança, August! - retrucou nervosa com o pensamento do rapaz sobre a sua reputação.
- Então amar alguém é imoral, Augusto? Faça-me o favor! - Regina bateu o pé.
- É! Tenho certeza de que Mary não sabe desta atrocidade! Quando ela souber… - disse August tentando atingir Emma.
Emma sentiu um frio percorrer em sua espinha. Todos os seus medos estavam sendo jogados naquelas palavras.
- AH, NÃO SEJA INFANTIL AUGUST! - gritou Emma com as mãos trêmulas.
Regina percebeu que a sua loira estava nervosa e segurou em sua mão.
- Calma… - sussurrou.
Emma assentiu a olhando nos olhos.
- Fique longe dela, respeite a nossa relação! - pediu Regina com tom de voz intimidador.
- Quer saber? Que vocês se fodam! - disse August frustrado.
Regina arqueou uma sobrancelha e sentiu a necessidade de responder aquela ofensa, tomou fôlego e preparou uma frase fina.
- Desejo veementemente que vossa senhoria receba contribuições inusitadas em vossa cavidade retal. - ironizou Regina com um sorriso estampado na face.
August deu de ombros e as deixou. Estava atordoado demais para permanecer ali.
- O que você disse? - perguntou Emma confusa.
- O mandei à merda à altura da moral e dos bons costumes! - disse Regina com um sorriso de lado.
Emma soltou o ar dos pulmões e gargalhou. Precisava contar a August, era isso ou ele nunca largaria de seu pé, não queria problemas com Regina por não dar um ponto final àquela situação que o rapaz causava com a sua insistência.
A loira percebeu que era difícil manter uma relação séria em segredo. Uma hora ou outra todos saberiam, mas queria evitar que ao menos a sua mãe descobrisse. Não julgava-se corajosa o suficiente para encarar aquela realidade. Regina estava ali para apoiá-la, tentava fazê-la entender que não precisava enfrentar aquilo sozinha, mas, mesmo assim, o medo falava mais alto.
August guardou aquela raiva por alguns dias. Evitava olhar para Emma, mas precisava desabafar com alguém. A sensação de ter sido trocado por Regina era péssima e a única pessoa que ele enxergava capaz de entendê-lo, era Fiona.
- Você sabia que Regina está…está... com a Emma? - perguntou August desconfiado.
Fiona sorriu arqueando uma sobrancelha.
- Sim… Você não? - perguntou.
- Eu nunca imaginei… - disse cabisbaixo.
A mulher aproveitou-se do momento de fragilidade do rapaz e estava pronta para usá-lo em um plano obscuro para prejudicar Regina de alguma forma.
- E… - disse Fiona malignamente, sussurrando algo no ouvido de August..
August arqueou uma sobrancelha e olhou para o chão fazendo bico.
- E como pretende fazer isso? - perguntou curioso.
Fiona sussurrou mais algumas palavras no ouvido do rapaz.
- Mas isso me parece ser bom apenas para você. - disse August.
- Confie em mim! - disse Fiona plena.
Killian estava a sós com um cliente no segundo andar. Arthur estava em busca de algo diferente para usar com o seu ficante, queria fazer uma surpresa, mas não tinha ideia de como agradá-lo. Visto que o rapaz já havia usado quase todos os brinquedos imagináveis, Killian pensou em algo que tinha plena certeza de que Arthur não saberia.
- Hum… Conhece o Tenga Egg? - perguntou Killian com o dedo sobre os lábios.
Arthur fez uma expressão de dúvida.
- Não… Egg de ovo? - perguntou.
Killian assentiu. Abaixou-se com o bumbum inclinado em direção ao rapaz e pegou o produto que estava na última fileira de baixo.
Arthur sentiu o seu corpo esquentar, não conseguiu desviar o olhar daquela região.
- Este! - disse Killian com um ovo na ponta dos dedos.
Arthur gargalhou.
- E isso serve pra quê? Enfiar na região anal? - perguntou pegando o objeto e o observando.
Killian mordeu o lábio inferior e tomou o ovo em suas mãos.
- O importante é o que tem dentro. - respondeu abrindo o encaixe do produto no meio.
Arthur franziu o cenho.
- Isso parece uma camisinha muito larga. - disse Arthur ainda sem entender a funcionalidade daquilo.
Killian pegou um consolo que já estava fora da embalagem e tirou o pequeno frasco de lubrificante que vinha dentro do ovo, lubrificando a extensão do Egg que mais parecia um plástico que esticava.
- Isso é bom? - perguntou Arthur curioso.
Killian cobriu todo o consolo já lubrificado e fez movimentos circulares e de vai e vem, demostrando toda a funcionalidade do produto.
- Nossa… É um masturbador, deve ser muito bom. - disse Arthur excitando-se com a maestria da demonstração de Killian.
- Você pode algemá-lo e tapar os olhos dele, depois colocar o Egg no pênis do boy e massageá-lo, tenho certeza de que ele adorará! - disse Killian molhando os lábios sem desviar os olhos de Arthur.
