Você me provoca

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- Emma, Regina?

As duas mulheres viraram-se em direção a mais velha e esperavam por algum pedido, mas Mary apenas disse uma única palavra.

- Obrigada!

Emma sorriu, Regina apenas assentiu e voltaram a dar as costas novamente, estavam a pé e pareciam seguir para um lugar perto. A medida que iam afastando-se novamente, Mary sentiu um aperto no peito, algo a incomodava tanto que parecia que explodiria.

- EMMA, REGINA! - as chamou de uma certa distância.

- O que houve agora? - Regina começou a irritar-se.

Emma riu da impaciência da morena.

- Calma, vamos lá!

Ao aproximarem novamente, Mary as fez entrar, parecia eufórica. Esfregou as mãos uma na outra enquanto Emma e Regina entreolhavam-se como se questionassem o que estava acontecendo ali.

- Você está bem? - Regina quebrou o silêncio.

- É que... - Mary soltou o ar dos pulmões. - Eu... eu preciso pedir algo a vocês e não sei como...

- Desembucha, Maria! Eu estou louca pra levar a sua filha pra dar uma volta no parque antes que fique muito tarde! - Regina resmungou olhando no relógio.

- Regina, deixe de ser tão rude! - Emma a repreendeu e a morena revirou os olhos.

- É que eu nunca terei paz se não falar algo que está... - Mary afrouxou a gola da blusa e pigarreou. - preso em minha garganta!  

- Não mastigou a rapadura direito? Tem que comer com mais calma! - Regina não estava levando a sério que Mary queria dizer e Emma a fitou.

- Eu estava estranhando a sua calma e bondade comigo agora pouco! - Mary irritou-se.

- Mãe, nós vamos nos sentar aqui e você diz o que tem a dizer e não ligue para as palhaçadas da Regina, ela adora alfinetar os outros. - Emma puxou a morena e sentaram-se no sofá.

Regina cruzou os braços e Mary suspirou.

- É que eu fui muito... idiot... intolerante com vocês e desagradável.

- Desnecessária! - Regina a corrrigiu.

- Realmente! - Emma concordou enquanto Mary permanecia de pé.

- É que sempre quis vê-la casada com um homem, com filhos, vestida de branco, véu... é o sonho de toda mãe para sua filha!

- Perdeu a oportunidade de ver isso! Emma vestiu-se de noiva, teve um filho que educou comigo, só que eu não sou homem! Nisso eu sinto em frustrá-la. - Regina estava na defensiva quando o papo começou a tornar-se homofóbico.

- Ela esteve lá, mas acho que estava bêbada demais pra se lembrar... - Emma tocou no braço de Regina.

A morena colocou a mão sobre a testa e cerrou os olhos.

- É verdade! Minha mente é muito seletiva, costuma deletar coisas ruins!

- Eu me lembro... Era uma festa muito bonita, mas eu não estava preparada pra isso, não pra vê-la casando com outra mulher! - Mary desabafou.

- Dona Maria, deixa eu namorar a sua filha! - Regina cantarolou como se não quisesse prosseguir com aquele assunto. - Eu já casei, né?! Tarde demais, Mary Margaret. Não adiantou nada a sua birra e seu discurso homofóbico, nos amamos e não há nada que você possa fazer que vá nos separar. - semicerrou os olhos e inclinou o corpo para frente encarando Mary. - Não há praga que você rogue que seja mais forte que o nosso amor, nós sempre daremos um jeito!

O sabor do pecadoOnde histórias criam vida. Descubra agora