- Nossa! É tudo que eu precisava! - disse Arthur animado.
- Boa sorte com o namorado. - disse Killian arqueando uma sobrancelha com um sorriso malicioso.
Arthur deu uma piscadela para o rapaz.
- É apenas um P.A, eu sou livre para qualquer pessoa, inclusive para você…
Killian desmanchou o sorriso e caiu em si. Não sabia o que havia dado nele, mas Arthur lhe chamou bastante atenção.
- É… é… O caixa é lá embaixo. - disse Killian gaguejando e indicando o caminho.
Arthur foi até Zelena, pagou pelo produto e pediu para que ela deixasse o telefone dele nas coisas de Killian. A ruiva gargalhou e fez o que o rapaz havia pedido sem que Killian notasse que havia sido ela a intermediária. Zelena fez um acordo com Arthur, prometeu que deixaria o telefone com Killian se ela tivesse informações se o colega sairia com ele ou não.
Mary Margareth estava em seu horário de almoço e no caminho do restaurante, viu um anúncio de uma vidente cigana Ísis, e resolveu procurá-la. Estava curiosa pelo futuro de Emma e não resistiu em saber mais a respeito. Mary explicou que queria saber se a filha se casaria com alguém em breve e a cigana pediu para que ela retirasse três cartas do baralho de Tarô.
- Hum… Ela já conheceu alguém. A pessoa nutre os melhores sentimentos pela sua filha, é o que diz a carta do coração. - disse a cigana indicando as cartas.
- Como assim já conheceu alguém? Ela não me disse nada! - perguntou Mary duvidando.
- Talvez ela nem se relacione com esta pessoa ainda… - respondeu a cigana sem conseguir prever com precisão.
- Talvez esteja apaixonada. - afirmou Mary.
- É o que está aqui. A carta da flor representa realização, felicidade e estabilidade emocional, então a sua filha está bem, mas passará por problemas passageiros que dependem somente dela para serem solucionados, segundo a carta do trevo. - disse a cigana.
- Mas quem é? Ela se casará com essa pessoa? Eu vou gostar dele? - perguntou Mary sem respirar.
A cigana a olhou com repressão.
- Não será fácil, a sua filha está em um processo de autoaceitação. Ela poderá se casar com alguém com boas condições financeiras e você poderá ganhar um neto. Mas não será simples, o caminho em que ela está deverá ser repensado e você será um problema para este relacionamento. Emma precisará fazer escolhas… - afirmou a cigana com uma expressão séria.
- Eu? Mas eu estou feliz por ela se casar e me poder me dar um neto! Estou mais tranquila, vou contar a Kristin as boas notícias que você me deu! - disse Mary sorrindo.
A cigana soltou o ar dos pulmões.
- Boa sorte!
- Tomara que seja um homem tão bom quanto o August! - disse Mary com um sorriso bobo.
- E quem é August? - perguntou a cigana.
- Ue? Você não é vidente? Adivinhe! - disse Mary debochando.
A mulher revirou os olhos.
- Se eu visse tudo, estaria milionária!
- É o ex dela! - respondeu Mary.
A cigana arqueou uma sobrancelha.
- Se ex fosse bom, seria atual!
Mary deu de ombros, pagou pela consulta e voltou para o seu trabalho, tendo a certeza de que Emma arrumaria um marido em breve.
Zelena havia organizado uma festa na chácara de seus tios. Cora e Ingrid estavam responsáveis por levarem todos até lá em seu ônibus. Dentre a lista dos convidados estavam Regina, Zelena, Killian, August, Glinda, Fiona, Ruby e outros. Emma estava na casa de Regina esperando que ela arrumasse as malas.
Emma estava abraçada com Lola e Regina acabara de sair do banho. O olhar da loira foi puxado como um ímã em direção a morena e não conseguia desviá-lo. Seu coração pulsava com aquela silhueta que era sensualmente cálida, que lhe fazia pensar em o quanto a amava.
- Essa sua dona é muito linda, não é filha? - perguntava Emma a Lola, sem desviar o olhar da morena.
- Filha? Eu sou a mãe da Lola! - Regina brincou sorrindo para Emma.
- Se ela é sua filha, também é minha filha, sua boba ciumenta! - respondeu Emma acariciando os pelos da cadela
Regina riu, estava apenas de toalha e pegou um frasco de creme aproximando-se de Emma.
- Passa em mim? - perguntou Regina entregando o frasco a loira.
Emma sentou-se na cama enquanto Regina tirou a toalha para que pudesse receber a massagem. A loira admirou a visão desnuda e deslumbrante de sua amada, Sentiu o seu coração palpitar como se fosse a primeira vez que a tocava.
- Que cheiro bom… - sussurrou Emma.
Regina assentiu. Sentia a sua pele queimar com o toque de Emma.
A loira chegou mais perto, fazendo com que Regina sentisse o calor de seu corpo, massageando suavemente as suas costas. A morena direcionou o seu olhar a Emma e admirou o seu rosto por alguns instantes, trocando um breve olhar cheio de brilho.
- Prontinho. - disse Emma com um sorriso encantador.
Regina retribuiu o sorriso e levantou-se para se vestir.
- Não sei porque essas blusas vêm tantos botões... – questionou.
Emma levantou-se e a ajudou a ajeitar a peça. Sentia sua respiração quente e o seu hálito gostoso bem próximo a sua boca. A tensão sexual entre ambas permanecia tão intensa quanto no início, seus corpos atraiam-se de forma inevitável. Regina mordeu o lábio inferior e em seguida deu um beijo em sua loira, colando os seus corpos, sentindo-se febril e sedenta pelo toque de Emma.
- Não estamos sozinhas... – sussurrou Regina colocando a sua testa na de Emma.
A loira assentiu e ficaram em silêncio por alguns segundos.
- Mamãe fez uma marmita fitness pra você não sentir fome no caminho. – disse Regina com um sorriso doce, acariciando o rosto de Emma.
- Sério? Qual delas? – perguntou Emma empolgada.
- Ingrid, ela é igual a você, toda fitness! – explicou Regina rindo
- Vou agradecê-la depois. – disse Emma.
- Vamos? – chamou Regina.
- E a gente vai viajar nesta chuva? – perguntou Emma séria.
Regina mordeu o lábio inferior, sentindo ali uma ponta para uma respostinha irônica e não pôde resistir em comentar.
- Não, quem sabe talvez na próxima chuva! – disse com um sorriso de lado.
Emma pensou por cinco segundos e entendeu o que a morena havia acabado de dizer.
- Ah, sua cavala! – pulou em cima de Regina a derrubando na cama. – Eu vou te morder! – disse deitando-se em cima da morena que estava de bruços.
- Você tá brava? – perguntou Regina sem fazer esforço algum para levantar-se.
- Estou! Você me tira do sério! – disse Emma com voz doce, beijando a região de trás do pescoço de Regina.
- E toda vez que você ficar assim, bravinha comigo, irá me agarrar? – perguntou Regina com voz manhosa.
- Ah, então quer dizer que você está gostando? Tenho que achar uma forma melhor de te castigar! – disse Emma rindo, alternando os beijos em vários lugares da região de cima de Regina.
Regina virou-se e a loira deu espaço para ela se ajeitar. Emma deitou-se por cima da morena e abraçaram-se, sentindo a frequência de seus batimentos em sincronia. Roçaram os seus narizes e selaram os lábios suavemente com um beijo carinhoso e apaixonado.
- Regina? Emma? Já estão prontas? Vamos nos atrasar! - disse Cora batendo na porta do quarto.
- Já estamos indo! - respondeu Regina sem sair do lugar.
Puxou Emma pela nuca e deu um outro beijo.
- Agora podemos ir. - disse sorrindo.
Emma assentiu, pegaram as malas e colocaram dentro do ônibus.
- Mãe, quando vocês forem para Santa Catarina, nos avise. - pediu Regina a Cora.
- Vão a passeio? - perguntou Cora.
- Eu quero ver o meu pai. Faz algum tempo que não o vejo. - respondeu Emma com tristeza no olhar.
- Ah, querida… Sinto muito! Nós sairemos na véspera do feriado a noite e voltaremos em três dias. A viagem é longa, viajaremos a noite toda. - afirmou Cora tocando no rosto de Emma carinhosamente.
- Vamos. - chamou Ingrid.
Pegaram o trânsito por quinze minutos e chegaram ao ponto de encontro combinado com todos. Emma e Regina desceram para esperá-los, a chuva já havia passado e o cheiro de terra molhada estava impregnado em seus narizes. Os outros vieram sem demora. Guardaram as pequenas malas e uma figura sorridente aproximou-se da morena, parecia que não existia nada além da imagem de Regina ao seu redor, não falou com ninguém, não olhou para outra pessoa além da morena. Carregava uma dose de ilusão e um par de mãos trêmulas, mesmo após ter recebido uma negativa.
- Regina, o seu perfume ainda permanece em minha memória… Desde a última vez que nós vimos! - disse Ruby aproximando-se de Regina e dando um beijo no canto de sua boca. - Eu te mandei uma mensagem dizendo que estava ansiosa em vê-la novamente!
Regina ficou sem reação, ainda estava tentando processar aquela informação, pois fazia algum tempo que não via Ruby passar pela loja.
Emma franziu o cenho fitando a moça, não gostou nada daquela ousadia. Cerrou o punho e estava prestes a falar algo, seu coração batia excessivamente e quase lhe faltava ar.
- Que história é essa de desde a última vez que nos vimos? - perguntou Emma nervosa.
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O sabor do pecado
Fiksi PenggemarO destino muita vezes nos prega peças. Um simples fato do acaso pode nos unir a alguém que pode mudar as nossas vidas completamente. Emma Swan conhece Regina em uma situação incomum e nesse encontro inesperado acaba recebendo uma proposta de emprego...
